Fundos de ações que investem no exterior rendem mais que aplicações nacionais

  •  
Fundos de ações que investem no exterior rendem mais que aplicações nacionais Foto: Divulgação Fundos de ações que investem no exterior rendem mais que aplicações nacionais

Mesmo com o recente recorde do Ibovespa, que fechou acima dos 100 mil pontos pela primeira vez na história, o desempenho da Bovespa tem estado muito aquém de outras bolsas de valores pelo mundo, como as americanas, europeias e asiáticas. Com isso, fundos de ações que atuam somente no Brasil ficaram muito atrás de fundos de ações sediados no país, mas que aplicam nas bolsas internacionais.

“Nos últimos dois anos, os fundos internacionais se descolaram totalmente dos nacionais, em grande parte beneficiados pela desvalorização do real, mas não somente isso. A verdade é que o Ibovespa foi um mal ativo desde 2011 e só recentemente superou, em valores nominais, as máximas alcançadas naquela época. Isso se deve aos problemas que as empresas brasileiras sofreram nesta década, com a baixa competitividade da economia brasileira, baixo crescimento e redução nos preços internacionais das commodities. O ponto crucial é que não existem tantos motivos para acreditar que nos próximos 10 anos o índice da Bovespa terá melhor desempenho que os das bolsas internacionais”, explica Fernando Araújo, gestor dos fundos FCL Opportunities, que aplica no exterior, e FCL Hedge, que atua nos mercados nacionais.

O fundo de ações FCL Opportunities, por exemplo, que tem posições em bolsas americanas, europeias e asiáticas, acumula 60% de rentabilidade desde seu lançamento, em 30 de janeiro de 2017. Esta performance, considerando todo o período, está bem acima de seu benchmark, o índice MSCI ALL Country world Index. A título de comparação, o Ibovespa, nos últimos 10 anos, vem tendo desempenho muito inferior ao de índices como S&P500 e MSCI ALL Country Index.

Até cinco anos atrás, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não permitia que fundos de ações nacionais atuassem no exterior. Para aproveitar os bons momentos das economias internacionais, era preciso abrir conta em outros países, enviar remessas de dinheiro e gerir as aplicações, além de prestar atenção na correta declaração dos valores perante a Receita Federal e o Banco Central, quando necessário. Hoje, com a flexibilização da regra pela CVM, fundos de ações sediados no Brasil com atuação em bolsas internacionais oferecem diversas vantagens para os investidores brasileiros qualificados.

“Há vantagens financeiras – pois a taxa de câmbio que o fundo negocia é bem mais atrativa do que um investidor pessoa física conseguiria – e há vantagens regulatórias, pois o processo de enviar uma remessa para o exterior não é trivial para pessoas físicas e a declaração de imposto de renda é bem mais simples, já que, ao aplicar num fundo sediado no Brasil, o contribuinte não possui ativos em outras jurisdições. Outro ponto importante é a gestão profissional desse dinheiro lá fora, pois é preciso uma estratégia consistente de investimento para multiplicar este capital”, conclui Fernando Araújo.

(Redação - Investimentos e Notícias)