Governo brasileiro espera atrair mais investimentos do exterior

  •  
Governo brasileiro espera atrair mais investimentos do exterior Foto: Divulgação Governo brasileiro espera atrair mais investimentos do exterior

A economia brasileira está em plena recessão e o governo explora todas as possibilidades de saída. Enquanto a série de notícias internas são decepcionantes, os gestores também voltam sua atenção para o exterior. A presidente Dilma Roussef participou de um encontro com executivos americanos e brasileiros em sua visita aos EUA na semana passada enquanto o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, falou em à frente investidores americanos em um evento em Nova Iorque sobre a fase transitória que o país está superando.

A reaproximação das relações entre os dois países não é mera coincidência. Mesmo com todas as revelações sobre a espionagem dos serviços de inteligência americana, o governo petista tem que reconhecer que não sairá sozinho desta recessão que produzirá uma diminuição de 1,5% do PIB em 2015. Junto com a crescente inflação que se aproxima dos 9% e o aumento inesperadamente alto do desemprego em maio com 116 mil menos empregados, fica nítido que não há avanço sem impulsos externos. 

Esta tarefa não será fácil já que há outros focos de atenção para os investidores internacionais. Com muito interesse, eles esperam a solução da tragédia grega que ainda sempre aparenta chegar ao fim, somente para em seguida retomar a ação. Por outro lado, existe um mercado muito mais atraente do que o sul-americano, o asiático por exemplo. As taxas de crescimento econômico ainda são notáveis e há muitos desejos consumistas a satisfazer no continente com a maior concentração populacional.

Desta forma e com as notícias negativas incessantes do Brasil, não surpreende o resultado de uma pesquisa realizada pela Ernst & Young. Entre os 1600 gestores internacionais ouvidos, o pessimismo e a desconfiança ganham força. Quase a metade dos entrevistados para a pesquisa, não acredita em uma rápida recuperação da economia brasileira. Somente um em cada 6 questionados acredita que haverá criação adicional de empregos ainda este ano. A atenção das companhias devem se focar no aumento da produtividade através do corte de gastos e a subsequente conquista de crescimento no mercado.

Apesar de todo pessimismo, a crise também apresenta chances para investidores e especuladores em curto prazo. O contínuo aumento da inflação poderá forçar o Banco Central a elevar os juros acima do patamar de 15% ainda este ano, aumentando as possibilidades de lucro em curto prazo através de exploração de diferenciais de juros. Os custos de transação e impostos sobre elas podem ser compensados pelos possíveis ganhos, supondo que a cotação do dólar não tenderá mais a subir.

Desde maio, o valor do dólar se estabilizou perto de R$3,15 como mostra o site dolarhoje.com.br após um rápido surto em março com seguinte reviravolta em abril. Operando sob a suposição de que a economia brasileira já atingiu o fundo da recessão e sem taxas de crescimento milagrosas da economia americana, há motivo para acreditar que o câmbio não piorará. Investidores em longo prazo que pretendem expandir ou iniciar seus negócios podem reconhecer a chance de fazer seus investimentos em um momento quando sua moeda ainda está mais valorizada.

Esta clientela é o alvo dos políticos brasileiros nos EUA. A presidente espera dobrar os investimentos diretos americanos dentro de cinco anos. O atual volume de 15 bilhões dólares deve crescer até 30 bilhões em 2020. Mesmo que não houver divulgação de resultados imediatos da viagem da presidente e seus ministros, a iniciativa de atração de recursos não pode demorar mais. A economia brasileira está em uma situação em que precisa de diversos estímulos e acontecimentos ao mesmo tempo para superar a presente recessão.

(Redação - Agência IN)