Afinal, ainda vale ou não a pena investir na poupança?

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Afinal, ainda vale ou não a pena investir na poupança? (Foto: Divulgação) Afinal, ainda vale ou não a pena investir na poupança?

De acordo com dados do Banco Central (BC) de ontem (07), a caderneta da poupança registrou, em março, uma saída líquida de R$ 11,43 bilhões, a maior retirada para todos os meses. E a pergunta que fica é: por que as pessoas estão saindo da poupança? Há alguns pontos importantes que podemos abordar para falar sobre essa questão.

Destaco o fato do rendimento dessa modalidade – se comparado ao de investimentos como título do tesouro (que está sendo melhor divulgado com suas mudanças recentes) e LCI, por exemplo – ter se tornado pouco interessante. Isso se explica pela nova alta dos juros básicos para 12,75% ao ano, não favorecendo a poupança, pois, quando a taxa de juros ultrapassa 8,5%, o rendimento dela fica limitado a 6,17% ao ano mais a Taxa Referencial (TR), ou seja, não sobe junto com a Selic, assim como outros fundos de renda fixa, acompanhando a alta da Selic.

Outro ponto é que, com a crise, muitas pessoas estão utilizando essas reservas para pagar dívidas, o que é preocupante, pois mostra que essas pessoas não estão conseguindo sobreviver com os seus próprios ganhos. Diante disso, alerto: se não houver uma rápida adequação no padrão de vida, o quadro se reverterá muito rapidamente, com boa parte dessa população tornando-se inadimplente.

E é aí que entra o papel importantíssimo da educação financeira, que busca mudar o comportamento das pessoas em relação ao dinheiro, fazendo-as compreender que o momento financeiro difícil não deve ser combatido com novas opções de crédito, mas sim com readequação do orçamento. Isto é, é preciso combater, principalmente, a causa do problema e não apenas a consequência.

No entanto, destaco que, por mais que a poupança se apresente menos rentável do que outras aplicações, ela ainda é recomendável para aqueles que conseguem poupar uma quantia pequena, para quem deseja aplicar por um curto período de tempo – para a realização de um sonho de curto prazo (até um ano) – e aos que têm o interesse de formar uma reserva financeira para emergências. Isso porque as demais aplicações, muitas vezes, possuem taxas de retiradas/administração ou mesmo descontos de Imposto de Renda, pontos que a caderneta não tem, influenciando na rentabilidade.

A conclusão é que a poupança é sim interessante. No entanto, a questão é mais profunda; se não houver uma mudança de postura da população em relação às finanças, a crise pode realmente ser mais comprometedora. Chegou a hora da mudança e isso só ocorre com a ampliação das ferramentas, pois, se as pessoas continuarem a fazer tudo como faziam antes, nada mudará. A saída é educação financeira, seja você endividado, equilibrado ou poupador!

Por Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), DSOP Educação Financeira e Editora DSOP.