Destaques da semana: Bolsa devolve otimismo e fecha em forte baixa

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Destaques da semana: Bolsa devolve otimismo e fecha em forte baixa (Foto: Pexels) Destaques da semana: Bolsa devolve otimismo e fecha em forte baixa

Após romper os simbólicos 100 mil pontos, o Ibovespa emplacou seguidos pregões de baixa e encerrou a semana em clima negativo. Pesaram sobre o índice a fraca proposta de reforma da Previdência dos militares e a prisão do ex-presidente Michel Temer, além do anúncio de que Rodrigo Maia, presidente da Câmara, não deverá mais integrar a equipe de articulação da reforma da Previdência.

Para as próximas semanas, o mercado aguarda sinalizações mais contundentes de comprometimento do governo com as negociações em torno da reforma. Essa movimentação ficará mais difícil após o afastamento de Maia e a queda da aprovação da gestão de Jair Bolsonaro.

Política brasileira

O governo apresentou a tão aguardada proposta de reforma da Previdência dos militares. Com as reestruturações pedidas pela classe, a economia líquida em 10 anos deve ser em torno de R$10,5 bilhões. O número frustrou o mercado por reduzir a previsão inicial de economia de R$100 bilhões e por mostrar um governo suscetível a pressões de classe por benefícios previdenciários.

Ainda no âmbito da reforma, a escolha do relator da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeiro passo da tramitação da proposta, foi adiada mais uma vez. Com isso, a votação sobre a admissibilidade não deve ocorrer mais no dia 04 de abril conforme estava previsto.

Não obstante, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, anunciou sua saída da articulação pela Previdência. Segundo o Democratas, seu partido, Maia deve se concentrar em sua função institucional como presidente da Casa e deixar a promoção da reforma para o Executivo.

Na tarde de quinta-feira (21), o ex-presidente Michel Temer foi preso pela Operação Lava Jato, juntamente de outras 9 pessoas, incluindo o ex-ministro Moreira Franco. Temer e Moreira Franco são investigados por desvios relacionados a um contrato de obras na usina nuclear de Angra 3.

As prisões ampliam o clima de incerteza no cenário político em um momento de dificuldades na articulação em torno da reforma da Previdência.

Soma-se a isso a pesquisa Ibope que sinalizou queda de 15%. na taxa de aprovação do governo desde seu início há menos de 3 meses. O resultado pode indicar dificuldades do governo em usar sua popularidade para a aprovação da agenda de reformas.

Economia brasileira

O Banco Central divulgou novos dados que reforçam a percepção de fraqueza da economia brasileira. O IBC-BR (Índice de atividade econômica), considerado uma prévia do PIB oficial, registrou queda de 0,41%, ante uma queda esperada de 0,23%.

Nesse contexto, o Comitê de Política Monetária (COPOM) da instituição se reuniu pela primeira vez sob a presidência de Roberto Campos Neto e decidiu pela manutenção da taxa Selic em 6,50% a.a. É a oitava vez seguida que o Banco Central mantém a taxa básica no menor patamar da história.

Empresas

A justiça mineira determinou na sexta-feira (15) a suspensão das atividades da Vale (VALE3) na barragem Doutor, da Mina de Timbopeba, em Ouro Preto (MG). Também na quarta feira (20), a companhia informou que a mina de Alegria, no complexo de Mariana, foi temporariamente suspensa de forma preventiva.

Já as atividades da companhia no Terminal de Ilha Guaíba (TIG) poderão voltar a suas atividades, após a Justiça conceder liminar. As operações estavam suspensas desde 11 de março.

O novo presidente da Petrobras (PETR4), Roberto Castello Branco, fez a indicação de Rafael Grisolia, atual diretor de RI e financeiro da estatal, para presidir a BR Distribuidora (BRDT3) no lugar de Ivan de Sá, que voltará para a Petrobras.

Outra mudança de presidência ocorre na Embraer (EMBR3). A partir do dia 22 de abril, Paulo Cesar de Souza e Silva deixará o comando da companhia. O sucessor será definido por Assembleia Geral Ordinária.

A Aneel, agência que regula o setor elétrico, reconheceu crédito de R$1,6 bilhão à Eletrobras (ELET3). Já a Petrobras (PETR4) segue de olho no julgamento sobre a validade de uma autuação de R$2,17 bilhões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Esse julgamento é importante pelo fato de a companhia ter outros processos sobre o mesmo assunto com valor estimado de R$44,6 bilhões.

Na quarta-feira (20), foi aprovado na Câmara o texto-base do projeto de lei que amplia a participação do capital estrangeiro nas companhias aéreas, revogando o artigo do Código Brasileiro de Aeronáutica que determinava limite de estrangeiros em até 49% do capital que possui direito a voto.

