Crédito ampliado ao setor não financeiro cresce em abril

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Crédito ampliado ao setor não financeiro cresce em abril (Foto:Divulgação) Crédito ampliado ao setor não financeiro cresce em abril

Em abril, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$10,8 trilhões (147,7% do PIB), aumento de 0,6% no mês, refletindo a expansão de 3,7% na dívida externa (impulsionada pela depreciação cambial de 4,4%), enquanto os empréstimos e financiamentos registraram estabilidade e os títulos de dívida, redução de 0,7%, com queda nos títulos públicos, segundo dados do Banco Central (BC). Na comparação interanual, o crédito ampliado variou 13,7%, resultado do crescimento da dívida externa, títulos de dívida e empréstimos e financiamentos, respectivamente 23,1%, 12,3% e 9,6%.

O crédito ampliado a empresas e famílias alcançou R$6,3 trilhões (86,1% do PIB), com crescimento de 1,8% no mês e de 17,8% em doze meses. A variação mensal refletiu, principalmente, o efeito da depreciação cambial na dívida externa, que aumentou 6,3%, seguida pela expansão de 0,5% nos títulos de dívida, devido à elevação de 2,3% em títulos privados (notadamente pelas emissões de notas comerciais). A variação em doze meses do crédito ampliado a empresas e famílias é explicada principalmente por crescimentos de 35,2% na dívida externa, estimulada pela desvalorização cambial, e de 24,5% nos instrumentos do mercado de capitais doméstico.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$3,6 trilhões em abril, com estabilidade no mês, como decorrência da expansão de 1,2% na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$1,6 trilhão), compensada por redução de 0,9% no saldo de pessoas físicas (R$2 trilhões). Como consequência, o crescimento em doze meses da carteira total manteve-se em 9,6%. Na comparação interanual, o saldo com pessoas jurídicas acelerou de 7% para 9,5%, de março para abril, enquanto o de pessoas físicas passou de 11,7% para 9,7% no mesmo período.

O crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$993 bilhões, crescendo 1,4% no mês e 24,7% em doze meses. As modalidades de maior destaque foram capital de giro, financiamentos a exportações e adiantamentos sobre contratos de câmbio. Adicionalmente, cresceram os saldos influenciados pela variação cambial (notadamente repasses externos). O crédito livre a pessoas físicas totalizou R$1,1 trilhão, após queda de 2,2% no mês (+11,5% em doze meses), com reduções em cheque especial, aquisição de veículos e cartão de crédito à vista. 

No crédito direcionado, a carteira de pessoas físicas alcançou R$925 bilhões, expansões de 0,6% no mês e de 7,6% em doze meses. O saldo das operações com pessoas jurídicas cresceu 0,9% no mês e manteve contração na comparação interanual, -9,9%, situando-se em R$562 bilhões em abril.

As concessões totais de crédito somaram R$296 bilhões em abril. Na série com ajuste sazonal, houve redução de 16,5% em relação ao mês anterior, fruto de variações de -21,1% nas empresas e de -13,2% nas famílias. No acumulado do ano, comparado ao mesmo período do ano anterior, as concessões totais cresceram 13,2%, compostas por expansões de 24,2% para pessoas jurídicas e de 4% a pessoas físicas. 

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, situou-se em 19,7% a.a. em abril, após declínios de 0,4 p.p. mês e de 1,5 p.p. na comparação interanual. No crédito livre não rotativo, as variações registradas pelo ICC foram mais expressivas: na mesma ordem, -0,6 p.p. e -3,9 p.p., alcançando 25,3%. O spread geral do ICC situou-se em 14,1 p.p., quedas de 0,3 p.p. e de 0,4 p.p., nas mesmas bases de comparação.

A taxa média de juros das operações contratadas em abril alcançou 21,5% a.a., com quedas de 1,2 p.p. no mês e de 3,5 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 17,2 p.p., com declínios de 0,8 p.p. e 1,6 p.p., nos mesmos períodos.

No crédito livre, a taxa média de juros das concessões atingiu 31,3% a.a., reduzindo-se 2 p.p. no mês e 7 p.p. na comparação interanual. No crédito às famílias, taxa média de juros atingiu 44,5% a.a., declínio de 1,7 p.p. mês, em função de reduções em diversas modalidades (cheque especial: -11,2 p.p.; cartão rotativo regular: -28,9 p.p.; cartão parcelado: -38,5 p.p.; crédito pessoal não consignado: -8,3 p.p.; consignado: -0,9 p.p.). No crédito livre às empresas, a taxa média de juros diminuiu 0,8 p.p. em abril, para 15,8% a.a., destacando-se reduções nas modalidades conta garantida, -9,5 p.p., e capital de giro, -1,4 p.p. Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre registrou variações de -2,2 p.p. no mês e -6,8 p.p. em doze meses, alcançando 22,9% em abril.

Agregados monetários

A base monetária situou-se em R$336,7 bilhões em abril, expansões de 9,5% no mês e de 20,4% em doze meses. No mês, o papel-moeda emitido cresceu 12,2% e as reservas bancárias declinaram 5,3%. Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, de forma expansionista, destacaram-se as operações do Tesouro Nacional, R$103,2 bilhões, as operações com derivativos, R$8,3 bilhões, e as operações da Linha Temporária Especial de Liquidez (Debêntures), R$ 1,4 bilhões. Apresentaram impacto contracionista as operações do setor externo, R$38,4 bilhões, decorrente das operações de venda à vista de moeda estrangeira e de recompra a termo; os depósitos de instituições financeiras, R$29,1 bilhões (destacando-se os recolhimentos de recursos de depósitos a prazo, R$24,4 bilhões); e operações com títulos públicos federais, R$12,8 bilhões (resultado de resgates líquidos de R$85,6 bilhões no mercado primário e de vendas líquidas de R$98,4 bilhões no mercado secundário).

Os meios de pagamento restritos (M1) atingiram R$460,4 bilhões, aumento de 8,1% no mês, decorrente do avanço de 11,3% do papel-moeda em poder do público e de 4,9% nos depósitos à vista. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 avançou 7,3% no mês.

O M2 registrou expansão de 5,4% no mês, totalizando R$3,4 trilhões, refletindo, além do crescimento no saldo do M1, o aumento de 5,7% nos saldos dos títulos emitidos por instituições financeiras (certificados de depósitos a prazo) e de 3,4% no saldo dos depósitos de poupança. No mês, foram registradas captações líquidas de R$123,7 bilhões nos depósitos a prazo e de R$30,5 bilhões nos depósitos de poupança. O M3 avançou 2,3% no mês, atingindo R$7,0 trilhões, apesar do recuo de 0,8% no saldo das quotas de fundos do mercado monetário, que atingiu R$3,4 trilhões. O M4 registrou aumento de 1,8% no mês e de 9,2% nos últimos 12 meses, encerrando o mês em R$7,4 trilhões.

(Redação – Investimentos e Notícias)