Cenário político no pré-impeachment ainda preocupa empresariado, aponta pesquisa IDE-FGV

  •  
Somente 2% dos 404 líderes empresariais presentes em Almoço-Debate LIDE acreditam que a presidente afastada Dilma Rousseff será absolvida pelo Senado Foto: Divulgação Somente 2% dos 404 líderes empresariais presentes em Almoço-Debate LIDE acreditam que a presidente afastada Dilma Rousseff será absolvida pelo Senado

Apesar das mudanças promovidas pela presidência interina de Michel Temer, o empresariado se mantém preocupado com o Cenário Político (90%), muito provavelmente devido à instabilidade no período que antecede o julgamento de impeachment pelo Senado Federal da presidente afastada, Dilma Rousseff, previsto para o fim de agosto. É o que aponta a 116ª edição da Pesquisa Clima Empresarial LIDE-FGV, realizada com 404 CEOs, presidentes e outros líderes corporativos presentes no Almoço-Debate realizado nesta segunda-feira (8), em São Paulo. Já a Inflação é preocupante para 8% dos entrevistados, seguida do Câmbio (1%) e Crise Internacional (1%).

O levantamento coordenado por Fernando Meirelles, presidente do LIDE Conteúdo e professor titular da Fundação Getulio Vargas-Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV-EAESP), foi apresentado no final do evento que contou com exposição do ministro da Saúde, Ricardo Barros. Questionados sobre a eventual condenação de Dilma Rousseff pelo Senado, somente 2% dos líderes empresariais acreditam que a presidente afastada será absolvida. Calculado pela FGV, o índice da pesquisa é uma nota de 0 a 10, resultante de três componentes com o mesmo peso: governo, negócios e empregos.

Para o empresariado, o Cenário Político (58%) também está entre os fatores que impedem o crescimento das empresas (em julho, era 59%; em junho, 62%), seguido da Carga Tributária (24%), Nível de Procura (13%) e Taxas de Juros (5%). Segundo a pesquisa, a Política (36%) é a área que mais precisa melhorar, seguida de Educação (33%), Infraestrutura (17%), Saúde (9%) e Segurança (5%).

Nesta edição de agosto, os governos obtiveram índice de eficiência gerencial de 3,7 para a esfera federal (em agosto, também era 3,7, já com Temer, e em abril era 0,3, durante a gestão Dilma); 5,1 para estadual (no âmbito do Estado de São Paulo; ante 5,3 em julho) e 1,5 para a municipal (relativa à capital paulista, em julho era 1,4).

A pesquisa mostra, também, contínua elevação do índice de clima empresarial: 4,5 (ante 4,3 em julho, já na gestão do presidente interino Michel Temer, e frente à média de 2,2 obtida ao longo dos Almoços-Debates realizados em 2015, ao longo da gestão Dilma Rousseff). Para 35% dos empresários, a situação atual dos negócios piorou (em junho o índice era superior, 44%, e em julho, 36%); para 43% dos líderes, vai ficar igual (frente a 45% de julho); e 22% disseram que haverá melhoras (ante 19% de julho e 15% de junho).

O Brasil voltará a crescer em 2017 de acordo com 45% dos entrevistados (em julho, era 33%); para 42% somente em 2018 (51% no mês anterior); 7%, em 2020 (mesmo percentual da edição anterior); 4% em 2019 (7% em julho); e 2%, ainda neste ano (percentual similar ao mês precedente). Quanto às contratações, 22% dos líderes empresariais pretendem empregar neste ano (em julho eram 23%); 56%, manter o quadro atual de empregos (no mês anterior, era 55%); e 22%, demitir (frente 23% de julho).

(Redação - Agência IN)