PMI Composto do Brasil recua em abril

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PMI Composto do Brasil recua em abril (Foto: Pexels) PMI Composto do Brasil recua em abril

O Índice Consolidado de dados de Produção manteve a sua tendência descendente recente em abril, caindo para um nível de 26,5, em comparação com o de 37,6 registrado em março, segundo dados do Markit Economics. A leitura de abril foi a mais baixa na história da pesquisa até agora e refletiu quedas recordes para a pesquisa no que diz respeito à produção tanto no setor industrial quanto no de serviços.

Foi observada uma queda de dimensões semelhantes para a atividade nos volumes consolidados de novos negócios, que também caíram acentuadamente e ao ritmo mais rápido na história das séries. As restrições às movimentações nas empresas e dos consumidores, visando limitar a propagação do surto do COVID-19, pesaram fortemente em ambos os setores em abril.

As preocupações com o impacto futuro da pandemia COVID-19 na atividade de negócios a longo prazo pressionaram o grau de otimismo em abril, com o sentimento positivo tornando-se negativo, de um modo geral, e registrando um nível recorde de baixa para a pesquisa. Isto ajudou a explicar a perda de empregos no setor privado, que, em abril, foi a mais acentuada em quase quatro anos.

Por fim, os dados relativos aos preços mostraram tendências descendentes na inflação. Os custos de insumos continuaram a aumentar, mas ao ritmo mais lento em pouco menos de cinco anos e meio, enquanto que os preços cobrados aumentaram ligeiramente apenas e ao grau mais fraco desde fevereiro de 2019.

Serviços

Os dados da pesquisa de abril indicaram a intensificação do impacto da pandemia de coronavírus de 2019 (COVID-19) na atividade econômica. Em meio a relatos generalizados de fechamento de empresas e da deterioração da demanda, a atividade do setor brasileiro de serviços e a entrada de novos negócios caíram a taxas recordes para a pesquisa. O grau de pessimismo em relação ao futuro também se intensificou e, em parte, ajudou a explicar outra queda considerável nos níveis de empregos.
Em abril, o número básico Índice de Atividade de Negócios do setor de serviços, IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, caiu mais de sete pontos ao registrar 27,4.

Este valor ficou abaixo do de 34,5, observado em março, e indicou uma queda da atividade do setor de serviços que foi substancial e recorde para a pesquisa (os dados do PMI foram disponibilizados pela primeira vez em março de 2007).

Os entrevistados relataram, de forma esmagadora, que o fechamento de empresas em todo o Brasil, assim como restrições às atividades dos consumidores, significou que o volume de entrada de novos negócios caiu a uma taxa rápida e sem precedentes em abril. Com limitações semelhantes para viagens e para atividades no mundo todo, as vendas para clientes estrangeiros também caíram ao grau mais acentuado até hoje.

A queda acentuada no volume de novos trabalhos recebidos, tanto do mercado interno quanto vindos do exterior, levou a um acréscimo adicional na capacidade ociosa dos provedores de serviços. Este fato foi indicado por mais uma queda nos trabalhos pendentes, embora a taxa de contração tenha sido a mais fraca em pouco mais de dois anos.
Com o volume de trabalhos, no geral, diminuindo e as empresas demonstrando bastantes preocupações em relação ao futuro, os níveis de empregos foram reduzidos pelo segundo mês consecutivo. A taxa de contração também se acelerou, atingindo o seu nível mais acentuado desde maio de 2016.

As empresas indicaram também que os cortes de empregos refletiram a intenção de reduzir as despesas operacionais em suas unidades. Isto ajudou a explicar mais uma redução na taxa de inflação de preços de insumos em abril. Os dados mais recentes mostraram que os preços cresceram ao nível mais fraco em cinco anos e meio. Onde houve um aumento de custos, isso foi atribuído pelos provedores de serviços, em parte, a variações desfavoráveis de câmbio e ao aumento nos custos de equipamentos de proteção pessoal, como luvas descartáveis e desinfetantes para as mãos.

A redução acentuada da demanda por serviços levou várias empresas a oferecerem descontos. Renegociações com os clientes também foram relatadas como tendo resultado numa pressão descendente sobre as tarifas médias dos provedores brasileiros de serviços. A pesquisa de abril mostrou que a queda subsequente nos preços cobrados foi a primeira registrada pela pesquisa desde fevereiro de 2019.

Por fim, as empresas se mostraram profundamente preocupadas, não só com o impacto a curto prazo na atual atividade e nas operações de negócios devido à pandemia do COVID-19, mas também com a possibilidade de danos mais duradouros na economia. Os dados mais recentes mostraram que foi registrado, pelo segundo mês consecutivo, um grau de pessimismo em relação aos próximos doze meses, com o sentimento negativo se acelerando e atingindo um novo recorde para a pesquisa.

(Redação – Investimentos e Notícias)