Em março, IPCA fica em 0,43%, aponta IBGE

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Em março, IPCA fica em 0,43%, aponta IBGE Foto: Divulgação Em março, IPCA fica em 0,43%, aponta IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA do mês de março apresentou variação de 0,43%, menos da metade da taxa de 0,90% de fevereiro, conforme divulgado nesta sexta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Desde 2012, com o IPCA de 0,21%, não havia registro de resultado mais baixo nos meses de março. Considerando o primeiro trimestre do ano, o índice situa-se em 2,62%, percentual inferior aos 3,83% registrados em igual período de 2015. Na ótica dos últimos doze meses, a taxa desceu para 9,39%, abaixo dos 10,36% relativos aos doze meses imediatamente anteriores. Em março de 2015, o IPCA havia ficado em 1,32%, a maior taxa desde fevereiro de 2003 (1,57%).

Alimentação e Bebidas, grupo com peso de 25,52%, o maior no orçamento das famílias, apresentou variação de 1,24% e dominou o IPCA do mês, com impacto de 0,32 p.p., respondendo por 74% do índice.

No grupo Alimentação e Bebidas (1,24%), a maior variação ficou com a região metropolitana de Porto Alegre, onde a alta chegou a 2,15%. Em relação aos itens pesquisados, os alimentos comprados para serem consumidos em casa aumentaram 1,61%, enquanto a alimentação fora de casa ficou em 0,55%.

Isoladamente, o item “frutas”, com alta de 8,91%, deteve o principal impacto do mês, 0,10 p.p.. Além disso, foram registrados aumentos expressivos na cenoura (14,52%), no açaí (13,64%), no alho (5,70%), no leite (4,57%), no feijão-carioca (4,10%), entre outros.

Do lado das quedas, o tomate se destaca, por estar 7,43% mais barato.

Juntos, os demais oito grupos exerceram impacto de 0,11 p.p., respondendo por apenas 26% do índice do mês. Neles, os principais itens em alta foram: Tv, Som e informática à 2,08%; Etanol à 2,07%; Motocicleta à 1,94%; Artigos de limpeza à 1,74%; Cigarro à 1,48%; Cabeleireiro à 1,29%; Artigos de higiene pessoal à 1,25%; Roupa feminina à 1,19%; Plano de saúde à 1,06%; Eletrodomésticos à 1,03%; Emplacamento e licença à 0,76%; Empregado doméstico à 0,72%; Calçados à 0,72%; Mão de obra pequenos reparos à 0,64%; Cursos regulares à 0,62%; Gasolina à 0,59%; Condomínio à 0,58%, e Conserto de automóvel à 0,51%.

O cigarro, com alta de 1,48%, refletiu reajustes e reduções ocorridas em determinadas marcas e áreas, ao longo dos meses de fevereiro e março, conforme a seguir:

01 de fevereiro – reajuste médio de 15% sobre os preços de marcas específicas nas regiões de Belo Horizonte, Recife, Brasília, Fortaleza, Salvador, Curitiba e Goiânia;

16 de fevereiro – reajuste médio de 15% em São Paulo e Campo Grande;

21 de fevereiro – reajustes entre 3% e 17% em algumas marcas em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, aliados à reduções entre 4% e 7% em marcas de outras regiões pesquisadas;

29 de fevereiro – redução de 6% em marca comercializada em São Paulo;

07 de março – redução média de 6% sobre os preços de marcas comercializadas em São Paulo e Rio de Janeiro;

14 de março – redução média de 4% em marcas específicas de Porto Alegre, Brasília, Goiânia e Campo Grande;

28 de março – reajuste de 3% em marcas de Curitiba.

Em contraposição às altas, itens importantes mostraram-se em queda ou reduziram a taxa de crescimento de preços de um mês para o outro. O principal foi o item energia elétrica, cuja queda de 3,41% gerou o mais expressivo impacto para baixo, -0,13 p.p..

Isto se deve à redução na cobrança extra da bandeira tarifária que, a partir de primeiro de março, passou dos R$ 3,00, da bandeira vermelha, para R$1,50, da bandeira amarela, por cada 100 kilowatts-hora consumidos. As contas ficaram mais baratas em todas as regiões pesquisadas em razão, também, da redução no valor das alíquotas do PIS/COFINS ocorrida na maioria delas. Com as contas mais baratas em 8,55%, a região metropolitana de Salvador se destaca.

Outros itens sobressaíram-se com queda de preços: Gás de cozinha à -0,42%; Taxa de água e esgoto à -0,43%; Excursão à -2,49%; Telefone celular à -2,71%; Telefone fixo à -2,89%, e Passagem aérea à -10,85%.

A respeito da taxa de água e esgoto, a variação de -0,43% foi influenciada pela região metropolitana de São Paulo, com -2,99% no item, diante da aplicação do fator de 0,78 à média de consumo para fins do cálculo do bônus tarifário concedido através do Programa de Incentivo à Redução do Consumo de Água. A aplicação do fator de 0,78% foi autorizada pela deliberação ARSEP nº 615, de 23 de dezembro de 2015.

Por outro lado, na região metropolitana de Recife, o item taxa de água e esgoto apresentou alta de 3,92% tendo em vista o reajuste de 10,69%, em vigor a partir do dia 20 de março. Já em Porto Alegre, a variação de 0,46% refere-se a um resíduo decorrente do reajuste de 10,54%, vigente desde o dia primeiro de fevereiro.

No caso da telefonia, a queda de 2,71% no celular deve-se à redução das tarifas de determinada operadora, enquanto o fixo ficou em -2,89%, com a redução em 22% nas tarifas das ligações de fixo para móvel.

O grupo Educação passou de 5,90% para 0,63% de fevereiro para março, deixando para trás a concentração de reajustes ocorridos nas mensalidades escolares deste ano letivo.

Sobre os índices regionais, o maior foi o da região metropolitana de Fortaleza, com 0,72%, pressionado pela alta de 6,93% dos cursos regulares, que têm data de reajuste diferenciada das demais regiões. O menor índice foi o da região metropolitana de Salvador, que ficou em -0,14% em razão, principalmente, da queda de 8,55% no item energia elétrica, além do preço do litro da gasolina, que ficou 2,41% mais barato.

Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados no período de 01 a 30 de março de 2016 (referência) com os preços vigentes no período de 29 de janeiro a 29 de fevereiro de 2016 (base). O IPCA, calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília.

(Redação - Agência IN)