DESTAQUE DA SEMANA: Aberta a temporada de balanços

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DESTAQUE DA SEMANA: Aberta a temporada de balanços (Foto: Pexels) DESTAQUE DA SEMANA: Aberta a temporada de balanços

Enquanto parlamentares descansam e o Executivo vai tentando formas de reavivar a economia, chegamos naquele momento que aguardamos ansiosamente a cada 3 meses: a temporada de divulgação de balanços e resultados das empresas!

De acordo com analistas da Toro Investimentos, grandes bancos já mostraram seus números, com Bradesco sofrendo fortes quedas nos primeiros dias pós divulgação. No sentido oposto, Ambev alça vôo e é acompanhada de Cielo, mesmo que essa última tenha trazido números mistos. Para completar, a Petrobras enfim se desfez de boa parte de sua participação na BR Distribuidora.

Aqui e pelo mundo, os olhares também se voltarão para as decisões de taxas de juros por diversos Bancos Centrais. Na Europa a queda de juros ainda não veio, mas não deve demorar. No Brasil e nos Estados Unidos, teremos reuniões na semana que vem para tomar essa decisão e já devemos ver alguma movimentação.

Saques no FGTS

O governo finalmente anunciou as regras de saque do FGTS. Uma primeira permitirá saques de R$500,00 por pessoa em contas ativas e inativas. Já uma segunda estabelece um modelo de saques anuais do fundo. Lançamos um vídeo explicando essas mudanças e o que os investidores poderiam fazer com esses recursos.

Do ponto de vista do governo, a estratégia visa impulsionar o consumo ou, pelo menos, a diminuição do endividamento das famílias. Em ambos os casos, espera-se que a economia ganhe mais dinamismo e dê mais força às reformas econômicas que vêm sendo implementadas.

Os valores, contudo, vieram abaixo do que se esperava. O problema é que o FGTS é usado para dar crédito de forma mais barata o setor imobiliário. O segmento já vem sofrendo muito desde o início da crise. Sem esses recursos, muitas construtoras podem sofrer impactos severos.

Tentando agradar gregos e troianos, o governo buscou limitar o impacto sobre a construção civil ao mesmo tempo em que tenta liberar o máximo de recursos para reavivar a economia. Pode ser que consiga ambos. Pode ser também que não consiga nenhum.

Brasil deve crescer pouco em 2019

Dessa vez não são apenas os analistas brasileiros que fazem essa afirmação: o Fundo Monetário Internacional (FMI) soltou seu famoso “World Economic Outlook” e cortou a projeção do PIB brasileiro neste ano de 2,1% para 0,8%. Se confirmado, será um crescimento menor que o dos dois últimos anos.

A aposta nas reformas econômicas tem impacto principalmente no médio-longo prazo, enquanto isso, a confiança de empresários e consumidores segue muito baixa. Os saques no FGTS podem ajudar, assim como a redução dos juros pelo Banco Central. Mas o tempo vai passando e não temos visto sinais muito animadores de recuperação. Com as mudanças deste ano, esperamos que pelo menos em 2020 as coisas melhorem.

Petrobras segue com o plano de desinvestimentos.

A Petrobras (PETR4) deu continuidade à estratégia que vem executando de desinvestimento e venda de ativos. A Companhia informou oferta final para a compra dos polos de Pampo e Enchova no valor de US$1 bilhão. Ainda foram assinados dois contratos para venda de ativos de Exploração e Produção (E&P) em águas rasas nas Bacias de Campos e Santos no valor total de R$5,7 bilhões.

Também como parte dos desinvestimentos, foi concluído o processo de privatização da BR Distribuidora (BRDT3) através de oferta pública de distribuição de ações. Com a oferta a Petrobras reduziu sua participação na Companhia de 71,25% para 37,50% e arrecadou um montante de R$9,63 bilhões.

Na quinta feira (25) também foi divulgado pela Empresa a redução na meta de produção de petróleo em 2019, após 4 anos consecutivos de metas batidas. A nova projeção passou para 2,1 milhões de barris diários de óleo, recuo de 8,7% frente a projeção anterior.

Tim e Telefônica fechando acordo de compartilhamento de infraestrutura

A TIM (TIMP3) e a Telefônica (VIVT4) assinaram um memorando de compartilhamento de infraestrutura das redes 2G e 4G em cidades com menos de 30 mil habitantes, podendo ser estendido para cidades maiores.

COMEÇOU!! É a temporada de balanços do segundo trimestre!

Nessa semana tivemos o início da temporada de resultados do 2T19, que será um importante termômetro para observar os reflexos da economia fraca nos resultados das empresas.

Santander (SANB11) divulgou um resultado forte, com lucro líquido de R$3,64 bilhões, +20% na comparação anual.

Cielo (CIEL3) reportou lucro líquido de R$431,2 milhões, recuo de 33,3% na comparação anual. Refletindo a pressão que a “Guerra das maquininhas” vêm causando nas margens.

Telefônica Brasil (VIVT4) apresentou um recuo de 55% no lucro líquido frente o 2T18, muito em função de um benefício não recorrente de R$1,83 bilhão em reversão de impostos no ano passado.

Weg (WEGE3) divulgou um avanço de 15,5% no lucro líquido e de 7,5% na receita sob influência do mercado externo.
Neoenergia (NEOE3) apresentou seu primeiro resultado pós IPO, com avanço de 33% no lucro líquido.

Ambev (ABEV3) agradou o mercado ao reportar um lucro líquido de R$2,52 bilhões, alta de 9,4% frente ao resultado do 2T18.

Bradesco (BBDC4) divulgou lucro líquido de R$6,462 bilhões, crescimento de 25,2% na comparação anual.

Carrefour (CRFB3) decepcionou ao reportar um prejuízo de R$494 milhões, revertendo o lucro líquido de R$389 milhões apresentado no 2T18.

Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) divulgou lucro líquido consolidado de R$432 milhões, recuo de 8,1% em relação ao resultado apresentado no mesmo período do ano passado.

Usiminas (USIM5) apresentou resultado líquido de R$131,2 milhões, revertendo o prejuízo obtido no mesmo período do ano passado.

Fique de olho nos Bancos Centrais

Essa semana será marcada pela decisão das taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil. Ambas as decisões ocorrerão na próxima quarta-feira (31).
O mercado encontra-se dividido quanto às duas divulgações. Nos EUA, após falas de membros do FED, o cenário mais provável é de corte de 0,25 p.p.

De toda forma, ainda não se descartou a possibilidade de corte de 0,50 p.p. caso o FOMC adote uma posição mais arrojada.

Aqui no Brasil, por sua vez, ainda paira a dúvida se o Copom manterá inalterada a taxa Selic ou se realizará um corte de 0,25 p.p., dando início já nesta reunião a um ciclo de corte da taxa de juros.

De fato, acredita-se que a taxa Selic cairá até o fim do ano. O relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, projeta que a taxa básica de juros brasileira chegará aos 5,50% a.a. ao fim de 2019. Os juros futuros para os próximos vencimentos também negociam próximos a esse valor. 

E como essa possibilidade de corte de juros aqui e nos Estados Unidos afeta os seus investimentos? Caso ocorram, os investimentos em renda fixa, em especial os títulos pós-fixados que acompanham a Selic ou o CDI, se tornarão menos atrativos. Portanto, para terem o mesmo retorno, os investidores aceitarão maiores riscos. Isso pode favorecer a renda variável, com destaques para os investimentos em Bolsa.

(Redação – Investimentos e Notícias)