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Eu ainda acredito no Brasil

Eu ainda acredito no Brasil Foto: Divulgação Eu ainda acredito no Brasil

Em terra de oportunidades, os sinceros e competentes contribuem e se sobressaem. Basta acreditar e participar.

 

Uma pergunta que sempre me fazem: Se você tem escritório e negócios na Itália, por que ainda mantém parte da vida e dos negócios no Brasil com essa crise? E a maioria dos que me fazem esse questionamento são aqueles que declaram nunca querer sair do país. Por que eu tenho que sair?

A resposta é simples. Acredito que momentos de crise funcionam como filtros que separam os que tomam a opinião alheia como própria, os incompetentes, os fracos, os amadores e os de sobrevivência breve no mercado, daqueles realmente preparados, competentes e capazes, profissionais, de mente aberta e com poder de raciocínio e de filtro.

Vou além. Sempre acreditei mais na competência do empresariado e dos executivos brasileiros do que na dos governantes. Competência que faz com que os profissionais brasileiros sejam reconhecidos e valorizados no exterior, desde que tínhamos que sobreviver com uma inflação absurda e irreal, e que fazia com que fossemos respeitados como sobreviventes pelo resto do mundo.

O brasileiro se acostumou com a palavra “crise” como desculpa para tudo. Foi assim doutrinado. Não que ela não exista, muito pelo contrário. O cardápio da crise no Brasil é amplo: política, institucional, econômica, social, jornalística, ética e moral. Podemos nos dar ao luxo de escolher.

Muitas empresas multinacionais vem para o Brasil aproveitando as possibilidades de investimento que surgem com a crise, comprando desde nossa energia até nossa alimentação e a bebidinha de todo dia, acreditando na melhoria de cenários e no potencial dessa terra. Algum motivo existe. E por que só eles?

Tudo na vida tem dois lados, um bom e outro “menos bom”, um alegre e outro triste, um olhando para a frente e outro não. Descontada a parte ruim (em parte passageira, em parte verdadeira e em parte costume de reclamar), o Brasil para mim sempre foi um país maravilhoso, com oportunidades incríveis, com um povo gentil, alegre e bondoso, um Brasil que merece nosso esforço para melhorá-lo. Por pouco que cada um faça, o somatório sempre é significativo.

Tudo bem que ouvimos alguns absurdos vindos de todos os lados, mas o que fazer se cada brasileiro é um técnico de futebol e um catedrático em economia e em administração? Alguns de nossos políticos não têm formação nenhuma e querem dar aulas de economia e de direito, assim como também o fazem alguns jornalistas, que nos presenteiam com pérolas de conhecimento inútil e que ajudam a pulverizar o catastrofismo e, muitas vezes, o sentimento de revolta. 

Fico no Brasil, pois ainda acredito nesse país e tenho fé de que esta fase instável está chegando a um final (em 2018 temos eleições, vejamos o que nosso povo aprendeu). Por que ainda acredito que essa sensação de derrota e de descrédito atual está servindo como incentivo para que se queiram, e que aconteçam, mudanças. 

Assim como ainda acredito que nosso empresariado reaja e mostre somos um país e não um grande órgão do governo, que depende do mesmo para tudo. Para financiar, comprar e vender a atividade econômica e sustentar classes de aproveitadores de todos os matizes. 

Tomem como exemplo alguns estados onde a dependência de governo, Petrobrás e forças armadas sempre foram o cotidiano, e que quando essas sofreram abalos com resultados de corrupção, incompetência, descaso e má gestão, simplesmente quebraram, assim como o povo que nele vive. Isso sem falar que a falência dos órgãos de segurança possibilitam um aumento da violência urbana que espanta e afasta muitos investidores.

Fico aqui, pois quero contribuir da forma que for possível para a transformação deste nosso país, por mínimo que seja. Que me desculpem os aproveitadores de ocasião, os exploradores da crise e os predadores que torcem por catástrofes que alimentem seus objetivos e o derrotismo que querem disseminar.

Não esqueço minhas origens. Sou italiano, por isso fui buscar recursos e oportunidades na Itália quando precisei ampliar horizontes. Levei para lá produtos e empresas brasileiras aproveitando as oportunidades do momento. Trouxe para o Brasil produtos e empresas italianas e possibilidades que lá abri e consegui. Minha família vive aqui e eu acredito no Brasil, e me considero de coração e alma, um brasileiro.

Não viemos como imigrantes, o que não seria um demérito. Meu pai foi chamado por uma empresa nacional (DFV) para fazer a manutenção de equipamentos óticos da Marinha Brasileira. Ele se apaixonou pelo Brasil, acreditou nessa terra e no seu potencial e decidiu ficar por aqui com esposa e filhos. Montou empresas, gerou empregos, arrecadação e sonhos de futuro para filhos, netos e bisnetos.

Fomos muito bem acolhidos, prosperamos e tivemos oportunidades de crescimento, fizemos muitos e bons amigos. Temos muito que reconhecer e agradecer a esse país e a esse povo. Não podemos ser mal agradecidos. Não seria ética e nem moralmente aceitável. Não seria justo, perfeito e nem honesto.

Eu ainda acredito no Brasil, assim como meu pai acreditou. E não vou desistir disso tão fácil. Fico na espera do que o futuro reserva.

Tomara que tantos outros também acreditem e façam a sua parte.

Silvio Biagi

Silvio Biagi é professor e doutor em Administração e Negócios, jornalista e CEO da SB Negócios no Brasil e da SB Development Eur na Itália. 
sbnegocios.com
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