Manifestações, G-20 e evolução da reforma da Previdência foram os destaques da semana

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Manifestações, G-20 e evolução da reforma da Previdência foram os destaques da semana Foto: Divulgação Manifestações, G-20 e evolução da reforma da Previdência foram os destaques da semana

A reforma da previdência dominou os noticiários durante a semana. Assistimos à aprovação do relatório na comissão especial em meio a tumulto, discussão e uma atuação forte do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. A economia, no entanto, continua a desapontar. A divulgação do relatório Focus trouxe mais preocupações aos investidores ao trazer dados negativos do PIB e IPCA. Além disso, a atuação do governo na articulação política para a aprovação da reforma continua aquém do esperado.

A semana também foi marcada pela repercussão da reunião do G-20 no último fim de semana. O presidente da república saiu com um tratado histórico entre o Mercosul e a União Europeia que estava sendo negociado desde a década de 90. Por fim, os Estados Unidos e a China concordaram em fazer uma trégua na guerra comercial e retomar as negociações, o que propagou uma onda de otimismo no mercado internacional.

POLÍTICA

Manifestações, G-20 e evolução da reforma da Previdência
A semana se iniciou repercutindo tanto as manifestações de domingo (30/06), em prol do Ministro Sérgio Moro e da operação Lava-Jato, quanto a reunião do G-20, onde o Presidente Jair Bolsonaro recebeu duras críticas de líderes europeus, como Angela Merkel (Alemanha) e Emmanuel Macron (França). Contudo, Jair Bolsonaro saiu do G-20 com um acordo comercial histórico fechado entre Mercosul e União Europeia.

Ao passo em que a semana foi evoluindo, o trâmite da reforma da Previdência ganhou foco novamente. Foram levantados cinco requerimentos para o adiamento da votação do relatório para após o recesso do Congresso, mas todos foram rejeitados. Assim, na quinta-feira, o texto de Samuel Moreira (PSDB-SP) foi aprovado na Comissão Especial por 36 votos a 13 e agora será apresentado e votado no Plenário.

O mercado precificou de forma bem positiva tais notícias, mesmo sem a inclusão dos estados e municípios no texto. Já que não houve desidratações significativas o otimismo acabou imperando novamente.

ECONOMIA BRASILEIRA

Economia ainda patinando e nova expectativa da taxa de juros
A evolução do cenário econômico ainda permanece aquém do esperado. O relatório Focus, divulgado costumeiramente nas segundas-feiras, trouxe consigo novas revisões para baixo de importantes indicadores. O IPCA e o PIB caíram levemente na comparação semanal, respectivamente sendo cotados agora em 3,80% e 0,85%.

Contudo, o destaque foi para o novo corte da expectativa da Meta da Taxa Selic para o fim do ano, agora é esperado o valor de 5,5%. A estagnação dos agregados macroeconômicos e a série de indicadores que estão longe ainda de performar, podem levar o Governo a tomar medidas de estímulo à economia, como um corte de fato na taxa de juros.

Por fim, a produção industrial de maio também foi divulgado essa semana, corroborando a não evolução da economia, uma queda de 0,2% quando comparado a abril. Mas, de forma anualizada houve uma elevação de 0,7%. Vale destacar que no quinto mês de 2018 houve a greve dos caminhoneiros.

CENÁRIO CORPORATIVO

Aporte de R$300 milhões em banco digital da Via Varejo
Via Varejo (VVAR3) subiu ao maior nível desde agosto de 2018, após notícia de aporte de mais de R$ 300 milhões em banco digital da rede firmadas em parcerias com Mastercard e Zurich para oferecer novas soluções financeiras. Vale destacar ainda que após correr as notícias da demissão de 12 executivos, a Varejista anunciou nesta terça-feira (2) a nova composição da sua diretoria, efeito do retorno de Michael Klein à presidência.

CPI de Brumadinho
A Vale (VALE3) encerrou o pregão com a maior queda desde fevereiro, com a apresentação do relatório final da CPI de Brumadinho no Senado. A comissão parlamentar que investiga a tragédia sugere o indiciamento de alguns executivos, inclusive do diretor financeiro da mineradora, por estarem cientes das fraquezas estruturais da barragem rompida.

Desdobramento das ações do Banco Inter
As ações do Banco Inter (BIDI4) ficam ex desdobramento na proporção de 1 para 6. A partir do pregão de quinta-feira (05) as ações do Inter passarão a ser negociadas ex -direito ao desdobramento e estarão disponíveis na custódia dos investidores a partir de segunda-feira (08).

ATIVOS EM DESTAQUE DO BRASIL

A queridinha do mercado decola
Nessa semana o setor de aviação chamou a atenção do mercado com Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4 ) subindo aproximadamente 12% e 24% respectivamente. Mas a preferida do mercado foi a Gol e depois da novela com a Smiles (falamos disso na terceira semana do mês de junho) a Companhia aérea ganhou destaque depois do Goldman Sachs elevar a recomendação de neutra para compra. E tudo começou depois que as operações da Avianca Brasil foram suspensas... Como a Companhia vendia passagens aéreas com preços mais baratos sua ausência abriu espaço para atuação das outras duas empresas.

Pra fechar a semana com chave de ouro a Associação Brasileira das Empresas Aéreas divulgou os números prévios de tráfego do mês de junho de 2019 e a Gol demonstrou crescimento na demanda de seus voos no mercado brasileiro em comparação com junho do ano passado. Nessa viagem as ações da Gol já vêm operando em alta à 4 pregões e é natural que semana que vem se observe um movimento de correção antes de continuar acelerando o movimento altista.

