"Com a alta na bolsa brasileira nos últimos dias, e indicadores piores que o estimado pelo mercado na China e Estados Unidos, os investidores aproveitaram para realizar lucros", afirmou Paulo Hegg, operador da Um Investimentos.
O mercado acompanhou hoje dados não muito agradáveis da China. As vendas de bens de consumo no país subiram 17,9% no primeiro bimestre. Diante disso, os agentes repercutiram possível elevação na taxa de juros da China. "Com a economia aquecida, será necessário cortar a demanda interna, e isso influenciará nas importações do país", explica Hegg. Outro dado que influenciou também foi o Índice de Preços ao Consumidor que cresceu 2,7% em fevereiro, ante o mesmo período do ano passado.
Nos Estados Unidos, foi divulgado que os novos pedidos de auxílio-desemprego recuaram 6 mil na semana encerrada dia 6 de março. O número de solicitações ficou em 462 mil pedidos. Além disso, a balança comercial do país reduziu o déficit para US$ 37,3 bilhões em janeiro de 2010.
Por aqui, o Ibovespa acompanhou a cautela externa, influenciado principalmente pela desvalorização dos papéis da Vale (PNA), que recuaram 0,80%. Segundo o operador, o risco de aperto monetário na China pesou nas ações da mineradora, que depende bastante do mercado chinês para a exportação de commodity. Outro fator que ainda atua é a alta no preço do minério de ferro. "A notícia de que a Vale abandonou as negociações não agradou muito os investidores. A mineradora espera alta de 70% a 90% no preço, enquanto que a China quer apenas 40%".
Já as ações da Petrobras (PN), encerraram com leve ganho de 0,13%. Hoje, a petrolífera anunciou ter descoberto petróleo em terra no bloco exploratório Balay, na Colômbia, onde a sua subsidiária Petrobras Colombia Limited é a operadora, com 45% de participação.
Ainda internamente, os investidores acompanharam o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro que registrou acréscimo de 2% no quarto trimestre de 2009, frente ao trimestre anterior. No acumulado do ano, entretanto, o PIB brasileiro recuou 0,2%, face aos 12 meses de 2008. "O aumento no quarto trimestre gerou cautela dos agentes diante de uma antecipação na alta da Selic", completa Hegg.
(Niviane Magalhães - Agência IN)
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