Operações de crédito somaram R$3,5 tri em dezembro

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Operações de crédito somaram R$3,5 tri em dezembro (Foto: Pexels) Operações de crédito somaram R$3,5 tri em dezembro

Em dezembro, o crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$10,3 trilhões (141,7% do PIB), crescendo 0,7% no mês, com expansões de 2,2% em títulos de dívida e de 1,6% nos empréstimos e financiamentos, enquanto a dívida externa recuou 3,9%, acompanhando a apreciação cambial de 4,6%, segundo dados do Banco Central (BC). 

No ano, o crédito ampliado cresceu 8,9%, resultado de expansões de 14,5% nos títulos de dívida, de 6,6% em empréstimos e financiamentos e de 2,3% na dívida externa. 
O crédito ampliado a empresas e famílias situou-se em R$5,7 trilhões (79,2% do PIB), com aumentos de 0,6% no mês e de 8,3% em doze meses. Em dezembro, o saldo de títulos de dívida cresceu 3,3% (35,3% no ano), destacando-se as expansões em emissões de debêntures e instrumentos securitizados. Os empréstimos e financiamentos cresceram 1,6% em dezembro (6,8% no ano). O estoque de captações externas recuou 3,4% no mês, principalmente em razão da variação cambial, e cresceu 0,4% no ano.


Operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro nacional (34% do crédito ampliado) somou R$3,5 trilhões em dezembro de 2019, com expansão de 1,6% no mês, refletindo elevações de 1,8% em pessoas jurídicas (saldo de R$1,5 trilhão) e de 1,5% em pessoas físicas (R$2 trilhões). No ano, a carteira total cresceu 6,5% (5% no ano anterior), com expansões de 11,7% no crédito às famílias e de 0,2% no crédito às empresas. A relação crédito/PIB atingiu 47,8%, com elevação anual de 0,5 p.p.
A expansão do crédito refletiu o desempenho das instituições privadas, cuja carteira cresceu 15,7% no ano. O saldo das instituições públicas recuou 2,2%. Em consequência, a participação das instituições privadas no volume total de crédito do SFN aumentou de 49% para 53% em 2019. 

O saldo das operações com recursos livres alcançou R$2 trilhões (+3,1% no mês), com expansão de 14,1% no ano (+10,7% no ano anterior). O crédito a pessoas físicas atingiu R$1,1 trilhão (+1,9% no mês, +16,6% em doze meses), destacando-se, na variação mensal, as operações de cartão à vista, veículos e crédito consignado. Nas pessoas jurídicas, o crédito livre atingiu R$905 bilhões, com aumentos de 4,6% no mês e 11,2% no ano, sobressaindo, em dezembro, o desconto de duplicatas e recebíveis, a antecipação de faturas de cartão e os empréstimos de capital de giro. Declinaram os saldos das modalidades impactadas pela apreciação cambial (notadamente repasses externos e financiamentos a exportações). 

O crédito direcionado alcançou R$1,5 trilhão no final de 2019, com retrações de 0,4% no mês e de 2,4% no ano (-0,9% em 2018). Nas operações para pessoas físicas (R$902 bilhões), o crescimento no mês e no ano (+0,9% e +6,3%, na ordem) foi sustentado pelos créditos rural e imobiliário. O saldo de crédito às empresas com recursos direcionados (R$563 bilhões) seguiu em retração: -2,3% no mês e -13,6% no ano. 

As concessões de crédito totais somaram R$429 bilhões em dezembro, crescendo 16,9% no mês. Na série dessazonalizada, crescimento de 2,3% (+3,3% em pessoas físicas e +0,6% em pessoas jurídicas). No ano, relativamente a 2018, elevações de 13,4% nas concessões totais, de 14,7% no segmento de famílias e de 11,8% no crédito às empresas.

O Indicador de Custo de Crédito (ICC), média do custo de toda a carteira do sistema financeiro, situou-se em 20,4% a.a. em dezembro (-0,5 p.p. mês e -0,1 p.p. no ano). No crédito livre não rotativo, redução anual de 2 p.p., para 26,8%. O spread geral do ICC situou-se em 14,5 p.p. (-0,4 p.p. no mês, +0,8 p.p. no ano).
A taxa média de juros das contratações de dezembro alcançou 23% a.a., com recuos de 0,9 p.p. no mês e de 0,2 p.p. em doze meses. O spread geral das taxas de juros das concessões situou-se em 18,4 p.p., com queda de 0,9 p.p. em dezembro e elevação de 1,4 p.p. no ano. 

No crédito livre, a taxa de juros atingiu 34% a.a., após reduções de 2,1 p.p. no mês e de 1,6 p.p. em doze meses. No crédito às famílias, taxa média de 47,3%, com queda de 2,8 p.p. no mês, destacando-se os recuos em crédito pessoal não consignado (-8,4 p.p.), cheque especial (-4,1 p.p.) e cartão rotativo regular (-6,7 p.p.). No crédito às empresas, redução de 0,8 p.p. em dezembro, para 16,5% a.a. Excluindo-se as operações rotativas, a taxa média de juros do crédito livre situou-se em 24,7%, recuando 1,3 p.p. no mês e 2,5 p.p. no ano.

Agregados monetários

A base monetária somou R$316,6 bilhões em dezembro, com elevações de 6,7% no mês e de 4,8% no ano. No mês, o papel-moeda emitido cresceu 10,3% (+5,9% no ano) e as reservas bancárias recuaram 14,9% (-3,2% em doze meses). Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, em dezembro, as operações com títulos federais foram expansionistas em R$127,6 bilhões (colocações líquidas de R$15,6 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$143,2 bilhões no mercado secundário). Foram contracionistas as operações do Tesouro Nacional (R$44 bilhões), as operações do setor externo (R$47 bilhões), as operações com derivativos (R$6,9 bilhões) e os depósitos de instituições financeiras (R$6,7 bilhões), que refletem variações nos saldos de recolhimentos compulsórios.

Os meios de pagamento restritos (M1) alcançaram R$441,3 bilhões, com aumentos de 9,9% no mês e de 7,6% no ano, ocorrendo, em dezembro, expansões de 11,7% nos depósitos à vista e de 8,3% no saldo do papel-moeda em poder do público. Considerando-se dados dessazonalizados, o M1 avançou 1,2% no mês. O M2 atingiu R$3,1 trilhões (+3% no mês e +8,5% doze meses), refletindo aumentos mensais de 2% nos saldos dos títulos emitidos por instituições financeiras (R$1,8 trilhão) e de 1,9% nos depósitos de poupança (R$845 bilhões). No mês, as captações líquidas de depósitos a prazo situaram-se em R$29,3 bilhões e as de depósitos de poupança, em R$17,2 bilhões. O M3 cresceu 1,6% no mês e 7,5% no ano, totalizando R$6,8 trilhões, registrando, em dezembro, aumento nas operações compromissadas com títulos públicos e privados e estabilidade nas cotas de fundos monetários (R$3,5 trilhões). O M4 subiu 1,3% no mês e 7,1% no ano, situando-se em R$7,2 trilhões.

(Redação – Investimentos e Notícias)