Coronavírus continua no ar

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Coronavírus continua no ar (Foto: Pexels) Coronavírus continua no ar

O coronavírus continua no ar (e na mente dos investidores). A semana passada foi de grande volatilidade. O Ibovespa chegou a subir mais de 3%, mas devolveu boa parte das altas depois que um novo método de diagnóstico do vírus inflou drasticamente as estatísticas. De acordo com analistas da Toro Investimentos, isso não significa que a contaminação aumentou muito, mas o medo nem sempre é completamente racional.

No Brasil, o reflexo foi o de sempre: dólar disparando e o Banco Central tendo que atuar para diminuir o ímpeto dos especuladores. As declarações de Paulo Guedes durante a semana sobre o patamar do câmbio só reforçaram a aposta em novas altas, movimento que deve continuar no médio prazo.

Mesmo com toda a turbulência, a temporada de balanços segue a todo vapor e trouxe alguns exemplos de como crescimento ou queda de lucro não é tudo quando se avalia uma empresa. Os balanços trouxeram também o já clássico debate sobre o futuro do setor bancário. 

Empresas

Às vésperas do carnaval e do resultado da Ambev (ABEV3), a holandesa Heineken divulgou o crescimento de suas vendas globais com destaque para o crescimento no mercado brasileiro.

A Ambev já sente o aumento da concorrência e luta para manter sua liderança de mercado, que já foi soberana. Dados fortes da Heineken indicam cada vez mais o fortalecimento da concorrente no Brasil.

Além da marca “Heineken”, que é seu carro chefe, o portfólio do grupo holandês conta também com marcas como Sol, Kaiser, Eisenbahn e Glacial, que cada vez beliscam um pedaço maior do mercado da Ambev. 

No ano, a Ambev já cai mais de 10% e sobe a expectativa para divulgação dos seus resultados dia 27/02, quase carnaval, que devem indicar os impactos do mercado mais competitivo e por à prova a cultura e a capacidade de adaptação da gigante cervejaria brasileira.

IPOs

O mercado de ofertas públicas vem se mostrando bem animado em 2020. A estreante na Bolsa desta semana é a Moura Dubeux (MDNE3).

A Moura Dubeux é uma construtora e incorporadora que já atua no Nordeste há mais de 30 anos. A oferta pública inicial da Companhia movimentou R$1,25 bilhão, com precificação de R$19,30 por ação. Os valores serão destinados principalmente para a redução da dívida e reforço de caixa.

Balanços

Dando continuidade à temporada de balanços do 4º trimestre de 2019, tivemos ao longo desta semana a divulgação de resultados relevantes.

A Suzano (SUZB3) reportou lucro líquido 61% inferior ao registrado no 4º trimestre de 2018. Entretanto, o papel fechou o dia subsequente à divulgação do balanço em alta de 3,25% , um exemplo de porquê análise de investimentos não se resume a analisar a variação do bottom-line (referência ao lucro líquido, “última linha” da demonstração de resultados). A Empresa conseguiu reverteu o prejuízo do terceiro trimestre, revisou positivamente os ganhos de sinergia da fusão com a Fibria e avançou na desestocagem de celulose, melhorando a perspectiva de longo prazo para o papel.

O Banco BMG (BMGB4), por outro lado (e para fortalecer nosso exemplo), apresentou lucro líquido cerca de 4 vezes maior no 4T19 do que no mesmo período do ano anterior. E o que aconteceu com as ações? Chegaram a bater quase 20% de queda na sexta-feira (14). O crescimento relevante de despesas e de provisões, mudanças no guidance e certa falta de “disclosure” e de comunicação influenciaram negativamente a imagem do Banco perante o mercado.

Também divulgaram resultados ao longo da semana: Usiminas (USIM5), BTG Pactual (BPAC11), Banco Inter (BIDI4), Banco do Brasil ( BBAS3), Tim ( TIMP3), Banrisul (BRSR6), Itaú (ITUB4), Log ( LOGG3), Totvs ( TOTS3) e Grendene (GRDN3).

(Redação – Investimentos e Notícias)