IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo

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Destaque Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta Foto: divulgação Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta

Entenda o que é IPCA e como este índice é calculado.

IPCA varia 0,32% em janeiro de 2019

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro foi de 0,32%, acima dos 0,15% de dezembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro de 2018, o índice tinha sido de 0,29%. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 3,78%, pouco acima dos 3,75% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

Apenas Vestuário (-1,15%) apresentou deflação de dezembro para janeiro. A maior variação positiva ficou com Alimentação e bebidas (0,90%), que apresentou também o maior impacto no índice do mês, 0,22 ponto percentual (p.p.). A segunda maior alta ficou com Despesas pessoais (0,61%), cuja contribuição foi de 0,07 p.p. Juntos, os dois grupos responderam por cerca de 90% do índice do mês. Os demais grupos ficaram entre o 0,02% de Transportes e o 0,32% de Artigos de residência.

O grupo Alimentação e bebidas acelerou de dezembro para janeiro, ao passar de 0,44% para 0,90%, contribuindo para elevar o IPCA no mês. O grupamento da alimentação no domicílio subiu 0,97% em janeiro, especialmente em função das altas nos preços do feijão-carioca (19,76%), da cebola (10,21%), das frutas (5,45%) e das carnes (0,78%). O leite longa vida, após cinco meses consecutivos de quedas, subiu 2,10%, contribuindo com 0,02 p.p. no IPCA de janeiro. No lado das quedas, verificou-se redução expressiva nos preços do tomate (-19,46%), o que ajudou a conter a alta dos itens alimentícios.

A alimentação fora também acelerou e subiu 0,79%, frente à alta de 0,33% em dezembro. O destaque ficou com as altas do lanche, que passou de 0,72% para 0,91%, e da refeição, que atingiu 0,90%, quando havia registrado 0,08% no mês anterior.

As Despesas pessoais, por sua vez, apresentaram alta de 0,61% no IPCA do mês, acelerando em relação à variação de 0,29% observada em dezembro. Contribuíram para esse resultado a alta de itens como excursão (6,77%) e hotel (1,06%) e de alguns serviços como manicure (0,85%) e cabeleireiro (0,69%).

Nos Transportes, após a deflação de 0,54% em dezembro, observou-se leve alta em janeiro, de 0,02%. Embora os combustíveis (-2,09%) tenham caído pelo terceiro mês consecutivo, essa queda foi menos intensa que a do mês anterior (-4,25%). Ainda assim, o maior impacto individual no índice do mês (-0,11 p.p) veio da gasolina (-2,41%). À exceção da região metropolitana de Salvador, que registrou alta de 1,50% no preço desse combustível, as demais áreas apresentaram quedas que variaram entre os -5,98% de Aracaju e os -0,31% da região metropolitana do Rio de Janeiro. O etanol e o óleo diesel também caíram: -0,75% e -1,61%, respectivamente. Além disso, as passagens aéreas, que haviam subido 29,12% em dezembro, caíram 3,59% em janeiro, com impacto de -0,02 p.p.

A maior contribuição positiva no grupo dos Transportes ficou com os ônibus urbanos (2,67% e 0,07 p.p.), por conta de reajustes nas tarifas em cinco das dezesseis regiões pesquisadas durante o período de referência da pesquisa.

Ainda em Transportes, destacam-se, na região metropolitana de São Paulo, os reajustes de 7,50% nas tarifas de trem (4,00%) e de metrô (4,00%), em vigor desde o dia 13 de janeiro. Os ônibus intermunicipais também tiveram suas tarifas reajustadas: 6,00%, em média, em São Paulo (3,02%), a partir de 20 de janeiro; e 6,78% em Belo Horizonte (3,00%), a partir de 30 de dezembro. No Rio de Janeiro, houve reajuste médio de 4,26% nas tarifas de táxi, vigente desde o dia 1º de janeiro.

No grupo Habitação (0,24%), que havia apresentado deflação de 0,15% em dezembro, o destaque ficou com as altas dos itens aluguel residencial (0,42%) e condomínio (0,77%). A energia elétrica (-0,13%) apresentou queda menos intensa em comparação com o mês anterior, quando registrou -1,96%. As áreas apresentaram variação entre os -8,24% do município de Rio Branco e os 3,92% da região metropolitana de Fortaleza. Em Rio Branco, apesar do reajuste médio de 21,29% nas tarifas a partir do dia 13 de dezembro, houve redução de impostos no período de referência da pesquisa. Adicionalmente, o reajuste foi suspenso pela Justiça no dia 3 de janeiro e só voltou a vigorar no dia 29. Ressalta-se, ainda, que permanece em vigor desde o início de dezembro a bandeira tarifária verde, em que não há cobrança adicional por quilowatt-hora consumido.

