Inflação dobra entre janeiro e julho, aponta FecomercioSP

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Inflação dobra entre janeiro e julho, aponta FecomercioSP (Foto: Divulgação) Inflação dobra entre janeiro e julho, aponta FecomercioSP

Durante os sete primeiros meses do ano, a inflação dos preços de produtos e serviços dobrou se comparada com o mesmo período de 2014. De janeiro a julho de 2015, o crescimento médio dos preços foi de 0,98% ao mês, contra 0,49% no ano passado.

Dentre as nove categorias avaliadas na pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o segmento habitação foi o que apresentou a maior alta para o bolso do consumidor paulistano. De janeiro a julho deste ano, a variação desse grupo chegou a 16,73%. Em relação a junho, o crescimento foi de 2,42%.

A classe E, cujos rendimentos são inferiores à R$ 976,58, foi a mais impactada com esse aumento nos preços, uma vez que destina um quarto de sua renda para itens relacionados à habitação.
Alimentação e bebidas também figuram entre as maiores elevações, completando 11 meses de altas consecutivas. Em julho, o acréscimo foi de 0,71% ante a elevação de 0,48% apontada em junho. No período que compreende os meses de janeiro a julho, a variação foi de 6,61%.

Juntos, os gastos com habitação e com alimentação e bebidas respondem por quase 40% do total de consumo das famílias paulistanas, o que, claramente, evidencia uma necessidade de reorganização no orçamento doméstico. De acordo com a assessoria econômica da Entidade, a restrição do poder de compra, especialmente nas classes de renda mais baixa, é o primeiro reflexo a ser observado. Isso porque tais grupos contemplam itens essenciais que são considerados prioridade na hora dos pagamentos. 

Seguindo este processo inflacionário, outras atividades tiveram aumento mensal nos preços: saúde (0,70%); transportes (0,32%); artigos do lar (0,15%); despesas pessoais (0,45%); e comunicação (0,55%). Apresentaram queda na variação os itens de vestuário (-0,40%) e educação (-0,02%). No caso de vestuário, o recuo deve-se, ao menos em parte, segundo economistas, às liquidações realizadas no setor, em decorrência dos estoques elevados e da queda nas vendas.

A exemplo dos resultados de pesquisas anteriores, as classes de renda mais baixa são as mais afetadas com a alta dos preços. Na classe D, o indicador registrou, no mês, alta de 0,95%, seguida da classe E (0,93%) e da classe C (0,77%). Para essas camadas (com rendimentos até R$ 7.324,33), a elevação dos preços supera a média geral de 0,75%. Já nas demais, A e B, que possuem ganhos além desse valor, o CVCS encerrou o mês com aumento, respectivamente, de 0,58% e 0,69%.

De acordo com os economistas da FecomercioSP, os preços enfrentam um cenário de disseminação e persistência de altas, características típicas de um quadro inflacionário.

Os aumentos nas tarifas de água e energia permanecem como os maiores responsáveis na elevação do custo de vida do paulistano. Somado isso, verifica-se, mais uma vez, o impacto maior nas classes de renda mais baixa, que acabam sentindo 50% mais do que as outras, já que as maiores altas estão concentradas em itens essenciais e, por esse motivo, não podem ser eliminadas da lista de consumo das famílias. 

O Índice de Preços do Varejo (IPV), um dos indicadores que compõem o CVCS, registrou alta de 0,16% em julho, abaixo do 0,46% observado no mês anterior. Já no acumulado de 2015, o aumento foi de 5,01%. No mesmo período do ano passado, o indicador registrou variação mensal zero.

O grupo alimentação e bebidas liderou com a maior alta no mês (0,70%). Na comparação mensal, os destaques ficaram por conta do aumento dos preços da pêra (15,65%); azeitona (9,38%); mamão (9,18%); salmão (5,715); leite longa vida (5,41%); e milho verde em conserva (5,31%). Os produtos comercializados nesse setor acumulam 6,43% de elevação no ano.

Em segundo lugar, o item saúde e cuidados pessoais contribuiu com avanço de 0,21% na alta do IPV. Aparelho ortodôntico (1,06%) e higiene pessoal (0,52%) - com destaque para os produtos para o cabelo (1,95%) e para a unha (1,90%) - puxaram as maiores variações positivas.

Neste caso, a classe D, que possui rendimentos entre R$ 976,59 a R$ 1.464,87, é a mais atingida, já que destina parte relativamente maior do seu orçamento para itens de alimentação e saúde.

O Índice de Preços de Serviços (IPS) encerrou o mês de julho com alta de 1,37% com relação a junho, quando registrou 1,39%. No acumulado do ano, a variação é de 9,19%. O indicador apontou média mensal de 1,27% de alta entre janeiro e julho deste ano, praticamente três vezes mais do que os 0,46% registrados no mesmo período de 2014.

Das nove categorias analisadas, oito tiveram crescimento nos preços no mês, com exceção apenas de educação (0,0%). O protagonista das maiores altas foi o grupo habitação, que respondeu por 61% do total de elevação observada. Entre os serviços que mais pressionaram a atividade em julho, estão energia elétrica residencial (11,11%); conserto de refrigerador (3,40%); taxa de água e esgoto (2,25%); aluguel residencial (0,75%); reforma de estofado ( 0,70%); e gás encanado (0,51%).

O grupo que apresentou a segunda maior alta foi o de transportes, com variação de 0,98%. No acumulado de 2015, o crescimento foi de 2,71%.

Saúde e cuidados pessoais vêm em seguida, com aumento médio de 1,33% nos preços e variação positiva de 6,70% no acumulado do ano. As altas nos preços de plano de saúde (1,61%); hospitalização e cirurgia (1,43%) e exames de imagem (0,54%) contribuíram de forma contundente para o resultado do indicador.

(Redação – Agência IN)