Balanços

A Lojas Americanas (LAME4) apresentou um lucro líquido de R$272,8 milhões, queda de 4,2% na comparação anual. Já a B2W (BTOW3) apresentou um prejuízo de R$67,4 milhões, alta de 94% comparando ao período anterior. Ainda, a Anima ( ANIM3 ) teve prejuízo de R$18,1 milhões, revertendo o lucro que apresentou no 4º trimestre de 2017. 

A CCR (CCRO3) reportou um prejuízo líquido de R$307,1 milhões, revertendo o lucro reportado no mesmo período do ano anterior e impactada pelo acordo de leniência com o Ministério Público paranaense.

A Cyrela (CYRE3) divulgou na quinta-feira (21) os números referentes ao último trimestre de 2018, elevando seu lucro líquido em 138%, enquanto a Eztec (EZTC3) reportou um lucro líquido com crescimento de 72%.

Ibovespa corrige e encerra a semana negativo

Para a Bolsa brasileira, o início da semana foi marcado pela repercussão positiva sobre o leilão dos aeroportos, além do desenrolar dos trâmites acerca da reforma da Previdência. Com isso, o principal índice acionário interno chegou a superar o patamar dos 100 mil pontos no pregão de segunda-feira (18). 

Na sessão seguinte, observamos o índice renovando a máxima histórica, mas sem conseguir se consolidar acima da região, enquanto na quarta-feira (20) os números da proposta da reforma dos militares levaram desânimo ao mercado, acentuando o movimento de queda da bolsa. 

Na quinta-feira (21), a prisão do ex-presidente da República, Michel Temer, e do ex-ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, elevou o temor dos investidores em um dia de forte realização, amparado pelas preocupações internas sobre a reforma Previdenciária. 

Assim, o Ibovespa encerra a semana testando o suporte em 93.300 pontos. Essa região precisa ser respeitada para que o movimento altista da semana passada se repita, caso contrário, o cenário de baixa que vem se formando nos últimos 4 pregões pode se consolidar.

Enquanto o Ibovespa encerra a semana em território negativo, as ações do Banco Inter (BIDI4) superaram patamar nunca antes alcançado desde o IPO da Companhia, subindo mais de 11%.

Na terça-feira (19), a agência de classificação S&P alterou a tendência nas avaliações de risco econômico do setor bancário no Brasil. A perspectiva de rating do Inter é positiva na visão da S&P. 

O ativo segue num viés de alta, mas, como os preços operam distantes da região das médias, é possível que seja observado um movimento de correção na próxima semana.

Exterior

A semana iniciou com um mercado externo otimista com o discurso do Federal Reserve (Fed), acreditando num tom mais dovish de Jerome Powell na quarta-feira (20) e com expectativa de apenas uma alta de juros no ano de 2019.

Contudo, Powell afirmou que o Fed pode aumentar ou cortar juros na próxima reunião do Fomc e o mercado entende que após isso não haverá mais movimentos ao longo do ano. 

No dia do comunicado do Fed, as bolsas norte-americanas e europeias encerraram em queda, devolvendo ganhos mesmo com discurso favorecendo projeções de juros estáveis.

Na terça-feira (19), o rumor de que representantes do Governo norte-americano temem um retrocesso nas negociações com a China quase interromperam a sequência de ganhos no dia. Mas, já na quarta-feira (20), os papéis foram pressionados e as bolsas caíram com maiores impactos no Dow Jones e no CAC-40. As bolsas asiáticas operaram sem direção definida.

Na segunda-feira (18), o Parlamento britânico impediu a proposta da primeira-ministra Theresa May de colocar seu atual plano para o Brexit novamente em votação.

Já na quinta-feira (21), a União Europeia aceitou prorrogar o prazo para a saída do Reino Unido até o dia 22 de maio, caso o Reino Unido aceite os termos do acordo de saída até o dia 12 de abril.

O índice FTSE 100 encerrou o pregão de quinta-feira com alta de 0,88%.

As bolsas americanas e asiáticas encerram a semana com forte queda após dados do setor industrial alemão virem abaixo do esperado pelo mercado, renovando temores de desaquecimento econômico global.

No acumulado da semana, destaque para o Xangai composto, que encerrou com ganhos de 2,73%, e para o Nikkei, com alta de 0,82%. As bolsas norte-americanas e europeias encerram a semana majoritariamente em queda, com destaque para o Dow Jones, com mais de 1,10% de perda, para o índice alemão DAX, o qual caiu cerca de 2,89%, e para o índice francês CAC-40, com perdas de cerca de 2,50%.

(Redação – Investimentos e Notícias)