Trump e China salvaram a semana

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Trump e China salvaram a semana (Foto: Pexels) Trump e China salvaram a semana

Parecia que seria uma nova semana negativa para o Ibovespa, mas a surpresa positiva veio nesta sexta-feira (11). O encontro entre americanos e chineses em torno das disputas comerciais parece ter chegado a um acordo parcial. Alguns pontos foram acordados e tarifas foram suspensas.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, nada foi totalmente resolvido. Além disso, sabemos que aproximações já tinham sido atingidas antes e acabaram desandando logo em seguida. Em todo caso, a alta de quase 2,0% da Bolsa brasileira com o anúncio colocou o Ibovespa no positivo na semana.

Em outra negociação interminável, o governo britânico parece ter apresentado um plano factível para sua saída da União Europeia, mas que ainda precisa ser aprovado pelas autoridades do bloco europeu.

Para completar, semana que vem teremos a divulgação do PIB chinês do terceiro trimestre, o qual, se surpreender positivamente, pode reverter essa longa onda de pessimismo com a economia global. Não seria nada ruim, já que vimos mais uma vez a inflação brasileira recuar e as apostas de cortes nos juros se intensificarem com a desconfiança sobre a nossa economia.

Em meio a esse cenário positivo, a Eletrobras conseguiu fechar a semana caindo mais de 10%. 

Agenda

No Brasil, já nos acostumamos com preços subindo constantemente e os produtos ficando sensivelmente mais caros ano a ano. 2019, contudo, é um ano diferente. Em setembro, o IPCA (índice oficial de inflação) mostrou queda de 0,04% nos preços, e em 2019 acumula “apenas” 2,50% de alta.

A trajetória descendente da inflação já aproxima o IPCA do limite inferior da meta do Banco Central para este ano, que é de 2,75%, o que tem impulsionado a autoridade monetária a reduzir seus juros. A projeção do mercado para a Selic neste ano, que já foi de 8,00%, agora cai abaixo de 5,00% e já se aproxima de 4,50%.

Se os números fracos continuarem a se acumular, é possível que vejamos a Selic a níveis internacionais, ou seja, ainda mais baixos. 

Empresas

A Braskem (BRKM5) regularizou sua situação junto à SEC (equivalente à CVM americana) enviando na segunda-feira (7) o relatório 20-F, referente ao ano de 2017, cuja entrega estava cerca de um ano e meio atrasada. A ausência dessa documentação fez com que a NYSE (Bolsa de Valores de Nova Iorque) suspendesse a negociação dos papéis da Companhia em maio. Com a regularização da documentação, a situação pode ser revertida.

Cogna Educação (COGN3) é o novo nome (e novo Ticker) da holding criada pela antiga Kroton (KROT3) em um processo de reestruturação corporativa. Com o novo modelo, a Cogna, que será tocada pelo então presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, administrará 4 empresas separadas. 

As operações serão separadas da seguinte forma: a marca Kroton continuará existindo e será a divisão responsável pelas operações de ensino superior. Platos será a divisão responsável pelo atendimento de clientes corporativos de ensino superior. Sabre será a divisão responsável por oferecer ensino fundamental e médio. E a Vasta ajudará no gerenciamento de operações de escolas primárias e secundárias.

As ações da Vivara (VIVA3) começaram a negociar na B3 (B3SA3) na quinta feira (10). Concluindo o terceiro IPO na bolsa em 2019, depois de Centauro (CNTO3) e Neoenergia ( NEOE3), as ações da Vivara, que foram precificadas a R$24,00, abriram com mais de 3% de alta. Ao longo do dia, a alta foi amenizada e o papel fechou custando R$24,11, próximo ao preço fixado no IPO.

Senadores americanos pediram a abertura de uma investigação sobre as aquisições realizadas pela JBS (JBSS3) nos EUA. Os senadores solicitaram que o Comitê de Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos revisasse as operações de compra realizadas pela JBS entre 2007 e 2015, incluindo marcas como Swift, Smithfied Foods, Pilgrim’s Pride e Cargill, afirmando que a Companhia teria se envolvido em atividades financeiras ilícitas no período.

Como já comentamos, o leilão da cessão onerosa também é de suma importância para a Petrobras (PETR4). A aprovação da partilha na Câmara mencionada anteriormente levaria o Governo a arrecadar R$106,5 bilhões, o que acarretaria em um repasse de R$33,6 bilhões para a Petro.

A decisão do governo em não injetar cerca de R$3,5 bilhões na Eletrobras para torná-la mais atraente em caso de um privatização foi um dos principais motivos para uma queda forte no papel, tanto em ações ordinárias como preferenciais, registrando baixa de cerca de 7% e 8%, respectivamente. 

A Eletrobras (ELET3) avalia uma capitalização com o governo por meio de Adiantamentos para futuros Aumentos de Capital (AFACs). O plano de aumento de capital estudado pela estatal pode chegar a render R$1 bilhão para a União em dividendos. Entretanto, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, relatou que uma possível capitalização da empresa está prevista apenas para 2020.

Exterior

O conselho europeu se reunirá na semana que vem, entre os dias 17 e 18 de outubro. Sem dúvidas, um dos temas mais importantes será o Brexit, ou seja, a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (UE). Contudo, é esperado que Emmanuel Macron e Angela Merkel se encontrem em Paris neste fim de semana para discussões mais profundas sobre o tema. Assim, acompanhamos de perto este encontro, que pode trazer reflexos na abertura do mercado europeu nesta segunda-feira (14).

Já na China, teremos a divulgação do PIB do terceiro trimestre. Esse dado é de suma importância por refletir a velocidade de crescimento da segunda maior economia do mundo. Além disso, observamos que o PIB chinês vem apresentando crescimento mais lento desde o meio de 2017, o que pode estar se agravando em função da guerra comercial com os Estados Unidos. Finalmente, espera-se que ele venha próximo aos 6,1% a.a., o que corresponde a uma queda de 0,10 p.p. em relação aos dados do 2T19.

(Redação – Investimentos e Notícias)