Paulistanos pedem fim dos descontos aos grandes consumidores, diz pesquisa

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Paulistanos pedem fim dos descontos aos grandes consumidores, diz pesquisa  Foto: Divulgação Paulistanos pedem fim dos descontos aos grandes consumidores, diz pesquisa

Está desenhado como as rachaduras das represas do Sistema Cantareira: a população de São Paulo considera o governador Geraldo Alckmin o principal responsável pela crise hídrica que atinge todo o Estado. Mais: os paulistanos pedem, em sua grande maioria, o fim dos descontos previstos nos contratos de demanda firme estabelecidos entre a Sabesp e 537 grandes consumidores de água. Este é um passo fundamental para que a gestão da crise passe a priorizar o abastecimento público.

Estas são as duas principais conclusões de pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a crise de abastecimento de água no Estado de São Paulo. A pesquisa, encomendada pelo Greenpeace, ouviu 524 pessoas no dia 26 de maio de 2015 em São Paulo – uma amostra representativa da população.

Em números exatos, 82% da população da capital paulista considera que, sim, o governo estadual é culpado pela situação que, apesar das chuvas de verão, está ainda pior do que no mesmo período do ano passado.

Em meio ao mais grave colapso no abastecimento da história de São Paulo, enquanto uma população de 20 milhões de pessoas é gravemente afetada pela falta de água e pelos aumentos na tarifa, a Sabesp privilegia uma minoria de grandes consumidores, como bancos, hotéis e shopping centers, por meio de contratos especiais. Essa prática concede descontos progressivos para quem consumir mais de 500 mil litros de água. Assim, quanto mais os grandes consumidores gastam água, menos pagam na tarifa.

“Essa é uma lógica insustentável - por estimular o consumo irresponsável - e injusta, por beneficiar atores de grande poder econômico em detrimento da população”, afirma Pedro Telles, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

Os resultados mostram que 78% dos paulistanos são contra esses contratos. Mesmo quando convidados a avaliar a ideia dos descontos em condições normais de abastecimento, sem falta de água, 59% dos entrevistados consideram a prática ruim ou péssima.

Esses dados demonstram a necessidade de o governo estadual e a Sabesp priorizarem o abastecimento da população. A permanência dos contratos em plena crise da água é o símbolo da injustiça política que trata o recurso meramente como mercadoria e não como direito básico de todo cidadão. Isso precisa acabar.

O governo do estado de São Paulo é diretamente responsável pelos contratos, já que é o órgão controlador da Sabesp, empresa de economia mista e responsável pelo abastecimento da população do Estado de São Paulo.

Com o lançamento da pesquisa, o Greenpeace busca aumentar a pressão da sociedade para que os responsáveis pela gestão pública mudem sua política em prol da coletividade. A organização também envia cartas ao governador Geraldo Alckmin e ao presidente da Sabesp, Jerson Kelman, apresentando os resultados e solicitando um posicionamento oficial em relação aos resultados.

As cartas pedem o fim imediato dos contratos de demanda firme, que possuem uma cláusula permitindo sua rescisão a qualquer momento. O estudo Datafolha demonstra, com clareza, que esta também é a vontade da população.

(Redação- Agência IN)