Temer diz que indivíduo não pode depender eternamente do Bolsa Família

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Foto: Fredy Uehara/Uehara Fotografia Temer diz que indivíduo não pode depender eternamente do Bolsa Família Foto: Fredy Uehara/Uehara Fotografia

Em sua palestra “Uma agenda para o Brasil”, o vice-presidente da República, Michel Temer, discorreu sobre os principais desafios atuais e, com otimismo, debateu sobre os caminhos a serem trilhados em 2015, quando se inicia o novo mandato da presidente Dilma Rousseff. Ética, desemprego, economia, reformas -política, partidária e fiscal -, e liberdade de expressão permearam o Almoço-Debate, promovido hoje pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, presidido por João Doria Jr., no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo.

João Doria Jr. apresentou o vice-presidente para uma plateia de 426 empresários como um homem de bem. “Temer tem qualidades como equilíbrio, saber ouvir, interpretar e executar, que, com certeza, ajudam o empresariado a ter uma interlocução privilegiada com o governo”, disse. “Passamos por um momento importante e difícil na política brasileira. Vale ressaltar que a eleição acabou e temos que lutar pelo Brasil, precisamos estar unidos pelas causas brasileiras e exercer nossos direitos na cidadania. Não nos cabe ser pessimistas. O voto de confiança deve ser dado, mas evidentemente temos que ser vigilantes”, afirmou o presidente do LIDE.

Na sua palestra, Michel Temer, advogado, doutor em Direito e presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), disse que a democracia tem dois momentos: o eleitoral – que antecede as eleições e quando há divergência e disputa entre aqueles que querem chegar ao poder; e o político-administrativo, pós-eleitoral, em que se deve buscar o bem comum. Temer destacou o quão importante é a oposição na democracia, que critica, pondera, observa, concorda. “A oposição ajuda a governar. O poder absoluto cria os maiores problemas. Temos de trabalhar com estes conceitos”, observou.

Sobre o desemprego, o vice-presidente da República afirmou que a taxa é compatível com a realidade brasileira. Lembra que mais de 30 milhões de pessoas ascenderam socialmente desde 1988 e que 56 setores da produção foram desonerados em aproximadamente R$ 80 bilhões. “A ausência de crescimento mais expressivo deveu-se a isso também. Para manter o emprego é necessário manter a produção. Estados e Municípios perderam arrecadação e estamos renegociando as dívidas”, explicou.

Quanto à autonomia da nova equipe econômica, Temer foi enfático: a nova equipe econômica terá autonomia, mesmo que tome medidas que não sejam populares, sempre com a anuência da presidente. “Precisamos nos preparar para praticar atos não populares hoje para produzir bons resultados amanhã”.

Temer discorreu também sobre a necessidade de reduzir juros e gastos governamentais, de se fazer uma reforma tributária e ter equilíbrio nos programas assistenciais. “Não adianta deixar o indivíduo eternamente dependendo do Bolsa Família. Por isso, privilegiamos o Ensino Médio de natureza técnica, formando mais de três milhões de pessoas para aumentar a empregabilidade. Outro passo na área da Educação é o Ciência sem Fronteiras em que 100 mil graduados e pós-graduados terão oportunidade de estudar em outros países para melhorar sua profissionalização”.

Otimista, Temer prevê mais investimentos no Brasil. “Não podemos romper com estabilidade institucional jamais vista. Crise administrativa, política e econômica não há. O grave é a crise institucional. Temos que olhar pra frente. Por vezes, vemos algumas pessoas pedindo intervenção militar a pretexto de fazer oposição. Ninguém quer. Estamos acostumados à contestação”.

Reforma política

Sobre a reforma política, o vice-presidente defendeu uma mudança na fórmula de financiamento de campanhas eleitorais. A proposta é que as empresas só façam doações a um único partido político. “Não é possível que se tenha simpatia por todos os candidatos”. Atualmente, existem 28 partidos representados no Congresso Nacional e outros 32 registrados. “Isso não enobrece a democracia, porque não temos hoje 32 correntes de opinião no País”, defendeu.

Ética e liberdade de expressão foram temas discutidos no evento. “Não há projeto de restrição à liberdade de expressão e não mexeria nisso neste momento. É preciso agir com firmeza no combate à corrupção de acordo com o que a lei e a constituição determinam”, finalizou.

(Redação- Agência IN)