João Amoêdo - Candidato à presidência em 2018

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Candidato à presidencia pelo Novo tem experiência no setor financeiro. Foto: divulgação Candidato à presidencia pelo Novo tem experiência no setor financeiro.

Conheça o candidato à presidência pelo partido Novo que possui muita experiência na gestão de empresas.

Ex-banqueiro e um dos fundadores do partido Novo, João Amoêdo faz parte dos candidatos à presidência em 2018 . O anúncio de sua candidatura pela legenda que ajudou a criar foi feito em novembro de 2017, durante o encontro nacional do partido, realizado em São Paulo (SP).

A confirmação da candidatura de Amoêdo acabou com uma série de especulações sobre possíveis filiações e candidaturas a presidente do apresentador Luciano Huck e do atual prefeito da cidade de São Paulo, João Doria, pelo Novo.

Amoêdo não possui histórico político, mas ajudou a fundar o Novo em parceria com um grupo de empresários e profissionais das mais diferentes áreas. Em 2016, a legenda elegeu 4 vereadores nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. Mas esta é a primeira eleição presidencial que o partido Novo participa.

História de vida

Trajetória profissional de João Dionisio Amoêdo ajudou a torná-lo pré-candidato

João Dionísio Filgueira Barreto Amoêdo nasceu em 22 de outubro de 1962, na cidade de Rio de Janeiro, filho do médico radiologista paraense Armando Amoêdo e da administradora de empresas potiguar Maria Elisa Barreto.

É casado com Rosa Amoêdo e juntos tiveram três filhas. Apaixonado por esportes, já completou 10 maratonas e 6 ironman, prova de triatlo no qual o participante deve nadar 3,8 km, pedalar 180 km e, por fim, correr 42 km.

Quando jovem, o pré-candidato cursou duas graduações ao mesmo tempo: Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Administração de Empresas na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), graduando-se em ambas com 22 anos.

Amoêdo começou sua vida profissional como estagiário, chegando a ser nomeado executivo, sócio e conselheiro de diversas empresas. Participou do programa de Trainee do Citibank e foi promovido a gerente com 25 anos.

No ano seguinte, foi trabalhar no BBA-Creditansalt, sendo promovido a diretor executivo. Em 1999, assumiu a gestão da financeira da Fináustria, da qual foi sócio. Sob sua gestão, a acredita-se que a empresa passou por uma renovação e saiu de um quadro deficitário para resultados melhores.

Em 2004, Amoêdo foi convidado a assumir a vice-presidência do Unibanco. Um ano depois, deixou as tarefas executivas e foi eleito membro do conselho de administração do banco. Em 2009, passou a fazer parte do conselho de administração do Itaú-BBA, cargo que ocupou até 2015. De 2011 a 2017, também foi membro do Conselho de Administração da João Fortes Engenharia.

Devido à sua atuação no mercado financeiro, Amoêdo possui relação próxima com economistas que ocuparam cargos importantes em outros governos, como os ex-presidentes do Banco Central, Armínio Fraga e Gustavo Franco. Este último recentemente deixou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e é o atual presidente da Fundação Novo.

Sua vida política, de fato, teve início em 2011, quando ajudou a fundar o partido Novo, criado para amenizar a desconfiança dos brasileiros com a política e suprir a falta de representantes comprometidos no Poder Legislativo.

Partido

Candidato João Amoêdo é aposta do partido Novo para transformar a política

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A ideia de criar o partido Novo surgiu em 2011 entre empresários, médicos, advogados e outros profissionais do setor privado. Indignados com altos impostos pagos e retorno ruim, os fundadores do Novo não se sentiam representados pelos partidos existentes.

Surgiu, então, a ideia de criar uma legenda nova que possibilitasse a participação de cidadãos comuns na política. Ao lado de Amoêdo, assinaram a fundação do Partido Novo:

  • Marcelo Lessa Brandão, executivo do grupo que controla as redes de fast food Bob's, Pizza Hut, McDonald's e KFC.
  • João Antonio Lian, presidente do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
  • Fábio Luís Ribeiro, executivo do setor financeiro.
  • Entre outros.

