Taxa Selic deverá encerrar 2019 em 5,00%, mostra BC

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Taxa Selic deverá encerrar 2019 em 5,00%, mostra BC (Foto: Pexels) Taxa Selic deverá encerrar 2019 em 5,00%, mostra BC

Indicadores recentes da atividade econômica sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira, anunciou o Banco Central (BC). O cenário do Comitê de Política Monetária (Copom) supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual. 

Dados mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu no segundo trimestre de 2019 em relação ao trimestre anterior (dados com ajuste sazonal), após dois trimestres de relativa estabilidade. Sob a ótica da oferta, o resultado do segundo trimestre refletiu avanços na indústria e nos serviços, parcialmente compensados por recuo na agropecuária. Do lado da demanda, o consumo das famílias mostra a resiliência desse componente, que registrou o décimo crescimento consecutivo, enquanto a formação bruta de capital fixo (FBCF) voltou a crescer, recuperando-se da queda registrada nos últimos dois trimestres. 

Segundo o BC, o resultado do PIB no segundo trimestre de 2019 contribuiu para elevação da projeção central de crescimento no ano, de 0,8% para 0,9%. Para 2020, ainda com elevado grau de incerteza, projeta-se crescimento de 1,8%. 

A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego. 

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem. 

Não obstante, a economia brasileira apresenta maior capacidade de absorver eventual revés no cenário internacional, devido ao seu balanço de pagamentos robusto, à ancoragem das expectativas de inflação e à perspectiva de continuidade das reformas estruturais e de recuperação econômica. 

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%, 3,8%, 3,75% e 3,5%, respectivamente. O Copom avalia que diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária. 

No que se refere às projeções condicionais de inflação, no cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. 

Esse cenário supõe trajetória de taxa Selic que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$3,90/US$ e permanece nesse patamar até o final de 2020. 

No cenário com taxa Selic constante a 6,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,05/US$ , as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020. No cenário híbrido com trajetória de taxa Selic da pesquisa Focus e taxa de câmbio constante, as projeções para a inflação situam-se ao redor de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020. 

As projeções apresentadas utilizam o conjunto de informações disponíveis até a reunião do Copom realizada em 17 e 18.9.2019 (225ª reunião). Para os condicionantes utilizados nas projeções, em especial os advindos da pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central do Brasil, a data de corte é 13.9.2019, a menos de indicação contrária. Em sua reunião mais recente (225ª reunião), o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 5,50% a.a.

O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o anocalendário de 2020. 

Na ocasião, o Comitê comunicou que seu cenário básico para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma eventual frustração em relação Setembro 2019 \ Banco Central do Brasil \ Relatório de Inflação \ 9 à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes. 

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva. 

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreveu ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual. O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo. O Copom reitera que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e enfatiza que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

(Redação – Investimentos e Notícias)