DESTAQUES DA SEMANA: Ibovespa termina semestre com 15% de alta

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DESTAQUES DA SEMANA: Ibovespa termina semestre com 15% de alta Foto: Divulgação DESTAQUES DA SEMANA: Ibovespa termina semestre com 15% de alta

Com a expectativa de queda na taxa de juros do país, muitos investidores estão migrando para Bolsa de Valores em busca de melhores rentabilidades. Recentemente a B3 atingiu a marca de 1 milhão de investidores pessoa física.

A alta de 15% nos primeiros seis meses de 2019 deixa qualquer investidor com sorriso de orelha a orelha. E é exatamente isso que está acontecendo, os investidores na bolsa de valores estão mais eufóricos.

O cenário econômico não justifica essa alta até o momento, pois os sinais de fraco crescimento econômico deixam o ambiente para investimentos mais cauteloso. A reforma da Previdência também caminha em passos lentos, mas sua aprovação já é dada como certa no mercado.

É justamente essa antecipação que vem puxando o Ibovespa, que além das altas, também ultrapassou a marca de 100 mil pontos na semana passada. Nas próximas sessões, veja as notícias que movimentaram a última semana do semestre.

POLÍTICA BRASILEIRA

Previdência adiada
O solavanco da semana foi a notícia de que a reforma da Previdência não seria votada na Comissão Especial nesta semana. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, decidiu pelo adiamento da votação para semana que vem e o Ibovespa despencou 1,9% na terça-feira. O dólar voltou a figurar acima de R$3,85.

Maia ainda negocia para que estados e municípios sejam incluídos na proposta. É uma demanda cara especialmente para governadores, os quais estão com seus orçamentos estourados e querem aproveitar a tramitação nacional para agilizar o processo de ajuste de suas contas.

Para o mercado financeiro, a reforma já passou e a economia não deve fugir muito da casa de R$700 a R$900 bilhões. O atraso, por outro lado, periga levar a votação para depois do recesso parlamentar, retardando a queda dos juros e a recuperação da economia (vamos falar sobre isso já já).

Vejamos se Rodrigo Maia consegue articular os diferentes interesses e encaminhar, enfim, a reforma para o plenário da Casa.

ECONOMIA BRASILEIRA

À espera do Congresso

A economia brasileira segue com dificuldades de retomar seu crescimento. As projeções do relatório Focus já colocam expectativa de crescimento de 0,87% neste ano e os indicadores de inflação vão perdendo força. O IGP-M recuou de 7,64% de aumento em 12 meses para 6,51%. Por sua vez, o IPCA-15 caiu de 4,93% para 3,84%.

Porque tantos números? Nas últimas semanas, a percepção de que a tão esperada recuperação ainda não virá neste ano vem aumentando. Por isso, o Banco Central já é pressionado a abaixar os juros para ajudar a impulsionar o crescimento. Os índices de inflação em queda ajudam nesse processo, uma vez que o Banco Central tem metas de inflação a cumprir.

No exterior, os Estados Unidos e outros países também devem fazer o mesmo movimento, o que permite que nosso BC reduza os juros sem pressionar a taxa de câmbio. Por isso, a expectativa do mercado já é de Selic a 5,75% no final do ano, o que implica em três reduções nos juros durante as próximas quatro reuniões da cúpula do Banco Central.

De acordo com as comunicações oficiais, o COPOM deve esperar a definição da reforma da Previdência para agir. Um eventual retrocesso no processo geraria instabilidade demais para juros baixos

CENÁRIO CORPORATIVO NO BRASIL

Gafisa faz aumento de capital e sobre forte
A Gafisa (GFSA3) homologou o aumento de capital social no valor de R$132,27 milhões, com a subscrição e integralização de 26.273.962 ações ordinárias. O capital social integralizados passa a ser R$2,6 bilhões. Com isso, a ação chegou a subir cerca de 22% no dia 24, corrigindo o movimento de alta nos dias seguintes. Não vemos ainda um bom motivo sólido para entrar no papel visto que a reestruturação que ocorrerá na Companhia poderá demorar.

IPO da Neoenergia
Sendo o segundo IPO na B3 este ano, a Neoenergia chamou atenção e dividiu opiniões no mercado. De um lado, alguns achavam os preços inflados e não viam vantagens na operação dos ativos. Do outro lado, temos aqueles que têm maior apetite ao risco e veem espaço para o crescimento dos múltiplos. De toda forma, a demanda já era alta dias antes de acontecer o fechamento dos preços.

O período de reserva da oferta se encerrou na quarta-feira e a ação foi precificada a R$15,65, ficando dentro da faixa indicativa de R$14,42 a R$16,89. O início das negociações irão acontecer na próxima segunda com o código NEOE3. Vemos uma oportunidade de cobrir o ativo futuramente e estamos de olho nas movimentações do setor e do papel.