Contando com nomes de peso, como o técnico de vôlei Bernardinho, o partido afirma ser o único que não utiliza dinheiro público. Segundo a legenda, seu funcionamento é sustentado somente por contribuições voluntárias de seus membros e apoiadores, por meio de doações e também uma mensalidade de cerca de R$30.

Segundo informações do site oficial, todos os candidatos passam por um rigoroso processo seletivo e, posteriormente, uma grande preparação que resulta em mandatários qualificados. Entre as regras há uma que limita o carreirismo político, impedindo mais do que uma reeleição.

Além disso, nenhum candidato ou mandatário pode participar da gestão partidária. Para concorrer é necessário se afastar da gestão do partido com 15 meses de antecedência. Ainda, para ser integrante do partido, é necessário ter a ficha limpa.

O nome do partido foi sugerido pela filha mais nova de Amoêdo, Mariana, num jantar em família. A coleta de assinaturas para possibilitar a criação da legenda contou com a ajuda da esposa de Amoêdo, Rosa Helena, e das três filhas do casal.

Com nove Diretórios Estaduais formados e 502 mil assinaturas de apoio para a criação do partido validadas, em julho de 2014 foi solicitado o registro definitivo da legenda, deferido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em setembro de 2015.

O Novo tornou-se o 33º partido brasileiro em atuação e foi autorizado a ter filiados, lançar candidatos e adotar o número 30 nas urnas. Entre os princípios do partido estão:

  • Defesa dos direitos individuais.
  • Liberdade de expressão.
  • Transparência.
  • Excelência da administração pública.
  • Desenvolvimento socioeconômico sustentável.

No estatuto do partido, há diretrizes para mandatários e candidatos. Entre elas:

  • Obedecer fielmente a Constituição Federal, a legislação eleitoral, o Estatuto e o código de conduta do Novo e suas normas de funcionamento interno.
  • Exercer as funções públicas dentro dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, transparência e eficiência.
  • Manter a cordialidade e o respeito à dignidade pessoal no trato com os dirigentes partidários, com os detentores de mandatos eletivos, com todos os demais integrantes do Novo, e com filiados, candidatos e mandatários de outros partidos políticos.
  • Trabalhar em prol do cidadão visando a redução dos custos, gastos e tamanho do Estado.
  • Abster-se de utilizar veículos públicos como carros, aviões, helicópteros no exercício de seu mandato a não ser em caso excepcional, em que a urgência e a necessidade justifiquem seu uso.

 

O partido também criou a Fundação Novo, idealizada para colaborar na criação do programa de governo do partido, além de conduzir estudos de políticas públicas e firmar parcerias com instituições de outros países.

Com aproximadamente 15 mil filiados atualmente, a meta do Novo para 2018 é ambiciosa: eleger o maior número possível de parlamentares. A legenda deve lançar cerca de 300 candidatos ao cargo de deputado federal, com o objetivo de eleger pelo menos 35 - grande parte com histórico fora da política.

Polêmicas

Relação do partido Novo e Itaú pode atrapalhar desempenho nas urnas

Uma das polêmicas que a legenda enfrentou foi anunciar, no início de 2017, que o empresário Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, poderia ser pré-candidato à presidência da República nas próximas eleições.

A controvérsia se formou uma vez que o partido que defende a gestão de não-políticos, já começaria a primeira eleição presidencial lançando um ex-político como candidato. Rocha foi deputado federal em 1986, pelo Partido da Frente Liberal (PFL) que atualmente é o Democratas (DEM).

Foi reeleito em 1990, mas já estava no Partido da Reconstrução Nacional (PRN), para onde foi após ser convidado por Fernando Collor. Foi candidato à presidência em 1994, pelo Partido Liberal (PL) e sua principal bandeira foi a criação do chamado Imposto Único.

Todavia, teve que abrir mão de concorrer antes do fim das eleições, devido às denúncias de envolvimento no "escândalo dos bônus eleitorais" – um mercado paralelo e ilegal de venda destes papéis, lançados à época como forma de financiamento de campanhas.

