Crédito ampliado alcançou R$10,7 trilhões em março

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Crédito ampliado alcançou R$10,7 trilhões em março (Foto: Pexels) Crédito ampliado alcançou R$10,7 trilhões em março

Em março, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$10,7 trilhões (145,7% do PIB), crescendo 2,1% no mês, refletindo as expansões de 6,6% na dívida externa (impulsionada pela depreciação cambial de 15,6%) e de 2,8% nos empréstimos e financiamentos (notadamente nas operações do Sistema Financeiro Nacional, SFN), segundo dados do Banco Central (BC). Os títulos de dívida diminuíram 0,6% no mês, destacando-se a retração nos títulos públicos. Na comparação interanual, o crédito ampliado aumentou 12,8%, resultado do crescimento dos saldos da dívida externa, títulos de dívida e empréstimos e financiamentos, de 19,4%, 12,1% e 9,6%, respectivamente. 

O crédito ampliado a empresas e famílias somou R$6,2 trilhões (83,8% do PIB), com crescimento de 4,7% no mês e de 16,1% em doze meses. A variação mensal refletiu o efeito da depreciação cambial na dívida externa, que aumentou 11,6%, seguida pelas expansões de 2,7% nos empréstimos e financiamentos e de 0,8% nos instrumentos do mercado de capitais doméstico. A variação em doze meses do crédito ampliado a empresas e famílias é explicada pelo desempenho da dívida externa, 27,9%, estimulada pelo aumento dos saldos em moeda nacional em função da desvalorização cambial, e dos títulos de dívida, 25,7%.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$3,6 trilhões em março, crescendo 2,9% no mês, com expansões de 6,4% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,5 trilhão) e de 0,3% na de pessoas físicas (R$2,1 trilhões). Como consequência, o crescimento em doze meses da carteira total acelerou de 7,4%, em fevereiro, para 9,6%, em março. O saldo com pessoas jurídicas acelerou de 1,4% para 6,9%, enquanto o de pessoas físicas passou de 12,1% para 11,7%, sempre considerando os mesmos períodos de comparação.

O crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$979 bilhões, representando crescimento de 9,9% no mês e de 21,7% em doze meses. Em março, ocorreu expansão tanto nas modalidades com influência sazonal (desconto de duplicatas e recebíveis, antecipação de faturas de cartão) quanto nas relacionadas a fluxo de caixa (capital de giro), e nas de comércio exterior (adiantamentos sobre contratos de câmbio, financiamentos a exportações). Adicionalmente, cresceram os saldos influenciados pela variação cambial (notadamente repasses externos). O crédito livre a pessoas físicas somou R$1,1 trilhão, com estabilidade no mês (+0,1%) e expansão de 15,7% em doze meses, com destaque para as modalidades crédito pessoal consignado e composição de dívidas.

No crédito direcionado, as operações com pessoas físicas atingiram R$919 bilhões, variações de 0,6% no mês e de 7,2% em doze meses, com aumentos nas carteiras de rural e imobiliário. O saldo das operações com pessoas jurídicas cresceu 0,8% no mês e manteve contração na comparação interanual, -11,9%, situando-se em R$557 bilhões em março.

As concessões totais de crédito somaram R$397 bilhões em março. Na série ajustada sazonalmente, houve aumento de 3,5%, com crescimento de 28,2% em pessoas jurídicas e declínio de 11,4% em pessoas físicas. No acumulado do ano, comparado com o mesmo período do ano anterior, as concessões totais cresceram 18,8%, compostas por expansões de 27,6% no crédito às empresas e de 11,4% com famílias. 

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, situou-se em 20,1% a.a., reduções de 0,2 p.p. mês e de 0,8 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, o ICC registrou reduções mais expressivas: -1,1 p.p. e -3,2 p.p., nos mesmos períodos, alcançando 25,8%. O spread geral do ICC situou-se em 14,4 p.p., permanecendo estável no mês (-0,1 p.p.) e aumentando 0,2 p.p. em doze meses.

A taxa média de juros das operações contratadas em março alcançou 22,7% a.a., com quedas de 0,4 p.p. no mês e de 2,3 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 18 p.p., com declínios de 0,6 p.p. e 0,8 p.p., nos mesmos períodos.

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 33,2% a.a., reduzindo-se 0,9 p.p. no mês e 5,1 p.p. na comparação interanual. No crédito às famílias, taxa média de 46,1% a.a., houve queda de 0,6 p.p. em março (crédito pessoal não consignado: -11,9 p.p.; consignado INSS: -0,8 p.p.; cheque especial: -0,6 p.p.). No crédito livre às empresas, a taxa média de juros diminuiu 0,4 p.p. em março, para 16,6% a.a., com redução distribuída por diversas modalidades. Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre situou-se em 25,1%, registrando declínios de 1,3 p.p. no mês e de 4,4 p.p. na comparação interanual.

Agregados monetários

A base monetária atingiu R$307,6 bilhões em março, crescimento de 1,4% no mês e de 7,3% em doze meses. No mês, as reservas bancárias aumentaram 9,5% e o papel-moeda emitido permaneceu estável (+0,1%). Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, apresentaram impactos expansionistas os depósitos de instituições financeiras, R$108,9 bilhões (notadamente, liberações dos saldos de recolhimentos compulsórios a prazo, R$108,1 bilhões), as operações com derivativos, R$31,3 bilhões, e as operações do Tesouro Nacional, R$12 bilhões. Em sentido contracionista, as operações com títulos públicos federais, R$52,9 bilhões (resultado de resgates líquidos de R$124,9 bilhões no mercado primário e de vendas líquidas de R$177,8 bilhões no mercado secundário), e as operações do setor externo, R$91 bilhões, decorrente das operações com reservas internacionais.

Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$420,6 bilhões, crescimento de 4,5% no mês, com expansões de 7,3% nos depósitos à vista e de 1,9% no papel-moeda em poder do público. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 avançou 3,7% no mês.

O M2 cresceu 4,7% no mês, totalizando R$3,2 trilhões, refletindo, além do crescimento no saldo do M1, o aumento de 6,1% nos saldos dos títulos emitidos por instituições financeiras (depósitos a prazo: +11% mês). Em março, foram registradas captações líquidas de R$140,0 bilhões nos depósitos a prazo e de R$12,1 bilhões nos depósitos de poupança. O M3 avançou 1,0% no mês, atingindo R$6,9 trilhões, acompanhando o crescimento dos agregados M1 e M2, embora tenha ocorrido retração de 2,8% no saldo de seu principal componente, as quotas de fundos do mercado monetário, que totalizaram R$3,5 trilhões. O M4 aumentou 0,7% no mês e 7,1% nos últimos 12 meses, situando-se em R$7,3 trilhões.

(Redação – Investimentos e Notícias)