ATIVOS EM DESTAQUE

Casino ataca novamente
Para acalmar os ânimos de quem tem Pão de Açúcar (PCAR4) em carteira, vimos as ações da Empresa ganhando ímpeto comprador, chegando a subir mais de 11% na semana.

Depois de muita preocupação, com os resultados positivos do 1T19 não conseguindo sustentar as altas do Grupo Pão de Açúcar - que chegou a cair 9,63% em maio -, o Casino (controlador do GPA na América Latina - falamos sobre isso na 4° semana do mês de maio) revelou ao mercado um projeto para reorganizar sua estrutura. A proposta do controlador envolve três etapas um pouco complexas, mas possíveis de entender:

- O GPA vai precisar lançar uma oferta pública para aquisição de toda as ações do Almacenes Éxito, que nada mais é que a maior empresa de varejo da América Latina.

- O Casino vai precisar adquirir as ações que hoje estão em posse da Éxito (é isso mesmo, o Grupo Éxito detém quase 50 milhões de ações ordinárias do Grupo Pão de Açúcar).

- O GPA deve converter todas as ações preferenciais em ordinárias no intuito de migrar para o segmento Novo Mercado da B3.

"Hoje, mantemos as ações do Pão de Açúcar em nossa carteira agressiva de longo prazo, e acreditamos na tendência de alta da Varejista no longo prazo, confirmando aquilo que sempre dizemos, choques de curto prazo não podem assustar o investidor de buy and hold", disse Rafael Panonko, Chefe da Análise da Toro Investimentos.

MUNDO

O que moveu os mercados globais nesta semana:
Pouco estoque e muita briga pressionam o rally do petróleo.
Mercado mantém cautela à espera de encontro no G-20.
À espera do caos, Fed aguarda dados fortes para reduzir juros.

Estoques muito abaixo do esperado e tensões no Oriente Médio pressionam rally do petróleo
As tensões entre EUA e Irã parecem com poucas chances de diminuir, após a derrubada de um drone norte-americano pelas forças iranianas na última semana, uma vez que os EUA continuam com novas sanções impostas ao Irã.

Esse ambiente vem contribuindo com a tendência de alta do petróleo nas últimas semanas e, para completar, os dados de estoque de petróleo bruto dos EUA vieram muito abaixo do esperado (maior queda dos estoques desde 2016), o que aumenta a pressão compradora de petróleo no mercado, elevando os preços da commodity.

Ficamos atentos à possibilidade do Irã romper o acordo nuclear feito em 2015, deixando nas mãos dos países europeus os desfechos do acordo. A amenização das tensões no oriente médio será assunto importante no encontro do G-20 no final de semana, além claro, do próximo tópico.

Atenções voltadas para o encontro de Trump e Xi Jinping
As atenções nesta semana permearam sobre os desdobramentos e informações prévias do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na cúpula do G-20 no final desta semana. As expectativas para que cheguem em qualquer tipo de acordo estão baixas, porém a administração de Trump afirmou que estariam dispostos a suspender a próxima rodada de tarifas sobre um adicional de US$300 bilhões em importações chinesas caso as negociações tenham algum progresso.

Jerome Powell espera cenário forte para mudança na taxa de juros
Nesta quinta-feira (27), os dados do PIB norte-americano do último trimestre ficaram inalterados em 3,1%, indo de encontro ao discurso do presidente do Federal Reserve onde afirmou que uma redução futura nas taxas de juros precisariam ser justificadas por dados econômicos mais graves.

A declaração frustrou as expectativas do mercado de uma decisão de queda das taxas de juros nas próximas reuniões do FOMC, gerando uma leve correção nas principais bolsas internacionais nesta semana, em conjunto com apreensões ao encontro no G-20.

Fique de olho no G-20

Neste sábado (29), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, devem se encontrar na cúpula do G20 que ocorre no Japão. A expectativa é que os presidentes discutam sobre a guerra comercial entre os dois países, que já levou à imposição mútua de tarifas sobre produtos importados, e anunciem, finalmente, um acordo.

Como essas decisões sairão em um fim de semana, o investidor deverá ficar atento em como o mercado abrirá na segunda-feira. Caso os presidentes sinalizem uma trégua na guerra comercial, o ânimo dos investidores pode melhorar, favorecendo a tomada de risco. Isso pode provocar um momento altista da Bolsa brasileira, além de uma valorização do real frente ao dólar.

O investidor também deverá ficar atento aos desdobramentos relacionados à reforma da Previdência. O recesso parlamentar se aproxima, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, garantiu que a reforma seria aprovada antes do recesso.

Assim, notícias ou falas que deem a entender que a reforma pode ficar para agosto, ou mesmo que sinalizem que não há votos suficientes para uma aprovação com margem, são capazes de trazer volatilidade à Bolsa.

(Redação - Investimentos e Notícias)