Eu tenho comigo a seguinte máxima: é mais fácil lidar com situações nas quais as adversidades estão claramente definidas do que lidar com situações ambíguas.
Para os que advogam reformulações na economia para enfrentarmos as mudanças climáticas e congelar a degradação ambiental, esta semana foi chave. Enquanto os EUA se posicionaram claramente contra as mudanças, o Brasil continua num lero-lero danado.
Aos fatos.
Em Washington, o lider do governo Democrata no Senado anunciou que iria abandonar tentativas de aprovar uma lei ampla para enfrentar as mudanças climáticas. Ele friamente disse que não tinha os votos necessários e resolveu propor uma lei viralata que incentiva eficiência energética, impõe regras mais rígidas para a exploração de petróleo em águas profundas e, pasmem, incentiva uso de gás natural como energia limpa.
Foram tirados do texto limites de poluição e emissão, estímulos ao mercado de carbono (cap and trade) e padrões de uso de energias limpas como eólica, solar etc.
Apesar das palavras bonitas, para os ativistas ficou clara a posição do governo Obama e o congresso americano frente às negociações do clima na COP16 em Cancún: este ano, não.
Já o Brasil tenta se esconder atrás da pose de bonzinho do clima com seu combate ao desmatamento (sempre questionado) e com o maior índice de energias limpas do mundo, repetindo que 48% da nossa matriz energética é renovável.
Por isso é sintomático que os meios de comunicação de massa aqui não tenham entendido bem o recado do governo brasileiros ao lançar um pacote pró-inovação esta semana que inclui R$600 milhões em créditos e subvenções da Finep e uma Medida Provisória (MP) confusa que, como de costume, mistura alhos com bugalhos.
Tudo isso anunciado em cima de um debate sobre o programa do veículo elétrico brasileiro, que nunca sai do papel.
A Band ontem (28/7) noticiou que o governo disponibilizou até R$500 milhões para o programa e mostraram avanços feitos pela Copel com um carro elétrico que usa bateria de sódio.
Os outros canais falaram apenas sobre a parte da MP que aumenta limites para o Minha Casa Minha Vida.
A Band errou, enquanto as outras omitiram. Os R$500 milhões são para financiar inovações em vários setores como saúde, defesa, nano e biotecnologia, desenvolvimento social e, é claro, energias limpas.
Já a MP, que é parte do pacote de inovação, desonera impostos de renda e reduz alíquotas de importação para projetos de inovação nas empresas que recebem estes recursos da Finep.
Tudo muito louvável, mas longe de ter um foco, além da meta, anunciada esta semana pelo Ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, para chegar em 2022 com investimentos em ciência e tecnologia em 2,5% do PIB.
Mas, no que diz respeito à inovação verde, as coisas se complicam quando no mesmo fôlego que fala dos veículos elétricos Rezende diz que é preciso para não desincentivar a indústria de biocombustível. Ou seja: o governo quer ou não quer desenvolver um veículo elétrico nacional?
Parece que o Brasil tenta sempre se camuflar na corrida pelas tecnologias limpas e tem medo de sair da sombra.
O país já tem metas de redução de emissões, já tem leis nacional e regionais do clima, e agora de resíduos sólidos, já tem tecnlogia para o setor de biocombustível e tem grande volume e diversidade de biomassa, além de sol.
Por que não estimular a direcionar nosso esforço de inovação para assumir esta liderança antes que seja tarde, ao invés de deixar tudo nas entrelinhas?
Já nos EUA, as coisas ficaram tão claras que logo após o anúcio do líder dermocrata no Senado, 17 entidades e empresas, incluindo a elétrica AES, o sindicato dos metalúrgicos e empresas dos setores de energia eólicas e solar, assinaram uma carta aberta pedindo a reinstaurção do estímulo às energias limpas na lei.
Segundo eles, a decisão do Senado põe em risco 360 mil empregos - a maioria a serem criados - que vão ser exportados para outros países.
Ou seja, para eles a demanda vai existir, mas, na falta de estímulos do governo federal terão que importar os equipamentos.
E com certeza não estão pensando que vão ter que importar do Brasil... mas poderiam.

escrito por Alexandre Spatuzza, agosto 16, 2010
Concordo plenamente. O governo federal tem pércebido o valor das políticas de concessão de crédito e de fomento à inovação. Mas sem um direcionamento específico para tecnologias limpas, vai ser difícil acompanhar a corrida mundial que se inicia. Muitos podem criticar as chamadas políticas intervencionaistas, mas é isso que todos os países fazem para transformar a novas tecnologias em bens acessíveis. Ótima lembrança sobre o setor de telecomunicações e TI.
escrito por Apolonio, agosto 07, 2010
www.velivre.com.br




Obrigado pelo comentário.
Concordo plenamente. Apesar do governo federal ter percebido o valor das políticas direcionadas de cocnessão de crédito, ele ainda nãoa cordo para a plena necessidade de focar nas energias limpas. memso com todas as críticas feitas contar as chamadas policias intervencionaistas, sem isso elas estamos arriscando a perder a corrida.
Alexandre Spatuzza
Parbaens pelo blog.