Crédito ampliado alcançou R$10,3 trilhões em janeiro

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Crédito ampliado alcançou R$10,3 trilhões em janeiro (Foto: Pexels) Crédito ampliado alcançou R$10,3 trilhões em janeiro

Em janeiro, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$10,3 trilhões (141,5% do PIB), variação de 0,4% no mês, segundo dados do Banco Central (BC). O saldo de empréstimos e financiamentos e de títulos de dívida caíram 0,4% e 1%, respectivamente, enquanto a dívida externa cresceu 5,1%, impulsionada pela depreciação cambial. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 12%, resultado das expansões de 7,1% nos empréstimos e financiamentos, de 14,8% em títulos de dívida e de 15,2% na dívida externa. 

O crédito ampliado a empresas e famílias somou R$5,8 trilhões (79,3% do PIB), com aumentos de 0,9% no mês e de 12,4% em doze meses. No mês, o crescimento foi influenciado pela variação cambial da dívida externa, cujo estoque aumentou 5,2%, enquanto o saldo de empréstimos e financiamentos e das captações no mercado de capitais (títulos e instrumentos securitizados) diminuíram 0,4% e 0,8%, na ordem. Em doze meses, destaque-se a ampliação de 30,5% no saldo do mercado de capitais.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional (SFN) totalizou R$3,5 trilhões em janeiro, queda de 0,4% no mês, com redução de 2,2% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,4 trilhão), influenciada pela sazonalidade, e aumento de 0,8% em pessoas físicas (R$2 trilhões). O crescimento em doze meses do estoque de crédito do SFN alcançou 7%, resultado das expansões de 12,2% no crédito às famílias e de 0,4% no crédito às empresas.

O crédito livre a pessoas físicas somou R$1,1 trilhão, acréscimos de 1,1% no mês e de 16,6% em doze meses, com destaque para crédito pessoal (consignado e não consignado), veículos e cheque especial. O crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$872 bilhões, com redução de 3,1% no mês e elevação de 11,4% em doze meses, refletindo as liquidações sazonais das modalidades relacionadas a fluxos de caixa, como desconto de duplicatas e recebíveis e antecipação de faturas de cartão.

No crédito direcionado, as operações com pessoas físicas atingiram R$909 bilhões, crescendo 0,5% e 7,1%, respectivamente, no mês e em doze meses, com aumentos nas modalidades rural e imobiliário. A carteira de pessoas jurídicas recuou 0,7% e 13% nos mesmos períodos, situando-se em R$556 bilhões em janeiro.

As concessões totais de crédito do SFN somaram R$322 bilhões em janeiro, declínio de 19% no mês, influenciada por fatores sazonais. A estatística de concessões de crédito ajustada sazonalmente apresentou redução de 0,3%, com quedas de 0,1% em pessoas físicas e jurídicas. Na comparação com janeiro de 2019, as concessões cresceram 13,6% (15,5% no crédito às famílias e 10,8% com empresas). 

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de toda a carteira do sistema financeiro nacional, situou-se em 20,2% a.a., com reduções de 0,1 p.p. no mês e de 0,5 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, o ICC alcançou 27,1%, aumentando 0,2 p.p. em relação a dezembro e diminuindo 2,1 p.p. na comparação com janeiro de 2019. O spread geral do ICC situou-se em 14,4 p.p., registrando estabilidade no mês e aumento de 0,5 p.p. em doze meses.

A taxa média de juros das operações contratadas em janeiro alcançou 23% a.a., elevação de 0,4 p.p. no mês e declínio de 1,4 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas das concessões situou-se em 18,3 p.p., o que representou variações de 0,5 p.p. e de 0,1 p.p., nas mesmas bases de comparação. 

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 33,7% a.a., variando 0,3 p.p. no mês e -3,4 p.p. na comparação interanual. No segmento das famílias, a taxa média situou-se em 45,6% a.a. (-0,4 p.p. e -4,5 p.p., respectivamente), destacando-se a redução na taxa de juros do cheque especial, que alcançou 165,6% a.a. em janeiro (8,5% a.m.), com quedas de 82 p.p. no mês e de 101,7 p.p. em doze meses. Essa redução refletiu a entrada em vigor da Resolução nº 4.765, de 27.11.2019, que limitou em 8% a.m. as taxas de juros remuneratórios cobradas sobre o valor utilizado do cheque especial de pessoas físicas e microempreendedores individuais. A estatística de taxa média de juros das concessões inclui – além dos juros remuneratórios, que são o objeto da Resolução nº 4.765/2019 – os encargos fiscais e operacionais incidentes sobre a operação de crédito, bem como os descontos decorrentes de benefício de prazo com isenção ou redução de juros na utilização do cheque especial. Além disso, são incorporadas operações de adiantamentos a depositantes, cujo saldo não é significativo na comparação com o do cheque especial.

No crédito livre às empresas, a taxa média das concessões alcançou 17,6% a.a. em janeiro, aumento de 1,3 p.p. mês e redução de 2,8% em doze meses. A elevação mensal ocorreu em diversas modalidades (desconto de duplicatas e recebíveis: 2,4 p.p.; capital de giro: 1,8 p.p., entre outras), refletindo variação sazonal no custo das contratações.

Agregados monetários

A base monetária totalizou R$318 bilhões em janeiro, crescimento de 0,4% no mês e de 13,9% em doze meses. No mês, as reservas bancárias cresceram 68,6% e o papel-moeda emitido recuou 8,3%. Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, foram contracionistas as operações com títulos federais, em R$5,2 bilhões (resgates líquidos de R$55,6 bilhões no mercado primário e vendas líquidas de R$60,8 bilhões no mercado secundário), as operações do Tesouro Nacional (R$1,4 bilhões) e os depósitos de instituições financeiras (IFs), R$555 milhões. De forma expansionista, as operações com derivativos alcançaram R$7,6 bilhões e as operações do setor externo, R$424 milhões, resultante das operações de recompra a termo.

Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$398 bilhões, queda de 9,8% no mês, com reduções de 12,5% nos depósitos à vista e de 7,3% no saldo do papel-moeda em poder do público. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 cresceu 6,6% em janeiro.

O M2 totalizou R$3,0 trilhões, recuo de 2,2% no mês. Além da redução no M1, ocorreram contrações de 0,8% no saldo dos títulos emitidos por IFs (R$1,8 trilhão) e de 1,2% nos depósitos de poupança (R$839 bilhões). No mês, foram registrados resgates de R$19,3 bilhões nos depósitos a prazo e de R$12,4 bilhões nos depósitos de poupança. O M3 recuou 0,8% no mês, atingindo R$6,7 trilhões e acompanhando a retração nos agregados mais restritos, que contrabalançou o aumento de 0,8% no saldo das quotas de fundos do mercado monetário (R$3,5 trilhões). O M4 registrou queda de 0,9% no mês e elevação de 7,2% nos últimos 12 meses, encerrando o mês em R$7,2 trilhões.

(Redação – Investimentos e Notícias)