Déficit em transações correntes totalizou US$1,1 bi

  •  
Déficit em transações correntes totalizou US$1,1 bi (Foto: Pixabay) Déficit em transações correntes totalizou US$1,1 bi

Em fevereiro de 2019, o déficit em transações correntes totalizou US$1,1 bilhão, inferior ao ocorrido em fevereiro de 2018, US$2,0 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC). Essa redução deveu-se à combinação de incremento no superávit comercial, de US$2,7 bilhões para US$3,2 bilhões, e recuo no déficit da conta de serviços, de US$2,6 bilhões para US$2,1 bilhões, na comparação interanual. O déficit em transações correntes nos doze meses encerrados em fevereiro somou US$13,9 bilhões (0,74% do PIB), abaixo do registrado no mês anterior (US$14,8 bilhões, 0,79% do PIB). 

Em fevereiro, as exportações de bens totalizaram US$16,2 bilhões, redução de 6,1% ante fevereiro de 2018. As importações de bens somaram US$13,1 bilhões, queda de 10,6%, na mesma base de comparação. No mês não houve operações relativas ao Repetro; porém, em fevereiro de 2018, foram registradas exportações de US$1,5 bilhão e importações de US$2,0 bilhões no âmbito desse regime, contribuindo para a contração da corrente de comércio na comparação interanual. No acumulado deste ano até fevereiro, ante mesmo período de 2018, as exportações aumentaram 1,6%, e as importações, 2,7%.

O déficit na conta de serviços atingiu US$2,1 bilhões no mês, redução de 21,7% na comparação interanual. Destacaram-se as diminuições nas despesas líquidas de aluguel de equipamentos (US$266 milhões) e de transportes (US$139 milhões). No acumulado do ano, até fevereiro, o déficit em serviços reduziu 14,8% relativamente ao mesmo período de 2018.

Em fevereiro de 2019, o déficit em renda primária aumentou 6,0% na comparação com fevereiro do ano anterior, somando US$2,4 bilhões. Os gastos líquidos com juros somaram US$779 milhões no mês, decréscimo de 13,1% na comparação interanual, com expansão de receitas geradas pela remuneração das reservas internacionais e moderado crescimento de despesas. As despesas líquidas de lucros e dividendos somaram US$1,7 bilhão, aumento de 19,5% em relação ao mesmo mês de 2018. No acumulado do ano, houve redução de 2,1% no déficit em renda primária, para US$8,2 bilhões, destacando-se a expansão de 46,7% nas receitas de juros.

Os investimentos diretos no país (IDP) acumularam US$8,4 bilhões no mês, ante US$4,7 bilhões em fevereiro de 2018, retomando trajetória de expansão observada desde o segundo semestre de 2018. No mês, esses ingressos líquidos foram compostos de US$4,3 bilhões em participação no capital e US$4,1 bilhões em operações intercompanhia. Nos últimos doze meses, o IDP totalizou US$89,5 bilhões, equivalentes a 4,77% do PIB. No primeiro bimestre, os ingressos líquidos de IDP somaram US$14,3 bilhões, volume 9,1% superior ao observado em mesmo período de 2018.

No mês, os ingressos líquidos de investimentos em ações, fundos de investimento e títulos de renda fixa negociados no mercado doméstico somaram US$4,0 bilhões, acumulando US$10,7 bilhões em 2019, até fevereiro, após saídas líquidas de US$10,6 bilhões ocorridas em dezembro de 2018. Nos doze meses encerrados em fevereiro de 2019, as saídas líquidas atingiram US$11,9 bilhões, o que representou redução ante as saídas líquidas de US$15,4 bilhões no acumulado de doze meses até janeiro de 2019.

Reservas internacionais

O estoque de reservas internacionais atingiu US$378,4 bilhões em fevereiro de 2019, correspondendo a 349% da dívida externa de curto prazo residual (exceto operações intercompanhia e títulos de dívida negociados no mercado doméstico), aumento de US$1,5 bilhão relativamente ao mês anterior. Essa expansão decorreu de receita de juros, US$584 milhões, e de retorno líquido em operações de linhas com recompra, US$1,3 bilhão. As variações por preços e por paridades foram negativas, US$275 milhões e US$239 milhões, respectivamente. O estoque de linhas com recompra recuou para US$11,0 bilhões, em fevereiro de 2019.

Dívida externa

Em dezembro de 2018, a dívida externa brasileira totalizou US$665,8 bilhões, dos quais US$ 320,6 bilhões negociados no mercado internacional, exclusive operações entre empresas de mesmo grupo econômico; US$238,6 bilhões em operações intercompanhia; e US$106,6 bilhões em títulos de dívida negociados no mercado doméstico.

Relativamente à posição de setembro, a dívida externa brasileira aumentou US$22,5 bilhões (3,5%) em dezembro de 2018, dados os crescimentos de US$13,2 bilhões (4,3%) na dívida externa bruta; de US$7,4 bilhões (3,2%) nas operações intercompanhia; e de US$1,9 bilhão (1,8%) nos títulos negociados no mercado doméstico. Já a dívida externa estimada para fevereiro de 2019 somou US$677,0 bilhões, aumento de US$11,2 bilhões (1,7%) frente à posição de dezembro do mesmo ano. Esta variação se concentrou no estoque de títulos de dívida negociados no mercado doméstico, US$11,8 bilhões (11,1%) no período.

O perfil da dívida externa por modalidades de taxa de juros é relevante para a sensibilidade de suas despesas em relação às taxas de mercado. Consideradas as operações de dívida externa no mercado internacional, o estoque atrelado a taxas fixas somou US$340,3 bilhões (60,8%), enquanto o estoque vinculado a taxas flutuantes atingiu US$218,9 bilhões (39,2%). A proporção do estoque vinculado a taxas fixas cresceu 3,3 pontos percentuais de dezembro de 2017 a dezembro de 2018. 

(Redação – Investimentos e Notícias)