Custo de vida em SP aponta quarta alta seguida em julho

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Custo de vida em SP aponta quarta alta seguida em julho (Foto: Pexels) Custo de vida em SP aponta quarta alta seguida em julho

O custo de vida na região metropolitana de São Paulo subiu 0,82% em julho. Apesar de ser a quarta alta consecutiva, observa-se uma leve desaceleração em relação ao aumento de 0,97% apurado em junho. No acumulado do ano, houve uma elevação de 2,49% e de 5,03% nos últimos 12 meses.

Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Entre as nove categorias que compõem o indicador, duas sofreram variação negativa em julho: vestuário (-1,4%) e saúde (-0,19%). Por outro lado, o grupo habitação exerceu a maior pressão de alta no indicador ao apontar aumento de 2,51% em seus preços médios. No acumulado dos últimos 12 meses, as elevações foram de 7,11% e de 3,83% no ano, acima da inflação média, portanto.

A segunda pressão mais relevante para o resultado de julho foi do segmento de transportes, cujo aumento foi de 1,08%. Nos últimos 12 meses, a variação foi de 8,81%, a maior entre os grupos pesquisados.

Na segmentação por renda, as classes D e E foram as que mais sentiram o aumento dos preços em julho, com altas de 1,43% e 1,31%, respectivamente. Em contrapartida, as classes A e B sentiram menos a elevação notada no mês. A primeira assinalou variação de 0,51% e a segunda encerrou o período com variação positiva de 0,54%.

IPV

O Índice de Preços no Varejo (IPV) registrou queda de 0,12% em julho, desaceleração significativa considerando a alta de 1,24% notada em junho. No acumulado do ano, o indicador registrou acréscimo de 2,06% ,e nos últimos 12 meses, a elevação foi de 4,51%. No mesmo período de 2017, essa variação era de 0,41%.

Em julho, cinco dos oito segmentos que compõem o IPV registraram variação negativa: transporte (-1,11%); vestuário (-1,4%); saúde e cuidados pessoais (-0,51%); despesas pessoais (-0,09%); e educação (-0,02%).

Por outro lado, o grupo alimentação e bebidas exibiu elevação de 0,76% em seus preços. As pressões mais contundentes foram observadas em leite longa vida (11,46%), pera (10,72%), salmão (8,68%), açúcar refinado (7,81%), massa semipreparada (7,43%), linguiça (6%), uva (5,62%), leite em pó (4,93%), presunto (4,83%) e farinha de trigo (4,12%).

A segunda maior contribuição de alta foi do segmento habitação, com elevação de 1,58% em julho. Entre os itens, destacou-se a elevação nos preços de ferragens (3,32%), tinta (0,65%), revestimento de piso e parede (2,99%), cimento (2,73%), material hidráulico (1,33%), água sanitária (2,03%), detergente (1,98%), amaciante (3,94%) e esponja de limpeza (1,77%).

O recorte por faixas de renda indica que apenas o IPV da classe D subiu de fato em julho, com discreta variação positiva de 0,08%. Por outro lado, as classes de rendimento intermediário mostraram variação negativa, com as maiores quedas nas classes B e C, com recuos de 0,16% e 0,11%, respectivamente.

IPS

O Índice de Preços de Serviços (IPS) registrou alta de 1,82% em julho, mais que o dobro do verificado em junho (0,69%). No período compreendido entre janeiro e julho, a elevação foi de 2,94%, e no acumulado dos últimos 12 meses, a variação foi de 5,56%.

Assim como em junho, apenas um segmento apresentou variação negativa em seus preços médios em julho: artigos de residência (-0,17%). Em contrapartida, a principal contribuição de alta foi a do setor de transporte, que assinalou 4,97% de alta, impulsionado pelo aumento de 45,77% nas passagens aéreas. Os preços de ônibus interestadual (8,62%), pedágio (2,15%) e de lubrificação e lavagem (1,21%) também subiram. Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, além do efeito sazonal, as passagens aéreas sofreram pressão de custo por causa dos preços do querosene de aviação, que têm sofrido altas desde meados de 2017. No acumulado entre agosto de 2017 a julho de 2018, o grupo transporte apresentou elevação de 5,41%, e em 2018, a alta é de 1,28%.

O segmento de habitação se mantém em trajetória de alta, encerrando julho com variação positiva de 2,8% ante os 2% notados em junho. No mês, destacou-se a alta de 10,08% nos preços da energia elétrica residencial e que já atinge 15,89% nos últimos 12 meses. A tarifa de água e esgoto também subiu em julho (1,17%). Nos últimos 12 meses, o grupo habitação registrou acréscimo de 7,36%, e em 2018, a variação foi de 4,47%.

Em relação ao recorte por renda, as classes A e B foram as menos impactadas, com variação de 1,06% e 1,11%, respectivamente. Já as classes E e D foram as mais prejudicadas no mês, em decorrência de sua estrutura de distribuição de gastos, encerrando o período com acréscimos de 3,38% e 3,43%, consecutivamente.

De acordo com a FecomercioSP, apesar do ritmo de alta no custo de vida ter desacelerado, os preços dos serviços seguem, claramente, pressionados. O grupo que inspira mais atenção é justamente o de habitação, por ser bastante relevante no orçamento das famílias, especialmente para as de renda mais baixa.

Ainda segundo a Entidade, o segmento possui peso médio de 16%, mas a ponderação é ainda maior quando se observa o corte por faixa de rendimento, já que para a classe E, por exemplo, esse segmento pesa mais de 23%. Para a classe B, em contrapartida, o peso é de apenas 14%. Outro segmento que deve se elevar é o de despesas pessoais, no próximo mês, em virtude do reajuste nos preços dos cigarros.

(Redação – Investimentos e Notícias)