Previdência e cenário externo foram os destaques da semana passada

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Previdência e cenário externo foram os destaques da semana passada Foto: Divulgação Previdência e cenário externo foram os destaques da semana passada

A Bolsa brasileira encerrou a semana praticamente neutra, com o mercado acompanhando a entrega da proposta de reforma da Previdência ao Congresso e especulando quanto às chances de aprovação do projeto. A queda de Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência da República, conturbou o cenário político e pode atrapalhar a articulação da base aliada em torno da reforma.

No âmbito externo, as conversas entre Estados Unidos e China parecem avançar no sentido de um acordo que finde as disputas comerciais entre ambos. No entanto, a falta de medidas concretas gera cautela.

POLÍTICA

Bebianno é demitido após troca de acusações com Jair e Carlos Bolsonaro
Presidente do PSL durante a campanha eleitoral, Gustavo Bebianno foi exonerado de seu posto no governo e substituído pelo general Floriano Peixoto. O ex-ministro caiu por conta do seu suposto envolvimento com candidaturas laranjas do partido nas eleições de 2018.

O caso tomou proporções ainda maiores por conta das discussões públicas e vazamentos de conversas entre Bebianno, Jair Bolsonaro e seu filho Carlos Bolsonaro. O desgaste político do caso preocupa o mercado por poder enfraquecer a capacidade de articulação do Executivo em meio aos debates da reforma da Previdência.

Bolsonaro entrega proposta da Previdência ao Congresso
Jair Bolsonaro participou pessoalmente da sessão do Congresso na quarta-feira (20) para apresentar sua proposta de reforma da Previdência. Bolsonaro conta agora com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, para articular a base em torno da proposta.

Os principais pontos giram em torno da idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, tanto para trabalhadores do setor privado como para servidores públicos. A diferenciação entre as categorias, no entanto, ocorre no tempo mínimo de contribuição, que é de 20 anos para o setor privado (igual para ambos os sexos) e de 25 anos para os servidores.

Ficou estabelecido também um período de transição de 12 anos do regime atual para o novo.

ECONOMIA

Dados de 2018 indicam continuidade na recuperação econômica
De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o monitor do PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,1% em 2018. Na avaliação do coordenador da pesquisa, Cláudio Considera, o resultado foi impactado pelas incertezas que permearam a economia brasileira no ano passado, com destaque para a paralisação dos caminhoneiros e para o período eleitoral.

O PIB oficia será divulgado pelo IBGE no dia 28/02. Contudo, o órgão já publicou os dados de desemprego de 2018: o indicador atingiu 11,6% no quarto trimestre, 0,3% abaixo do trimestre anterior. 

CENÁRIO CORPORATIVO

Caixa realiza venda de fatia na IRB Brasil Resseguros
A Berkshire Hathaway, empresa de Warren Buffet, negocia a compra de fatia na IRB Brasil Resseguros (IRBR3) em oferta de ações. A operação a ser realizada pela Caixa Econômica Federal gira em torno de 8,9% das ações da empresa, equivalente a aproximadamente R$2,5 bilhões.

Via Varejo desaponta com resultado e faz novo anúncio de venda de ações
Após a divulgação do resultado de Via Varejo (VVAR3), que apresentou um prejuízo líquido de R$279 milhões, o Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) anunciou que fará uma nova venda de ações da companhia na B3.

Privatização da Eletrobras pode ficar para 2020
A Eletrobras (ELET3) ganhou grande volatilidade ao longo da semana. A princípio, a equipe econômica retirou os R$12 bilhões previstos no orçamento da União referentes à privatização da Companhia, que deve ser deixada para 2020.

Já na quinta-feira (21), Bento de Albuquerque, ministro de Minas e Energia, declarou ser possível a capitalização da Companhia ainda neste ano. Dessa forma, o avanço dependerá das prioridades do Governo.

Ibovespa encerra próximo à estabilidade aguardando novos capítulos sobre reforma
Mais uma vez, o desenrolar dos assuntos que cercam a reforma da Previdência ditaram o ritmo do mercado e, nessa semana, o Ibovespa encerra bem próximo à estabilidade.

É esperado que as movimentações no âmbito político continuem sendo decisivas na semana que vem. A região de 98.650 pontos precisa ser rompida para que o viés de alta iniciado seja consolidado.

CSNA3 sobre mais de 23% na semana com a divulgação dos resultados
Repercutindo a divulgação dos resultados do trimestre passado, as ações da Siderúrgica Nacional (CSNA3) operaram fortemente no campo positivo e encerram a semana com mais de 20% de alta.

A companhia, que conseguiu demonstrar crescimento de 370% em seu lucro líquido, pretende aumentar em 10% a 15% o preço do aço, uma vez que a diretoria da CSN conseguiu identificar um momento propício para melhorar a rentabilidade do setor.

Com a finalização do acordo com a Glencore, a CSN passará a fornecer minério de ferro para a multinacional. Essa negociação pode contribuir para que a meta de R$7 milhões de Ebitda em 2019 seja atingida.

Dessa forma, as ações da empresa encerram a semana com viés altista, podendo incorrer numa correção nos próximos pregões, uma vez que o movimento de alta observado já se encontra esticado.

INTERNACIONAL

Mercado opera otimista com possível acordo comercial
A semana iniciou com o feriado nos Estados Unidos na segunda-feira (18) dando pouco volume e direção para o cenário internacional. Enquanto isso, as bolsas europeias avançavam otimistas com os dados de crédito na China, que vieram positivos. 

Donald Trump retornou da China relatando que as conversas foram positivas. Essa notícia gerou boas expectativas para as futuras negociações, que se realizariam em Washington nesta semana. Com isso, as ações da bolsa chinesa atingiam alta de 2,68% na segunda-feira.

No final da semana (22), o mercado reforçou o otimismo com a sinalização de que um acordo pode ser fechado antes do prazo de 1º de março, quando os EUA voltariam a impor as tarifas sobre os produtos chineses.

Dados industriais dos EUA desapontam e FED segue com sinalização mais neutra
Os dados econômicos dos EUA, divulgados na quinta-feira (22), decepcionaram investidores. Os números de pedidos de bens duráveis e o índice de atividade industrial foram ambos abaixo do esperado.

Durante a semana, a divulgação da ata do Federal Reserve ajudou a conter o otimismo ao não dar sinais claros sobre a direção da política monetária nos EUA ao longo de 2019.

(Redação - Investimentos e Notícias)