Confiança empresarial e do consumidor caem em janeiro

  •  
Confiança empresarial e do consumidor caem em janeiro (Foto: Pexels) Confiança empresarial e do consumidor caem em janeiro

Em janeiro, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 2,2 pontos, para 93,0 pontos, e o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 2,7 pontos, para 75,8 pontos, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Ambos recuam pelo quarto mês consecutivo, refletindo o recrudescimento da pandemia no Brasil, o fim do período de concessão de auxílio emergencial e o cenário econômico desafiador para 2021.

No âmbito empresarial, o recuo da confiança vinha sendo conduzido até novembro somente pela revisão de expectativas. No mês passado, a percepção sobre a situação corrente parou de melhorar e neste mês os sinais de desaceleração foram mais fortes: o Índice da Situação Atual Empresarial, recuou 2,7 pontos para 95,1 pts., enquanto o Índice de Expectativas recuou 0,6 pt., para 93,7 pontos, na quarta queda consecutiva.

A percepção corrente, medida pelo ISA-C, e as expectativas dos consumidores (IE-C) pioraram pelo quarto mês seguido em janeiro. O ISA-C recuou 1,6 ponto em janeiro, para 68,1 pts, nível próximo ao dos piores momentos da recessão de 2014-16. Já o IE-C caiu 3,5 pontos no mês, para 82,1 pts, acumulando queda de 9,4 pts. desde outubro de 2020. O medo da pandemia e de seus efeitos sobre a economia, mais notadamente sobre o mercado de trabalho, devem manter o consumidor muito cauteloso neste primeiro semestre de 2021.

O Indicador de Incerteza–Brasil do FGV IBRE recuou 4,9 pontos em janeiro de 2021, para 137,4 pontos, sob influência do recuo do componente de Expectativas, que mede o grau de dispersão das previsões econômicas por especialistas 12 meses à frente. Aparentemente, neste horizonte de tempo, a normalização da economia com as campanhas de imunização consiste em um fator de redução de incertezas. Cabe lembrar que o IIE-Br permanece em nível elevado e ainda 22,3 pontos acima do maior nível anterior à pandemia.

Desde outubro de 2020, a proporção de empresas com estoques aquém do nível desejado vem atingindo níveis recordes. Em janeiro, a proporção de empresas com estoque insuficiente recuou e atingiu 12,9% das empresas, nível ainda muito elevado. A ocorrência de um percentual acima do normal de empresas reportando poucos estoques consiste em fator de impulso à produção nos meses seguintes.

O indicador de expectativas na Indústria em relação à evolução do Emprego (nos próximos 3 meses) recuou em janeiro, enquanto o indicador de Tendência dos Negócios (seis meses seguintes) continuou subindo para o maior nível desde março de 2013. No horizonte mais curto, a Indústria calibra o otimismo, em função da possível desaceleração da economia no primeiro trimestre. Mas no horizonte de seis meses se mantém otimista.

Após modestos recuos no final de 2020, o NUCI industrial volta a subir em janeiro, em 0,6 p.p., para 79,9%. Este é o maior nível desde novembro de 2014 (80,3%) e superior em 3,7 p.p. ao nível pré-pandemia (fev/2020).

Após oito altas consecutivas, a confiança da Indústria recuou em janeiro, atingindo 111,3 pts, nível ainda favorável, ao contrário dos outros três setores, que registram uma desaceleração entre dezembro e janeiro e estão pessimistas em relação aos próximos meses.

Os setores econômicos continuam se recuperando de forma bastante heterogênea. Esperava-se que esta tendência perdesse força na medida em que as atividades fossem se normalizando mas não é o que vem ocorrendo. Apenas o setor industrial continua exibindo níveis elevados de confiança a despeito da queda em janeiro, quando atingiu 111,3 pts. A distância em relação à confiança do Setor de Serviços diminuiu um pouco, para 25,8 pts., mas ainda muito próximo do recorde histórico de 28,7 pts registrado no mês anterior (dezembro de 2020).

(Redação – Investimentos e Notícias)