Resultado do IPCA abre espaço para mais uma redução nos juros, diz economista-chefe do Banco Inter

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Resultado do IPCA abre espaço para mais uma redução nos juros, diz economista-chefe do Banco Inter (Foto: Pexels) Resultado do IPCA abre espaço para mais uma redução nos juros, diz economista-chefe do Banco Inter

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na quarta-feira, 10, que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio foi de -0,38%, enquanto a taxa registrada em abril foi de -0,31%. Essa é a menor variação mensal desde agosto de 1998 (-0,51%). 

“O resultado veio em linha com nossa expectativa de -0,4% e desacelera a alta em 12 meses para 1,88%. A queda dos preços é a mais significativa de toda a série histórica para maio, refletindo a retração de demanda associada tanto aos efeitos do isolamento social quanto a um aumento da poupança dos indivíduos, em função das incertezas econômicas ligadas ao coronavírus”, disse a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco tiveram deflação em maio. O maior impacto negativo do mês, -0,38 ponto percentual (p.p.), veio dos Transportes, cuja queda de 1,90% foi menos intensa que a de abril (-2,66%). 

“A queda de preços foi generalizada, mas mais acentuada no grupo transportes. Até mesmo o grupo alimentos, que vinha apresentando maior variação, mostrou desaceleração em maio”, ressaltou Rafaela. Já o grupo Alimentação e bebidas (0,24%) desacelerou em relação a abril (1,79%). Os preços de itens como a cenoura (-14,95%) e as frutas (-2,10%) recuaram em maio, contribuindo para que a alimentação no domicílio passasse de 2,24% para 0,33%. 

Além disso, a economista destaca que o impacto deflacionário da crise do coronavirus abre espaço para mais uma redução nos juros. Conforme comunicado na última ata, o Copom deve reduzir os juros mais uma vez em junho e esperamos que indique que essa seja a última redução nesse ciclo. “A baixa inflação é a principal razão para a nova queda. Apesar de esperamos uma gradual recuperação econômica a partir do segundo semestre, as expectativas de inflação para os próximos 12 meses permanecem abaixo da meta, em cerca de 2,6%. O risco de um maior stress no mercado financeiro, como observado entre março e abril, foi reduzido, com reflexo na queda da taxa de cambio e também nas taxas de juros de longo prazo de mercado. No entanto, o BC já havia indicado que, diferentemente de países desenvolvidos com baixo risco fiscal, o espaço para novas quedas da Selic seria limitado considerando o atual patamar”, explicou Rafaela.

Por fim, ela destaca que apesar do recuo do dólar desde o pico em maio, a alta dos preços das commodities indica que a inflação deve deixar o território negativo nos próximos meses. Como já observado nos preços no atacado, a recuperação dos preços das commodities, principalmente do petróleo, deve contribuir para reversão da atual deflação. “Com isso, revisamos nossa expectativa para o IPCA em 2020 de 1,5% para 1,8%. Para 2020, esperamos que a retomada da atividade contribua para a aceleração da inflação para 3,2%, que ainda está abaixo da meta de 3,75%”, finalizou.

(Redação – Investimentos e Notícias)