Ainda em Habitação, a variação de 3,53% no item gás encanado ocorreu em razão do reajuste de 7,20% na tarifa no Rio de Janeiro (6,53%), em vigor desde 1º de janeiro. O item taxa de água e esgoto (0,31%), por sua vez, reflete os reajustes de 8,60% em Porto Alegre (2,32%), a partir de 16 de dezembro, de 4,00% em Campo Grande (3,41%), vigente desde 3 de janeiro, e de 6,04% no Rio de Janeiro (0,38%), em vigor desde 1º de dezembro.

O grupo Vestuário (-1,15%) foi o único com deflação de dezembro para janeiro e ajudou a conter a taxa do mês, com impacto de -0,07 p.p. Foram registradas variações negativas nas roupas femininas (de 2,34% em dezembro para -2,00% em janeiro), roupas infantis (de 0,91% em dezembro para -1,06% em janeiro) e roupas masculinas (de 1,57% em dezembro para -0,99% em janeiro). Além disso, os calçados também registraram queda, de -0,65%.

Quanto aos índices regionais, apenas os municípios de Rio Branco (-0,09%) e Goiânia (-0,17%) apresentaram deflação no IPCA de janeiro, conforme mostra a tabela a seguir. O resultado de Goiânia deveu-se, especialmente, às quedas observadas nos preços da gasolina (-4,97%) e do tomate (-20,89%). O maior índice ficou com a região metropolitana de Belo Horizonte (0,70%), cujo resultado foi influenciado principalmente pelo reajuste de 11,00% na tarifa dos ônibus urbanos (10,12%), vigente desde 30 de dezembro.

Série histórica do IPCA

O IPCA é um dos índices mais importantes da economia brasileira, por isso é fundamental acompanhar suas movimentações.

Confira abaixo a série histórica do IPCA nos últimos doze meses:

  IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo
Mês/ano Valor (%) Acumulado Ano (%) Acumulado 12 meses (%)
Janeiro de 2019 0,32 0,32 3,78
Dezembro de 2018 0,15 3,75 3,75
Novembro de 2018 -0,21 3,59 4,05
Outubro de 2018 0,45 3,81 4,56
Setembro de 2018 0,48 3,34 4,53
Agosto de 2018 -0,09 2,85 4,19
Julho de 2018 0,33 2,94 4,48
Junho de 2018 1,26 2,60 4,39
Maio de 2018 0,40 1,33 2,86
Abril de 2018 0,22 0,92
2,76
Março de 2018 0,09 0,70 2,68
Fevereiro 2018 0,32 0,61 2,84
Janeiro 2018 0,29 0,29 2,86
Dezembro 2017 0,44 2,95 2,95
Novembro 2017 0,28 2,50 2,80
Outubro 2017 0,42 2,21 2,70
Setembro 2017 0,16 1,78 2,54
Agosto 2017 0,19 1,62 2,46
Julho 2017 0,24 1,43 2,71
Junho 2017 - 0,23 1,18 3,00
Maio 2017 0,31 1,42 3,60
Abril 2017 0,14 1,10 4,08
Março 2017 0,25 0,96 4,57
Fevereiro 2017 0,33 0,71 4,76
Janeiro 2017 0,38 0,38 5,35

Fonte: IBGE

Por ser considerado o índice oficial para medir a inflação no Brasil, é normal que os valores do IPCA sejam bastante semelhantes aos da inflação acumulada. Na tabela abaixo, você encontra a inflação acumulada e a meta de cada ano desde 2007 até 2017.

Analisando os dados a seguir, será possível perceber que a inflação acumulada no Brasil em 2017 ficou bem abaixo da meta na comparação com os anos anteriores. Essas mudanças de panorama justificam a importância do IPCA, já que o índice permite que essa situação possa ser monitorada tanto pelos órgãos competentes quanto pela população.

Inflação Acumulada Atual 
 Inflação Taxa  Meta
2017 2,95 4,5
2016 6,29 4,5
2015 10,67 4,5
2014 6,41 4,5
2013 5,91 4,5
2012 5,84 4,5
2011 6,50 4,5
2010 5,91 4,5
2009 4,31 4,5
2008 5,90 4,5
2007 4,46 4,5

Fonte: Banco Central do Brasil

O que é IPCA?

A sigla IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Este é um índice criado em 1980 para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final. Devido à sua abrangência e relevância, a partir dos anos 2000 se tornou o indicador de referência para o governo medir a inflação no País.

O período em que é feita a medição da variação dos preços ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês. A divulgação dos valores mensais para o público é feita no mês seguinte, entre os dias cinco e doze.

