Construção enfrenta falta de confiança

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Construção enfrenta falta de confiança (Foto: Pexels) Construção enfrenta falta de confiança

A indústria da construção apresentou um desempenho um pouco menos negativo em abril, mas ainda muito aquém do esperado para o período de sazonalidade favorável ao setor, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Os índices de evolução do nível de atividade e do número de empregados (em relação ao mês anterior) apresentaram leve melhora em abril, mas ainda permanecem abaixo dos 50 pontos, e em patamar inferior na comparação anual.

O indicador de atividade registrou 45,8 pontos, um acréscimo de 1,3 ponto em relação a março. O índice de número de empregados teve uma melhora mais modesta, de 0,4 ponto, registrando 44,1 pontos.

Ambos indicadores permanecem em níveis inferiores ao registrado há um ano: o nível de atividade está 1,1 ponto inferior e o de emprego, 0,5. E seguem também distantes da linha divisória de 50 pontos. O que indica que a atividade e o emprego continuam em queda quando comparados ao mês anterior, porém as quedas ocorreram em menor intensidade do que em meses passados.

A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) registrou 56% em abril, 1 ponto percentual abaixo do último mês, e 4 p.p. abaixo do observado há um ano. A ociosidade na construção permanece elevada, sobretudo nas obras de infraestrutura.

O indicador de nível de atividade em relação ao usual aumentou 1,1 ponto em abril comparado a março, registrando 35,4 pontos. Apesar do aumento, o índice permanece abaixo da linha de 50 pontos, sugerindo que o nível de atividade está bem abaixo do esperado para o período.

Entre os setores pesquisados, o setor Obras de infraestrutura é o que apresenta maior ociosidade, 53% de UCO, seguido por Construção de edifícios, 55% e Serviços especializados para a construção, 56%. É também nas obras de infraestrutura que o indicador de nível de atividade em relação ao usual está em patamar mais baixo, 33,4 pontos, e foi o único que registrou queda na comparação mensal, de 1,1 ponto.

Os indicadores de expectativas demonstram claramente um sentimento de espera dos empresários da construção em relação aos rumos da economia.

O indicador de expectativa do número de empregados manteve-se no mesmo nível do mês passado, em 52,1 pontos. As expectativas de nível de atividade e compras de insumos e matérias primas, caíram 0,4 e 0,5 pontos, respectivamente. Por fim, o indicador que mede as expectativas de novos empreendimentos e serviços foi o que mais caiu: 1 ponto na comparação mensal.

As expectativas permanecem acima da linha divisória de 50 pontos, sugerindo que ainda há otimismo por parte dos empresários do setor. O pico nos indicadores, observado em janeiro, mostra claramente que havia um otimismo elevado em relação ao novo governo.

As frustrações sucessivas os levam agora ao patamar em que estavam no período pré-eleitoral, carregado de incertezas que justificam o aumento de cautela dos empresários.

O índice de intenção de investimento (compras de máquinas e equipamentos, pesquisa e desenvolvimento, inovação de produto ou processo) manteve-se praticamente estagnado em maio. O indicador registra 32,9 pontos este mês, 0,1 ponto a mais que o registrado em abril. O índice varia de zero a cem pontos e quanto maior o valor, maior a disposição para fazer investimentos. O indicador está abaixo do nível observado há um ano e também está abaixo de sua média histórica de 33,7 pontos.

O índice de Confiança do Empresário da Construção (ICEI-Construção) registrou 55,8 pontos em maio, 0,6 ponto a menos do que o registrado em abril. O nível de confiança se aproximou da linha divisória de 50 pontos, mas ainda permanece acima desta e da média histórica, de 53,3 pontos.

A queda no ICEI em maio foi provocada, principalmente, pelo índice de Condições Atuais, que recuou 1,5 ponto, para 45 pontos. O índice situa-se abaixo da linha divisória pelo segundo mês consecutivo (em março estava praticamente sobre a linha, com 49,7 pontos), evidenciando avaliação e piora das condições correntes de negócio. O índice de Condições Atuais foi puxado para baixo pelo índice de condições da economia brasileira, que caiu 2,8 pontos na comparação mensal.

O índice de Expectativa registrou 61,2 pontos em maio e manteve-se praticamente estável com o recuo de 0,1 ponto. O indicador chegou a 69,7 pontos em janeiro, o maior valor desde junho de 2010, mas sofreu quedas sucessivas nos meses seguintes, revelando um aumento de insegurança em relação ao crescimento do setor.

(Redação – Investimentos e Notícias)