Governo Tsipras enfrenta greve geral contra austeridade

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Governo Tsipras enfrenta greve geral contra austeridade Foto: Divulgação Governo Tsipras enfrenta greve geral contra austeridade

O primeiro-ministro de esquerda Alexis Tsipras enfrenta nesta quinta-feira a primeira greve geral desde que chegou ao poder em janeiro, um movimento convocado pelos sindicatos contra as novas medidas de austeridade exigidas pelos credores da Grécia.

A greve, de 24 horas, recebeu o paradoxo apoio do partido de Tsipras, Syriza, que denunciou "as políticas antissociais" exigidas pela União Europeia, pelo FMI, pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Fundo Europeu de Estabilidade.

Cerca de 20.000 manifestantes protestaram pouco antes do meio-dia (horário local) em Atenas e cerca de 8.000 em Tessalônica (norte).

Perto da praça Syntagma da capital, cerca de 150 jovens com barras de ferro e pedaços de mármore atacaram estabelecimentos comerciais, pontos de ônibus e incendiaram um veículo da companhia de telecomunicações OTE, antes de a polícia agir com gases lacrimogêneos e bombas de efeito moral, testemunhou a AFP.

A greve contra o aumento de impostos e os projetos de reforma do sistema de aposentadoria paralisou os serviços públicos e o sistema de transportes, incluindo os aéreos, com dezenas de voos domésticos cancelados.

O funcionamento dos hospitais se limitou aos serviços de emergência e os museus e locais arqueológicos permaneceram fechados.

A greve também contou com a ampla adesão dos jornalistas.

"Lutamos contra medidas governamentais que perpetuam relações sociais dignas da Idade Média", afirmou o sindicato GSEE, do setor privado.

Em Atenas, a primeira marcha do dia foi organizada pelo sindicato PAME, próximo ao Partido Comunista (KKE), com cerca de 10.000 participantes, segundo estimativas da polícia.

Depois protestaram cerca de 2.000 pessoas das centrais GSEE e Adedy (setor público), com um caixão sobre o qual estava escrito "Trabalhadores, Técnicos, Comerciantes".

Outra manifestação, de partidos e movimentos de esquerda, reuniu aproximadamente 4.000 pessoas, incluindo os grupos de jovens rebeldes.

Missão de credores

A greve coincide com a presença em Atenas de uma missão de supervisão das reformas prometidas pela Grécia em julho. Em troca, o país recebeu um resgate de 86 bilhões de euros, valor que será pago em três anos.

Esse foi o terceiro resgate, depois dos de 2010 e 2012 por um total de 240 bilhões de euros, condicionados a remédios de austeridade que segundo o parecer geral na Grécia quase mataram o paciente.

O desemprego teve em setembro uma queda de meio ponto percentual, mas continua atingindo quase um quarto da população ativa (24,6%) e quase a metade dos jovens (47,9%), segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira.

Tsipras, que chegou ao poder como líder do partido Syriza com um programa anti-austeridade, renunciou em agosto, mas foi reeleito em setembro com uma maioria à margem da ala mais radical de seu partido, que critica sua mudança de política.

Agora o primeiro-ministro enfrenta novas pressões para aprovar outras medidas impopulares, sob pena de não receber a próxima parcela do resgate, de dois bilhões de euros.

As discussões giram ao redor especialmente das estimativas dos preços máximos das casas cujos proprietários não poderão ser desalojados por falta de pagamento das hipotecas.

Tsipras espera uma certa clemência dos credores, para evitar um empobrecimento maior de uma população abalada por anos de recessão e ajustes.

Também há divergências sobre o tratamento da inadimplência dos bancos.

O ministro da Economia, George Stathakis, disse na quarta-feira à noite que um acordo pode ser fechado ainda nesta semana.

"Acho que fecharemos todos os temas no sábado", declarou.

Syriza: governo ou oposição?

Os novos ajustes contemplam cortes nas aposentadorias, para poder seguir financiando-as.

Altos funcionários deram a entender que haverá cortes superiores aos 1.500 euros mensais nas aposentadorias.

"Estou protestando porque o governo acha que somos bobos. Sou uma aposentada e não tenho a menor ideia do que me restará de aposentaria", disse Maria Athanassiadou, uma participante na marcha do GSEE, eleitora do Pasok (socialistas).

As concessões feitas por Tsipras dividem o seu partido.

O Syriza convocou a adesão à greve, denunciando "as políticas antissociais, de um neoliberalismo extremo".

Nas redes sociais o paradoxo foi ironizado.

"Estou confuso. Estamos protestando junto a Alexis para derrotar Tsipras, ou junto de Tsipras para derrotar Alexis?", questionou o internauta.

Tsipras alega que os ajustes representam um "penoso compromisso" e uma "retomada tática", para evitar a bancarrota do país e a saída da zona do euro. As informações são da AFP.

(Redação - Agência IN)