Este índice é importante porque reflete o custo de vida das famílias brasileiras com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera gastos em diferentes setores, como:

- Moradia

- Alimentação e bebidas

- Educação

- Comunicação

- Transporte

- Vestuário

- Saúde e higiene pessoal

- Artigos para casa

- Despesas pessoais

Estas despesas diversas são levantadas em 13 regiões metropolitanas do País, buscando mensurar o padrão de consumo da população brasileira. Por ser grande em território e diversidade de culturas, os pesquisadores do IBGE levam em consideração as diferenças entre regiões. Um exemplo é o tipo de feijão analisado no quesito alimentação.

Nos estados do Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro é coletado o preço do feijão preto. Todavia, no restante dos estados, há maior consumo do feijão carioca e, portanto, é ele que aparece na cesta de produtos pesquisados.

É importante entender que quando o IPCA sobe, indica que os preços de alguns produtos e serviços poderão ficar mais caros. No entanto, quando ocorre queda do índice de um mês para o outro, significa que os preços subiram menos no período e não que caíram.

Apenas quando o IPCA fica negativo é que há queda nos preços dos produtos e serviços pesquisados. Esse movimento também é chamado de deflação.

Com esses dados em mãos, o Banco Central juntamente com o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode verificar se o custo de vida das famílias brasileiras está aumentando ou não. Além disso, o monitoramento do IPCA é importante para que o governo averigue se tem cumprido as metas para a inflação. Caso contrário, seria difícil elaborar e colocar em prática medidas para conter a situação.

Muitos não sabem, mas o IPCA possui duas variações: o IPCA-15 e o IPCA-E. O primeiro funciona como uma prévia de inflação do mês, pois o período de coleta das informações vai do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

O IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial), por sua vez, possui a mesma metodologia de coleta utilizada no IPCA. A diferença entre eles é que o IPCA-E é divulgado ao final de cada trimestre, oferecendo um balanço trimestral da inflação. Ele é muito utilizado para calcular o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano, mais conhecido pela sigla IPTU.

Outro detalhe: o IPCA-15 e o IPCA-E não abrangem a cidade de Campo Grande.

Como o IPCA afeta o bolso dos brasileiros

Como foi apresentado anteriormente, o IPCA é usado como referência para que o Banco Central monitore a inflação acumulada do País. Com isso, a população brasileira pode ser diretamente afetada pelas variações do índice, não só nas contas básicas do dia a dia como também nos investimentos.

Quando a inflação aumenta, há impacto direto no poder de compra da população. Ou seja, o preço de determinado produto fica mais caro e, portanto, exigirá uma parcela maior do orçamento familiar. Por isso que, de tempos em tempos, os salários também devem ser reajustados, para que haja alinhamento com a inflação.

Outra forma com que o IPCA afeta o bolso dos brasileiros é em relação à taxa básica de juros do País, também chamada de Selic. Se a inflação está alta, o governo costuma aumentar a taxa Selic com o objetivo de conter a inflação. Por outro lado, quando a inflação está sob controle, é possível que o governo brasileiro reduza a taxa de juros para incentivar o crescimento econômico no País.

No que se refere aos investimentos, uma das modalidades que está diretamente ligada ao IPCA é o Tesouro Direto. O programa do governo federal permite a compra e venda de títulos públicos através da internet e oferece títulos com rentabilidade atrelada a este índice.

Os títulos do Tesouro IPCA têm parte de sua remuneração atrelada ao índice e a outra parte se refere a uma taxa prefixada. Dessa forma, essa se torna uma opção interessante para quem quer investir e ter rentabilidade acima da inflação, especialmente no longo prazo.

Outras modalidades que também podem estar atreladas ao IPCA são:

- Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

- Fundos de Investimento

Resumo: ficha técnica do IPCA

Para resumir as principais características desse índice, veja abaixo uma ficha técnica sobre o IPCA:

- Para que ele serve?

Monitora o custo de vida da população brasileira e é utilizado como indicador oficial de inflação pelo governo brasileiro.

- Qual é sua abrangência?

Os dados são coletados nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

- Quais setores são incluídos em seu cálculo?

Seu cálculo engloba os custos com moradia, alimentação, transporte, vestuário, educação, saúde, artigos para casa, despesas pessoais e comunicação.  

- Quando informações são coletadas?

A coleta de dados para medir o IPCA ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês.

- Quem é responsável pela apuração deste índice?

O órgão responsável é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- Qual é a periodicidade do índice?

A atualização dos valores do IPCA é mensal.

Para conhecer outros índices fundamentais para a economia brasileira, veja também:

- IGP-M