Ibovespa volta a fechar acima dos 100 mil pontos

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Ibovespa volta a fechar acima dos 100 mil pontos (Foto: Pexels) Ibovespa volta a fechar acima dos 100 mil pontos

Finalmente o Ibovespa voltou a fechar acima dos 100 mil pontos. Na sexta-feira, 10, o índice encerrou aos 100.031 pontos, com uma valorização de 0,88%. De acordo com analistas da Toro Investimentos, ainda há uma distância importante até o topo histórico próximo dos 120 mil pontos, mas é uma conquista e tanto depois de 4 meses de crise.

Ao que tudo indica, o impulso veio do mercado interno: os dados de vendas no varejo surpreenderam positivamente, ampliaram o otimismo na recuperação econômica e levaram as empresas do setor para as maiores altas da semana.

Os destaques também trazem novas aberturas de capital de subsidiárias de Cyrela e Cogna, além de uma oferta de ações que alivia a situação delicada de CVC na atual conjuntura.

Já no exterior, o ânimo foi mais contido, com investidores atentos aos bons indicadores econômicos.

Segundo analistas da Toro Investimentos, a pandemia continua em alta, o desemprego nunca foi tão alto e as pequenas empresas sofrem para manter as portas abertas. Com isso, ainda não superamos a crise, mas pelo menos nesta semana apresentamos um dado que gera otimismo.

As vendas do varejo apresentaram boa recuperação em maio, após amargar o pior resultado desde os meses finais de 2009. A alta de quase 14% ainda não apaga toda a queda sofrida desde o início dos confinamentos em março, mas podemos estar nos aproximando disso se os números de junho também mostrarem forte recuperação. 

Empresas

As ações de CVC (CVCB3) subiram quase 14% na sessão desta sexta-feira (10), após o anúncio de que a Companhia teve o seu aumento de capital aprovado pelo Conselho. Na semana, os papéis acumularam alta de 11,6%.

A capitalização da CVC ocorrerá através da emissão de ações num valor mínimo de R$200 milhões até R$300 milhões. O preço da ação na subscrição é de R$12,84, 33,5% abaixo do fechamento de quinta-feira (9), de R$19,30. O prazo para o exercício de preferência para subscrição será entre 15 de julho e 13 de agosto.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, os recursos do aumento de capital serão destinados ao fortalecimento de posição de caixa da Companhia, afim de viabilizar a retomada das vendas a crédito e parceladas, cerca de 85% do total de vendas. Mais do que isso, a Empresa precisa de dinheiro para lidar com os impactos do novo coronavírus no curto prazo.

“Consideramos a emissão de ações algo positivo para a CVC, uma vez que a Companhia pertence a um dos setores que mais sofreram com a pandemia - o de turismo e viagens. Com isso, o aumento de capital se configura como uma via importante para fortalecer o caixa da Empresa e prepará-la para um cenário mais desafiador no curto prazo, no qual ainda prevalecem as incertezas sobre a retomada das suas atividades de forma realmente expressiva”, avaliam os analistas da Toro Investimentos. 

Educação 

A Cogna Educação anunciou que irá realizar o IPO da Vasta Platform Limited, na NASDAQ, nos EUA, a segunda maior Bolsa do mundo. A Vasta é uma subsidiária integral da Cogna que atua em sistemas de ensino para educação básica, contemplando soluções digitais para escolas particulares.

A Cogna pretende destinar cerca de metade dos recursos levantados para pagar as dívidas com a holding. Já a outra parte servirá para o financiamento da expansão do Grupo através da aquisição da editoria MindMakers e de novas aquisições ou investimentos em negócios complementares, produtos e tecnologia. A Vasta também irá consolidar as atividades do Grupo em relação às soluções educacionais e digitais no segmento de escolas particulares de educação básica.

A procura pelos papéis da Cogna (COGN3) na Bolsa brasileira aumentou diante da notícia do IPO da Vasta e também após o comunicado de que a gestora de recursos Alaska Investimentos elevou a sua participação, passando a deter 10% do capital social do Grupo educacional. As ações da Companhia fecharam a semana com a maior alta percentual no Ibovespa, com avanço de 20%, sendo que, somente na sexta-feira (10), subiram mais de 11%.