O digital está em alta
O Banco Inter também foi destaque nessa semana. Pra começar as ações da companhia ficaram data ex desdobramento na quinta-feira (04), o que chamou a atenção de muitos investidores, uma vez que o desdobramento de 1 para 6 elevou a liquidez do Banco que vinha operando acima dos R$60,00. Mas o Inter bateu a máxima histórica depois que o programa de formação de units destinadas aos acionistas foi aprovado pelo Conselho de Administração da Companhia e a conversão de ações ordinárias em preferenciais (e vice-versa) deve acontecer entre 08 e 15 de Julho. Essa e outras medidas mostram que Inter não é só mais um nesse mundo digital.

INTERNACIONAL

O que moveu os mercados globais nesta semana:
De um lado da guerra comercial, trégua, do outro, ataques aéreos.
No mercado de petróleo, OPEP estende cortes.
O bull market e sua onda de IPO's.

Após um hiato nas negociações com a China, Donald Trump e Xi Jinping firmaram um cessar fogo na guerra comercial
Os mercados internacionais iniciaram a semana majoritariamente otimistas, após o sucesso do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping durante o G-20 no Japão. O cessar fogo interrompeu a bateria de tarifas adicionais que os EUA iriam impor aos produtos chineses em cerca de US$300 bilhões, além disso permitiram que a Huawei (empresa chinesa que acabou protagonizando diversos imbróglios na guerra comercial) pudesse fechar novos contratos no país. 

No outro front da guerra comercial, os EUA divulgaram uma lista de tarifas que podem impactar cerca de US$4 bilhões em produtos da indústria aeronáutica. As tarifas fazem parte de uma compensação que os EUA querem fazer frente aos subsídios da União Europeia à Airbus, porém esse fator não foi capaz de impedir a onda de otimismo nos mercados globais.

Se por um lado a trégua momentânea com a China é positiva para os negócios, por outro, um acordo definitivo tiraria a esperança de um corte de juros nas próximas reuniões do Fomc, haja visto que traria benefícios econômicos futuros, tirando a necessidade de incentivo econômico através da política monetária. Com isso as expectativas atuais do mercado quanto à direção das taxas de juros norte-americanas estão mistas, após dados de emprego (Payroll) virem bem acima do esperado na sexta-feira e a possível indicação de Donald Trump (defensor da queda das taxas de juros) para dois membros do 
Fomc.

OPEP estende período de cortes na produção
Além das tensões no Oriente médio envolvendo os EUA e Irã, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) na sua última reunião em Viena, decidiu estender o período de cortes na produção dos países pertencentes ao cartel até março de 2020, buscando elevação nos preços do Petróleo. Os preços da Commodity passaram por um rally desde o início do ano, chegando a atingir US$75,0 por barril em abril. Desde então os preços sofreram uma severa correção até voltar aos US$59,00 e voltaram a subir com as sanções dos EUA à Venezuela e ao Irã, além de estoques de petróleo bruto dos EUA apresentarem dados bem abaixo do estimado nas últimas semanas. No outro lado Donald Trump, representando o principal consumidor do produto, que já se mostrou um negociador nato, constantemente pressiona a Arábia Saudita, maior participante da OPEP, a aumentar sua oferta de petróleo, com intuito de abaixar os preços da commodity em troca de apoio dos norte-americanos contra seu principal rival o Irã.

O bull market e sua onda de IPO’s
Não há dúvidas que estamos passando ultimamente por um período de bull market (mercado mais otimista com tendência de alta) no cenário externo, mesmo com um ritmo de desaceleração global, muito influenciada pela guerra comercial que preocupa a solidez desse ambiente mais otimista. Essa semana, o índice Dow Jones bateu a máxima histórica no pregão intradiário, seguido do ambiente favorável para os ativos de risco, como a trégua na guerra comercial entre EUA e China e complementado com o ritmo crescente de IPO’s que arrecadaram no segundo trimestre o maior valor desde o início de 2014 e há previsão de mais cinco até o final do ano, incluindo a do Airbnb e do Wework. Em complemento, os índices europeus também seguem o bull market, com a expectativa de bancos centrais com políticas monetárias menos rígidas.

Fique de olho na reforma da Previdência
A reforma da Previdência segue para o plenário da Câmara após a aprovação na Comissão Especial. Em função do recesso parlamentar, marcado para acontecer entre 18 de julho e 31 de julho, a aprovação pode ficar para agosto, atrasando ainda mais os trâmites. Porém, o recesso só começa após a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Portanto, já está sendo discutido entre os governistas o adiamento da votação da LDO, o que retardaria o início do recesso e possibilitaria a votação da reforma da Previdência ainda em julho. Dessa forma, os investidores devem ficar de olho a estas discussões, o que pode dar ainda mais “fôlego” à Reforma.

No cenário internacional, as disputas envolvendo o Irã e os países ocidentais continuam. A marinha do Reino Unido apreendeu um petroleiro iraniano no estreito de Gibraltar, passagem entre a África e a Europa que dá acesso ao Mar Mediterrâneo. Como medida de retaliação, o Irã ameaçou nesta sexta-feira (5) apreender um navio britânico. Pelo fato destas disputas envolverem o Irã, importante produtor mundial de petróleo, é possível que os preços desta commodity venham a oscilar de maneira mais intensa na semana que vem. Por sua vez, tais variações podem afetar, por exemplo, o preço das ações da Petrobras.

(Redação - Investimentos e Notícias)