PMI industrial do Brasil continuou a se fortalecer em março

  •  
PMI industrial do Brasil continuou a se fortalecer em março (Foto: Pexels) PMI industrial do Brasil continuou a se fortalecer em março

A saúde do setor industrial do Brasil continuou a se fortalecer em março, embora tenha havido uma ligeira perda de impulso no crescimento. Uma recuperação mais branda nos registros de pedidos causou uma expansão mais fraca e apenas ligeira no nível de empregos, ao mesmo tempo em que a queda contínua no volume de novos trabalhos para exportação se estendeu para quatro meses. Apesar disso, foram registrados aumentos mais fortes nos volumes de produção e nas compras de insumos. Ao mesmo tempo, os indicadores de preços indicaram um aumento das pressões inflacionárias.

De acordo com Pollyanna De Lima, economista principal da IHS Markit, a expansão súbita do setor industrial do Brasil mostrou alguns sinais de abrandamento em março, em meio à diminuição do crescimento da demanda e a uma abordagem cautelosa no que diz respeito à contratação junto às empresas. Mesmo assim, o PMI permaneceu bem dentro do território de crescimento pelos padrões históricos.

O Índice Gerente de Compras™ (PMI®) IHS Markit para o Brasil, sazonalmente ajustado, caiu de 53,4, recorde de alta de onze meses observado em fevereiro, para 52,8 em março. A leitura mais recente foi consistente com um sólido, embora mais lento, fortalecimento das condições de negócios em todo o setor. A quantidade de novos pedidos e o nível de empregos se revelaram obstáculos à aceleração do índice básico, ambos aumentando a taxas mais lentas em março.

“A produção teve um aumento acentuado e mais rápido, que foi acompanhado por uma aceleração no crescimento das compras de insumos. Essas tendências, combinadas com expectativas robustas de produção, sugerem que as empresas estão esperançosas de melhorias adicionais na demanda doméstica no curto prazo”, disse Pollyanna.

A recuperação no nível de empregos foi a mais fraca na atual sequência de três meses de expansão e foi apenas modesta. Ao mesmo tempo em que algumas empresas contrataram pessoal adicional devido ao crescimento da demanda e de uma necessidade mais elevada de mão de obra especializada, outras companhias cortaram suas contratações em meio a tentativas contínuas de redução de custos.
Apesar de ter se atenuado, o crescimento do volume de novos pedidos foi sólido e mais forte do que o observado, em média, em 2018.

As empresas mencionaram um nível de consumo mais elevado, conquistas de novos clientes e uma demanda interna mais forte como causas.

Por outro lado, a quantidade de vendas para exportação diminuiu pelo quarto mês consecutivo. Contudo, a desaceleração foi apenas marginal, com as empresas que obtiveram novos trabalhos – beneficiando-se do enfraquecimento do real – tendo contrabalançado parcialmente a contração observada naquelas que citaram uma demanda global contida.

O nível de produção do setor industrial brasileiro cresceu pelo nono mês consecutivo em março e ao ritmo mais rápido em um ano. Segundo os entrevistados, a recuperação refletiu uma entrada mais elevada de novos trabalhos, tentativas de aumento dos estoques e projeções otimistas de crescimento.

Parte dos bens produzidos em março foram estocados, como foi destacado por aumentos consecutivos no volume de armazenamento de produtos acabados. O crescimento foi modesto e atenuou-se em comparação com a metade do trimestre.

Os estoques de insumos também se expandiram e a um ritmo modesto semelhante ao de fevereiro. As evidências sugeriram que o crescimento do nível de estoques resultou de uma atividade de compras mais elevada.

A compra de insumos não só aumentou pelo quinto mês consecutivo, como também da maneira mais significativa em um ano. O ritmo de expansão foi acentuado.

Segundo os entrevistados, a inflação do preço de insumos aumentou devido à depreciação do real em relação ao dólar americano. O aumento nas cargas de custos foi o mais acentuado em cinco meses e ficou acima da média de longo prazo para as séries. Do mesmo modo, a inflação dos preços de venda atingiu um recorde de alta de cinco meses.

O otimismo em relação aos negócios permaneceu positivo, com os fabricantes prevendo uma expansão mais elevada das bases de clientes, investimentos em equipamentos e políticas públicas de apoio para impulsionar a produção durante os próximos doze meses.

(Redação – Investimentos e Notícias)