Imóveis

A Cyrela (CYRE3) também foi destaque entre as maiores altas percentuais do Ibovespa na semana, tendo subido 10,7%. As ações da Companhia já vinham apresentando desempenho positivo, com alta de quase 35% no mês de junho e de mais de 16% na semana passada. Isso que se explica, principalmente, por atuar nos segmentos de média e alta renda, os quais já têm mostrado recuperação de vendas, além de ser uma das Empresas mais bem posicionadas para performar junto à recuperação do setor imobiliário. 

Mas algo novo se somou à perspectiva otimista sobre a Empresa: a Cyrela anunciou o pedido de IPO da Lavvi Empreendimentos Imobiliários, sua subsidiária, que opera no segmento de alto padrão, desde 2016, com imóveis residenciais e não residenciais.

A Cyrela tem buscado realizar a oferta de ações de suas subsidiárias integrais: além da Lavvi, a construtora Cury já fez o pedido de IPO perante a CMV e, em breve, a Plano&Plano também deve abrir seu capital. Essa estratégia tende a destravar o valor de Cyrela, ao precificar ativos que não eram monitorados de maneira tão ativa pelo mercado.

Varejo

As vendas do varejo subiram quase 14% em maio na comparação com o mês anterior, colocando as principais varejistas focadas em e-commerce no topo das maiores altas do Ibovespa. De acordo com analistas da Toro Investimentos, talvez seja cedo demais pra chamar a melhora nas vendas do varejo de “bonança”, afinal, na comparação anual ainda estamos no negativo. Além disso, ainda tem muita gente desempregada e não temos uma vacina em mãos. 

O interessante é que, enquanto ativos de peso como bancos e petróleo caiam, as altas de empresas do varejo foram suficientes para colocar o Ibovespa bem próximo dos 100 mil pontos, finalizando a semana com chave de ouro acima desse patamar. 

E os principais colaboradores para a alta da semana foram: Via Varejo (VVAR3) fechando a semana com mais de 13% de alta, Lojas Americanas (LAME4), que saltou 13,4% no período.

Exterior 

O mercado no exterior ficou num vai e vem na semana, com notícias ainda incertas a respeito da pandemia. As principais Bolsas na Europa caíram, com autoridades colocando um tempo maior na recuperação econômica e com a Alemanha mostrando níveis de produção industrial mais fracos do que o esperado. O Primeiro Ministro britânico, Boris Johnson, chegou a falar sobre uma regra mais rigorosa sobre o uso de máscara em locais fechados no Reino Unido. 

Já as bolsas americanas apresentaram movimento pendular durante a semana, porém com os principais índices ainda terminando em leve alta. Em geral, as notícias com relação ao vírus ainda são pessimistas por lá, com alta nos números de casos e mortes no País. O número de novas infecções cresceu cerca de 2%, ficando acima da média vista na última semana. 

Anthony Fauci, especialista em doenças infecciosas dos EUA e que novamente foi alvo de críticas pelo presidente Donald Trump, chegou a afirmar que a transmissão do coronavírus é possível em algumas circunstâncias e que qualquer vacina criada ofereceria uma proteção limitada devido às mutações do vírus.

Contudo, no decorrer da semana, os índices nos Estados Unidos foram sustentados pela divulgação de algumas boas notícias sobre o tratamento e vacinas contra o vírus, além de dados econômicos importantes, que contribuíram para o maior ânimo do investidor.

Por fim, a empresa americana especializada no desenvolvimento de vacinas, a Novavax, recebeu US$1,6 bilhão para acelerar a produção. A Gilead publicou estudo dizendo que o medicamento Remdesivir, criado pela mesma, diminui o risco de mortalidade pela doença. Já os dados de serviços americanos vieram acima do esperado em junho e os pedidos de seguro-desemprego caíram para 1,314 milhões ante expectativa de 1,375 milhões.

(Redação - Investimentos e Notícias)