Crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$12 trilhões

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Crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$12 trilhões (Foto: Pexels) Crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$12 trilhões

Em 2020, o crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$12 trilhões, equivalente a 162,1% do PIB), segundo dados do Banco Central (BC). Esse saldo representou expansão de 16,9% no ano, acelerando em relação ao crescimento de 9,5% observado em 2019. O desempenho do crédito ampliado resultou do aumento nos saldos da dívida externa, 23,4%, em função da depreciação cambial do ano (em dólares, a dívida externa do setor não financeiro permaneceu praticamente estável) e do crescimento dos empréstimos e financiamentos, 15,3%, e dos títulos de dívida, 15,2%.

No mês de dezembro, o crédito ampliado ao setor não financeiro apresentou crescimento de 2,1% em relação ao mês anterior, com expansões de 4,2% em títulos de dívida e de 1,6% nos empréstimos e financiamentos. No mês, o saldo da dívida externa recuou 1,1%, influenciado pela apreciação cambial de 2,5% do período.

Em 2020, o crédito ampliado a empresas e famílias cresceu 15,8%, situando-se em R$6,6 trilhões (89,6% do PIB), também acelerando em relação à expansão de 2019, de 9,4%. Novamente, o maior crescimento ocorreu no saldo da dívida externa expresso em reais, 25,5%, devido à já mencionada depreciação cambial do ano. Em 2019, a dívida externa crescera 4,1%. O saldo dos empréstimos e financiamentos expandiram 15,3% em 2020, de 6,8% em 2019. Já os títulos de dívida (mercado de capitais privado doméstico) ficaram praticamente estáveis no ano, 1,5%, com aumento no estoque de debêntures e redução no de instrumentos securitizados, representando desaceleração em relação ao crescimento de 35,2% de 2019.

No mês de dezembro, o crédito ampliado a empresas e famílias cresceu 0,4%, devido, principalmente, ao desempenho do saldo de empréstimos e financiamentos, 1,7%. Os títulos de dívida aumentaram 0,9% e o saldo das captações externas recuou 2,7%.

Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional (33% do crédito ampliado) alcançou R$4 trilhões em 2020, crescimento de 15,5%, representando aceleração em relação aos 6,5% de 2019. O crédito a empresas atingiu R$1,8 trilhão, alta anual de 21,8%, ante -0,1% em 2019. O crédito às famílias situou-se em R$2,2 trilhões, crescimento de 10,9% no ano, de 11,9% em 2019. A relação crédito/PIB atingiu 54,2%, elevação anual de 7,2 p.p.

Em dezembro, o crédito do SFN cresceu 1,6%, refletindo elevações de 1,7% em pessoas jurídicas e de 1,4% em pessoas físicas.

A expansão do crédito no ano foi influenciada pelas contratações destinadas a empresas de menor porte, devido aos programas de estímulo ao crédito lançados no segundo semestre para combater os efeitos da pandemia. A carteira de crédito a micro, pequenas e médias empresas cresceu 31,6% em 2020 (ante 6,7% em 2019). Nas grandes empresas, que tiveram contratações mais aceleradas nos três primeiros meses da pandemia, o saldo aumentou 16% no ano (-3,7% em 2019).

Em 2020, o saldo das operações com recursos livres alcançou R$2,3 trilhões, expansão de 15,2% no ano, após crescimento de 14,1% em 2019. O crédito livre a pessoas jurídicas alcançou R$1,1 trilhão, aumento de 21,1% no ano, acelerando em relação à expansão de 11,1% em 2019. Em 2020, destacou-se o crescimento expressivo da carteira de capital de giro, 46,3%, ante 4,8% em 2019.

Em dezembro houve expansão de 2,1% no crédito livre a empresas, com destaque para as operações de desconto de duplicatas e recebíveis, capital de giro maior que um ano e aquisição de veículos.

Nas pessoas físicas, o crédito livre atingiu R$1,2 trilhão em 2020, crescendo 10,4% no ano, de 16,6% em 2019. No mês, houve crescimento de 1,5%, sobressaindo-se as operações de cartão à vista, veículos e crédito consignado.

O crédito direcionado atingiu R$1,7 trilhão em 2020, com elevação de 15,9% no ano, após retração de 2,4% em 2019, primeira elevação anual da carteira desde 2015, impulsionado pelos programas de crédito às empresas de menor porte lançados no segundo semestre. A carteira concedida a empresas atingiu R$689 bilhões em 2020, o que representou aumento de 23% ao ano, de contração de 14% em 2019, refletindo as contratações em outros créditos direcionados. Nas operações para pessoas físicas, saldo de R$1 trilhão, a variação anual atingiu 11,6% (6,6% em 2019), sustentado pelo crédito rural e imobiliário.

Em dezembro, o crédito direcionado manteve a expansão, 1,2%, composta por crescimento de 1% nas operações com empresas e 1,4% com famílias.

