Cinco pontos sobre a taxa de juros do Fed

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Cinco pontos sobre a taxa de juros do Fed Foto: Divulgação

O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) aumentou nesta quarta-feira, pela primeira vez em nove anos, sua taxa de juros que era quase nula, a fim de sustentar a maior economia do mundo.

Confira abaixo cinco elementos cruciais sobre a principal ferramenta do Fed:

O que é a taxa básica?

A "taxa dos fundos federais" (Federal Funds Rate) determina o preço do dinheiro no curto prazo, ou seja, os juros que os bancos cobram entre si por empréstimos de um dia para outro. Ela influencia todas as outras taxas de juros, já que os bancos repassam-na para seus créditos, cartões e empréstimos hipotecários.

Seu aumento ou sua redução desencadeiam imediatamente uma ampla gama de repercussões, afetando os juros de curto e de longo prazo dos bancos, e as taxas de câmbio, assim como vários indicadores macroeconômicos, entre eles o emprego e os preços ao consumidor.

Por que ajustá-la?

O Fed pode baixar a taxa para estimular o gasto e o investimento a fim de estimular a economia, ou aumentá-las para evitar um sobreaquecimento ou a inflação.

Após um aumento considerável dos preços em 1979-1980, o Fed elevou sua taxa básica a 20% para conter a inflação e desacelerar a economia americana.

Depois da forte desaceleração da economia nos anos 2000, com o estouro da bolha de Internet, o Fed reduziu regularmente sua taxa para que o país recuperasse o crescimento. Ao fazer isso, contudo, contribuiu para o crescimento da bolsa imobiliária.

O último aumento dos juros nos Estados Unidos remonta a junho de 2006, quando o Fed tentava acalmar o mercado imobiliário, que explodiria dois anos depois com a crise dos créditos de risco, os chamados "subprimes".

Nesta quarta-feira, a taxa ficou entre 0,25% e 050%.

Por que era tão baixa?

Quando a economia americana começou a cair em 2007, o Fed reduziu seus juros de forma gradual em 10 etapas, de 4,75% em setembro de 2007 para um nível sem precedentes de 0 a 0,25%, em 16 de dezembro de 2008. O objetivo era evitar um colapso do sistema financeiro após a quebra do banco Lehman Brothers.

Isso depois de as taxas terem sido mantidas em quase zero para estimular a economia americana na mais profunda recessão conhecida pelo país em oito décadas. Agora que já voltou a crescer, muitos acreditam em que esses juros baixos não se justificam mais.

Para sair da crise, o Fed também tomou medidas extraordinárias para a flexibilização do crédito, dotando o sistema financeiro de liquidez com a compra de bônus do Tesouro para que os bancos continuassem emprestando. O Banco do Japão e o Banco Central Europeu seguiram o mesmo caminho.

Vantagens e inconvenientes dos juros 0%

Taxas de juros muito baixas permitem facilitar a circulação do crédito na economia, estimulando principalmente setores-chave como o imobiliário e o automotivo. Essa estratégia foi bem aproveitada por Wall Street, assim como nos mercados emergentes, e se transformou no objetivo dos investidores em busca de uma maior rentabilidade.

O lado negativo é que os juros baixos não incentivam a poupança nesses lugares, onde os rendimentos se tornam nulos. Alguns acreditam que eles abrem caminho para a inflação e para a formação de uma bolha financeira.

Qual é o nível "normal"?

Os diretores do Fed expressaram claramente seu desejo de tornar os juros "normais". O Fed disse nesta quarta-feira que espera taxas de 1,4% para o fim de 2016. A meta é de 3% em dois anos, um aumento que dependerá dos níveis de emprego e de inflação nos Estados Unidos.

(Redação - Agência IN)