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Meninos do Brasil

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Os desafios do competentíssimo Mano Menezes não são poucos. Em primeiro lugar, para não decepcionar dezenas de milhões de torcedores brasileiros e membros da cúpula da CBF (não necessariamente nessa ordem), que clamavam fortemente por renovação, ele tratou de mostrar a que veio e promoveu uma das maiores revoluções da história das listas de convocações da seleção Brasileira. Poucos são os fãs de esporte que conhecem todos os nomes escolhidos por Mano – e a maioria sequer conhece a metade deles. Mas, além da renovação, nosso treinador tem outra missão igualmente importante, que será atendida mais adiante: juntar os cacos de um grupo cuja base, apesar da Copa perdida, não merece de forma alguma ter seu ciclo encerrado.

Tenho certeza de que Mano saberá aproveitar o melhor do time que perdeu na África, mas não merece ser estigmatizado. Porque aquele era bem mais do que o time do Dunga. Era o time do Brasil, com muitos jogadores de primeira linha. Kaká, quando estiver fisicamente bem, ainda terá muita lenha para queimar. Luís Fabiano teve seus momentos no mundial e merece continuar nos planos. O mesmo pode ser dito de revelações como Maicon e Neimar e veteranos como Júlio César e Lúcio. Outros jogadores com passagem pela Seleção, mas que ficaram fora da Copa, também merecem novas oportunidades. Gente como Fred, Diego e, se voltar a jogar em alto nível, até Ronaldinho Gaúcho. Outros jovens, como Philippe Coutinho, verão sua hora chegar.

Se alguém me perguntar sobre o grande diferencial de Mano Menezes, eu apontaria uma característica que há muitos anos eu não via num treinador de Seleção Brasileira: o senso de humor. Além de ser um dos principais indicadores de inteligência, o senso de humor é uma arma poderosa para situações complicadas que fazem parte da vida do técnico do Brasil, como o trato com as estrelas do elenco, com a imprensa, com os manda-chuvas da CBF, com ex-treinadores corneteiros e assim por diante. Mano é também um sujeito conectado com o mundo, como mostra sua lista eclética de convocação e hábitos cotidianos, como as opiniões expressadas para quem quiser ver através do Twitter. Espero, sinceramente, que a pressão do cargo não o faça perder esses hábitos – inclusive o de “tuitar”.

Ainda em relação à escolha de Mano – e valeria o mesmo para Muricy –, eu celebro algo singelo, porém significativo: depois dos capotões cheios de zíperes e das combinações bizarras de cores e roupas de Dunga, o Brasil volta a ter um técnico despojado, que se veste com o bom e velho agasalho ou um sóbrio terno. Coincidência ou não, nas cinco vezes em que ganhamos a Copa do Mundo nossos técnicos se vestiam assim, como gente do esporte – e não das passarelas. Essas coisas, que parecem detalhes, às vezes querem dizer muita coisa.

Entendo perfeitamente a preferência, nesse início de trabalho, por jogadores que atuam no Brasil. Mas, se me fosse dada a atribuição de escalar o time para o próximo amistoso da Seleção com jogadores daqui e do estrangeiro, iria com Júlio César, Maicon, Lúcio, Tiago Silva e André Santos; Hernanes, Ramires, Ganso e Kaká; Luís Fabiano e Robinho. Um time que, creio, passaria pela Holanda e daria trabalho para a Fúria espanhola. Agora, no entanto, a hora é de deixarmos o professor experimentar à vontade. Ele fará isso e, entre seus convocados, já pode escalar um time como este: Victor, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e André Santos; Hernanes, Ramires, Ganso e Robinho; Pato e Neymar.

Um time pra dar espetáculo e reabrir em grande estilo o Giant Stadium, onde, nos anos 70, Pelé conseguiu a façanha de reunir quase 80 mil norte-americanos – que sequer conheciam as regras mais básicas do futebol – para ver um jogo do New York Cosmos contra o Fort Lauderdale Strikers. Que os ecos daquele time, que reunia craques como Beckenbauer, Carlos Alberto, Chinaglia (e, mais tarde, Neeskens e Marinho Chagas) possam ser sentidos pelos nossos meninos. Que agora não são mais os Meninos da Vila. São os Meninos do Brasil.

 

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