As concessões de crédito totais cresceram 5,2% em 2020, principalmente em função do crescimento das contratações com empresas, 10,8%. As concessões às famílias variaram 0,4% no ano. Em dezembro, as concessões somaram R$398 bilhões. Na série dessazonalizada, houve retração de 9,8% no mês.

O Indicador de Custo de Crédito (ICC), média do custo de toda a carteira do sistema financeiro, situou-se em 16,8% a.a. ao final de 2020, menor valor da série iniciada em 2013, o que significou redução de 3,5 p.p. no ano, após estabilidade, -0,1 p.p., em 2019. A tendência de redução permaneceu em dezembro, -0,3 p.p. no mês. No crédito livre não rotativo, ocorreu redução anual de 4,6 p.p., para 22,3%, igualmente atingindo o piso da série histórica. O spread geral do ICC situou-se em 11,8 p.p., acumulando redução de 2,6 p.p. no ano. Em dezembro, o spread do ICC reduziu-se 0,3 p.p.

A taxa média de juros das contratações terminou o ano de 2020 em 18,4% a.a., recuo interanual de 4,2 p.p., após declínio de 0,3 p.p. em 2019. Em dezembro, houve redução de 0,3 p.p. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 14,5 p.p., também apresentando diminuição em 2020, 3,3 p.p., de redução de 1,2 p.p. em 2019. Em dezembro, o spread permaneceu estável, 0,1 p.p.

No crédito livre, a taxa de juros atingiu 25,5% a.a., diminuindo 7,9 p.p. no ano e atingindo o menor valor da série iniciada em 2011. Em dezembro, redução de 0,9 p.p. em relação ao mês anterior. No crédito às famílias, a taxa média atingiu 37% a.a. em dezembro, igualmente a menor da série, reduções de 9 p.p. em termos interanuais e de 1,2 p.p. no mês, destacando-se, em dezembro, a redução em crédito pessoal não consignado (-5,8 p.p.). Nas contratações com empresas, a taxa livre alcançou 11,7% a.a., representando redução de 4,6 p.p. em relação ao mesmo mês de 2019 e de 0,5 p.p. comparativamente a novembro, com destaque, no mês, para capital de giro acima de um ano (-0,8 p.p.). Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre situou-se em 20,3%, recuando 4,5 p.p. no ano e 0,7 p.p. no mês.

A inadimplência do crédito geral atingiu 2,1% em dezembro, menor valor da série (-0,1 p.p. no mês; -0,8 p.p. no ano, ante estabilidade no ano anterior). No ano, ocorreram reduções no nível de atrasos de pessoas jurídicas (-0,9 p.p.) e físicas (-0,7 p.p.), parcialmente influenciadas pelas renegociações e prorrogações de dívidas que ocorreram no contexto da pandemia.

Agregados monetários
A base monetária alcançou R$410,2 bilhões em dezembro, elevações de 2% no mês e de 29,6% no ano (+4,8% no ano anterior). O papel-moeda emitido aumentou 3,2% em dezembro (+32% ano), enquanto as reservas bancárias registraram retração de 8,1% mês (+10,7% no ano).

Na posição de dezembro, contribuíram para a expansão da base as operações do Tesouro Nacional (R$25,2 bilhões); as da Linha Temporária Especial de Liquidez (R$27,8 bilhões); e os depósitos de instituições financeiras (R$3 bilhões), provenientes das liberações de recursos de depósitos a prazo e de poupança. Apresentaram contração as operações com Títulos Públicos Federais (R$19,5 bilhões, resultado das colocações líquidas de R$179,4 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$159,9 bilhões no secundário); as operações do setor externo (R$12,8 bilhões); as com derivativos (R$8 bilhões); e Outras Contas (R$7,8 bilhões, destacando-se o impacto da Conta de Pagamentos Instantâneos).

Os meios de pagamento restritos (M1) atingiram R$622,8 bilhões em dezembro, crescendo 6,2% no mês e 39,1% no ano (+9,1% no ano anterior). A variação em dezembro refletiu aumentos de 8,8% em depósitos à vista e de 3,6% no papel-moeda em poder do público. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 recuou 2,0% no mês.

O M2 totalizou R$4,0 trilhões, aumento de 2,2% mês e de 28,6% ano (ante 8,7% em 2019). As elevações mais expressivas ocorreram nos depósitos de poupança (+2,2% no mês e +22,4% no ano) e depósitos a prazo (+1,7% no mês e +56,3% no ano). Em 2020, ocorreram captações líquidas de R$166 bilhões nos depósitos de poupança (R$13 bilhões em 2019) e de R$508 bilhões nos depósitos a prazo (R$55 bilhões em 2019). O M3 alcançou R$8,0 trilhões, elevações de 2,9% no mês e de 18% ano (+7,7% em 2019). O saldo das quotas de fundos do mercado monetário, principal componente do M3, somou R$3,8 trilhões (+3,7% no mês e +9% no ano). O M4 atingiu R$8,5 trilhões em dezembro, com aumentos respectivos de 1,7% e de 16,8%, nas mesmas bases de comparação.
(Redação – Investimentos e Notícias)