Outro fator que pesa contra Flávio Rocha é uma ação pública do Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitando indenização de R$ 37,7 milhões à empresa que ele é sócio. Após inspeção em diversas fábricas localizadas no Nordeste do País, o MPT encontrou funcionários que relataram jornadas de trabalho de 15 horas sem o pagamento de horas extras.

Alguns empregados também que afirmaram receber menos que um salário mínimo, o que é proibido por lei. Rocha não lidou bem com a ação pública iniciada pelo MPT e foi às redes sociais demonstrar sua indignação atacando a procuradora do trabalho, Ileana Mousinho.

Diante das ofensas, o Ministério Público Federal denunciou Flávio Rocha por coação, calúnia e injúria. O órgão afirmou que o empresário foi responsável por lançar uma hashtag nas redes sociais contra procuradora e também incitou violência. Além disso, o MPF considerou também a manifestação convocada por Rocha e o Movimento Brasil Livre (MBL) contra Mousinho, ocorrida em Natal.

Em vista dessas controvérsias, muita gente não viu com bons olhos a candidatura de Rocha nas eleições 2018 pelo Novo e sua pré-candidatura foi deixada de lado.

Formado em sua maioria por empresários e profissionais de diferentes áreas, pesa para o partido a imagem de uma legenda que advoga em favor dos banqueiros, uma vez que seu fundador é ex-banqueiro e trafega com facilidade no setor financeiro.

Uma controvérsia que ronda o partido nesse sentido é que ele seja mantido por doações de várias pessoas ligadas ao Itaú Unibanco. Além do próprio Amoêdo, que já foi presidente de uma das empresas vinculadas ao conglomerado e fez parte do conselho de administração do Itaú, há outros participantes com forte ligação com o banco.

Entre as pessoas que mais doaram dinheiro para o Novo, segundo prestação de contas do partido, estão:

  • O presidente do conselho da holding Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles.
  • O vice-presidente do banco, Eduardo Mazzilli de Vassimon.
  • O fundador e acionista da empresa Porto Seguro, que tem participação do Itaú Unibanco, Jayme Garfinkel.
  • O fundador do banco de atacado BBA (atual Itaú BBA), Fernão Bracher.
  • O ex-presidente do Unibanco, Israel Vainboim.
  • O presidente da Fundação Itaú Social e ex-presidente do Santander Brasil, Fábio Barbosa.

 

Além disso, uma das bandeiras defendidas por João Amoêdo é a privatização das empresas estatais, incluindo Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Amoedo já afirmou em entrevista que não teria nenhum problema em privatizar empresas consideradas “ícones” do País.

Em diversas entrevistas, Amoêdo deu sua opinião sobre diferentes assuntos polêmicos, como por exemplo: drogas, aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo. No caso do aborto, o candidato já defendeu que as mulheres devem ser livres para decidir dentro daquilo que está previsto na legislação atual e chegou a sugerir que o Brasil adotasse o federalismo para discutir essa questão.

No mais, diante de questões controversas, ele costuma se posicionar de forma liberal, postulando que cada candidato de seu partido deve ter a liberdade de decidir se é a favor ou contra algumas dessas propostas.

No que se refere às drogas, o pré-candidato se diz contra a legalização em geral, mas diz acreditar na descriminalização do porte de pouca quantidade de maconha. Em relação ao casamento gay, o empresário adota o posicionamento do partido, sendo contra qualquer proibição a esse respeito.

Perspectivas

Diante da forte expectativa em relação à renovação política proposta, o grande desafio do Novo será mostrar nas eleições 2018 que realmente tem a intenção de implantar projetos novos para o Brasil.

O sentimento de desconfiança em relação à política vigente pode ser um ponto de apoio para sustentar a campanha de João Amoêdo. No entanto, o partido já enfrenta obstáculos que podem fazê-lo perder credibilidade diante do eleitorado.

O discurso a favor das privatizações e o envolvimento do empresariado na fundação da legenda, por exemplo, podem ser utilizados pelos adversários de Amoêdo para enfraquecer sua arrecadação de votos pelo País.

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