Papel: Demanda per capita cresce em países emergentes

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Papel: Demanda per capita cresce em países emergentes Foto: Divulgação Papel: Demanda per capita cresce em países emergentes

Apesar dos desafios que a indústria de papel tem à frente, como a substituição dos papéis gráficos pelos meios digitais, a demanda mundial deve crescer 1,7% nos próximos anos, atingindo 496 milhões de toneladas em 2025, estima a Pöyry, multinacional finlandesa de consultoria e serviços de engenharia.

Esse aumento deve se concentrar nos países emergentes e, particularmente, na China, e se deve à ampliação da qualidade de vida e do poder aquisitivo da população, que estão impulsionando o crescimento da demanda por embalagens, papéis sanitários (tissue) e cartões. Em contrapartida, em países desenvolvidos se prevê um decréscimo do consumo, motivado pela diminuição na demanda do papel de imprensa e dos papéis de imprimir e escrever.

No caso do Brasil, o consumo per capita cresceu 10kg entre 2005 e 2013, ficando praticamente estável em 50kg per capita nos últimos quatro anos. “O crescimento futuro estará condicionado principalmente ao comportamento da economia, já que, no caso das embalagens, será fortemente influenciado pelo crescimento industrial, e no dos papéis sanitários, pelo crescimento do poder aquisitivo e do nível de vida da população em geral”, afirma Carlos Farinha e Silva, vice-presidente da Pöyry.

Já o mercado para a celulose dependerá de fatores como a importância crescente da Ásia como cliente e produtor, o avanço das tecnologias eletrônicas de transmissão e divulgação da informação, a lenta recuperação da União Europeia e a retomada da economia norte americana. “Em relação ao mercado asiático, a China, se apresenta como uma região chave, que determina o tamanho do crescimento da demanda incremental. Se, por um lado, a desaceleração da economia chinesa traz um viés negativo para o consumo, por outro, essa tendência pode ser contrabalanceada pelo desenvolvimento do consumo doméstico e o aumento do poder aquisitivo da população em geral”, observa o VP da Pöyry.

O suprimento de madeira de boa qualidade e a bom preço, resultado de plantações desenvolvidas com alta tecnologia, têm sido a base para assegurar a competitividade da indústria. Além disso, assegurar suprimento de matéria prima fibrosa é fundamental para o êxito e competitividade de empreendimentos que se caracterizam pelo uso intensivo de capital e de longa maturação, como são as novas linhas no “estado da arte” para a produção de celulose de mercado.

Enquanto novos empreendimentos entram no mercado mundial com custos operacionais competitivos, os custos brasileiros tendem a aumentar, dificultando a capacidade brasileira de competição. No entanto, a indústria brasileira de celulose de mercado tem buscado ativamente caminhos para se renovar e manter a sua liderança global. Entre algumas das iniciativas estão a procura por redução de custos internos; o desenvolvimento de novos produtos a partir da sua base florestal, como os biofuels ou a geração de energia extra para venda ou consumo consignado; a busca por formas comercialmente viáveis para desenvolvimento de produtos a partir da sua cadeia de produção, como fibras de carbono de lignina, derivados da celulose, nanotubos de celulose e celulose micro cristalina.

“A indústria brasileira de celulose e papel ganhou uma nova consciência da sua missão, deixando de focar exclusivamente nos seus produtos tradicionais e reorientando a sua atenção para a floresta como fonte diversificada de bens”, complementa Farinha e Silva, ao destacar que, um reflexo direto dessa política foi a criação da IBÁ (Indústria Brasileira d Árvores), que reúne empresas ligadas ao setor e que têm nas plantações de árvores a fonte primária de seus produtos. “Ainda é muito importante também a identificação e harmonização de linhas de interesse comum e sua defesa junto aos órgãos e autoridades competentes”, finaliza.

(Redação- Agência IN)