PIB do agronegócio cresceu 4,28% de janeiro a outubro de 2016

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PIB do agronegócio cresceu 4,28% de janeiro a outubro de 2016 Foto: Divulgação PIB do agronegócio cresceu 4,28% de janeiro a outubro de 2016

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, estimado pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, apresentou crescimento de 0,30% em outubro, acumulando alta de 4,28% de janeiro a outubro de 2016. Entre os setores, o agrícola cresceu 0,43% no mês e segue em alta no acumulado do ano (5,41%). O setor pecuário apresentou estabilidade em outubro (crescimento de 0,03%), acumulando aumento de 1,87% em 2016.

Quanto aos segmentos do setor agrícola, insumos, primário e serviços apresentaram crescimento em outubro, de 0,29%, 1,21% e 0,35%, respectivamente. Já na indústria, a queda foi de 0,02%. No acumulado de janeiro a outubro, o movimento foi de alta para todos os segmentos, com elevação de 3,21% para insumos, de 9,83% no primário, de 2,93% na indústria e de 5,54% em serviços.

Na pecuária , foi verificado crescimento no segmento primário (0,16%) e quedas para insumos (-0,07%), indústria (-0,18%) e serviços (-0,04%). Ainda assim, no acumulado do ano, o crescimento é de 3,72% para insumos, 2,15% para primário, 0,52% para indústria e de 1,04% para serviços.

O segmento de insumos agropecuários registrou alta de 0,14% em outubro, acumulando crescimento de 3,43% de janeiro a outubro de 2016.

Entre as indústrias de insumos acompanhadas pelo Cepea, fertilizantes e adubos acumulam queda no faturamento anual, de 15,06%, motivada pela expectativa de redução na produção anual (-1,55%) e pelo recuo significativo de preços reais (-3,72%) no período de janeiro a outubro 2016 em comparação com mesmo período de 2015.

Para a indústria de rações, a variação no faturamento do ano foi positiva no acumulado do período, em decorrência dos aumentos da projeção da produção (de 1%) e dos preços (11,33%). Segundo o Sindirações, a elevação verificada nos preços foi motivada, principalmente, pela forte alta dos preços do milho e do farelo de soja no período, conforme destacado em relatórios anteriores.

Já para a indústria de combustíveis e lubrificantes, a estimativa de variação negativa do faturamento anual, de 17,30%, é resultado de preços 9,71% menores na comparação entre janeiro a outubro de 2016 com 2015 e da projeção de redução na quantidade produzida para o ano (-8,40%). Os dados negativos neste setor refletem a recessão da economia brasileira, uma vez que as vendas dos combustíveis no País (gasolina, etanol e diesel) têm se reduzido, conforme destacado anteriormente em outros relatórios.

O segmento primário do agronegócio cresceu 0,75% em outubro, com alta de 6,33% no acumulado de janeiro a outubro. Entre os setores, o segmento primário da agricultura acumulou crescimento de 9,83% no mesmo período. O resultado veio do impulso nos preços reais médios da agricultura, de 18,00%, visto que a expectativa é de redução na produção anual, de 4,24%, na média das atividades agrícolas acompanhadas pelo Cepea para a evolução do PIB.

O comportamento das culturas acompanhadas – com base nas estimativas anuais de safra e na relação entre os preços de janeiro a outubro de 2016 comparado ao mesmo período de 2015. Com base nas informações publicadas até o fechamento deste relatório, as lavouras que apresentaram crescimento no faturamento anual são: banana (47,46%), batata (29,07%), café (17,30%), cana-de-açúcar (15,90%), feijão (15,10%), laranja (37,16%), mandioca (115,09%), milho (23,37%), soja (4,45%) e trigo (33,39%).

Para o café, o aumento de 17,30% na renda esperada para o ano é reflexo da maior produção (18,81%), embora os preços tenham recuado 1,28% no período acompanhado, já descontada a inflação. Conforme destacado em relatórios anteriores, o aumento da produção cafeeira em 2016, segundo a Conab, está atrelado às maiores área e produtividade das lavouras de café arábica. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) destaca a agregação de áreas que estavam em formação e a renovação decorrente de podas. Já a elevação de produtividade é decorrente do clima favorável e do ciclo de bienalidade positiva na maioria dos estados para a produção do arábica. Cabe destacar que a produção brasileira de café robusta registra significativa queda, devido à seca em importantes estados produtores da variedade, como Espirito Santo, Rondônia e Bahia.

Para a cana-de-açúcar, a elevação das cotações reais (11,07%) junto com o aumento da expectativa de produção anual (4,35%) sustentaram a variação positiva no faturamento anual esperado. De acordo com a Conab, colaboraram neste contexto boas condições climáticas e umidade do solo verificadas em São Paulo, Paraná e regiões Nordeste, ainda que tenham sido verificadas retrações na produção em estados do Centro-Oeste e Minas Gerais.

No caso da laranja, o forte aumento real nos preços (43,58%) sustentou o resultado positivo do faturamento anual esperado para a cultura, dado que, em volume, espera-se redução de 4,74% para o ano.

Segundo a equipe Hortifruti/Cepea, a combinação de baixa oferta do produto e elevada demanda para moagem mantiveram o preço da laranja em altos patamares em outubro.

Com relação à soja, o aumento no faturamento anual ocorre devido à alta dos preços (5,32%), dado que a expectativa para a produção anual foi de queda de 0,82% no acumulado do período. De acordo com a equipe Grãos/Cepea, os preços caíram novamente em outubro, pelo quarto mês consecutivo, embora tenha sido registrado crescimento no período analisado. A pressão nas cotações interna veio da maior oferta do produto no País em outubro.

Quanto ao milho, o forte aumento dos preços reais (56,91%), no acumulado de janeiro a outubro de 2016 frente ao mesmo período de 2015, sustentou a receita anual esperada para o ano, dado que a produção foi estimada em queda de 21,38%. De acordo com a equipe Grãos/Cepea, apesar da expressiva alta de preços acumulada no período, especificamente em outubro, houve recuo nos preços. Isso ocorreu devido à maior oferta por parte de tradings e produtores, enquanto os compradores mantiveram-se retraídos, abastecendo-se apenas do consumo imediato e aguardando por redução de preços, pautados tanto na redução das exportações do grão quanto no bom resultado da safra de verão.

No caso da mandioca, o faturamento foi impulsionado pela forte elevação de preços (107,51%), no acumulado de janeiro a outubro de 2016 frente ao mesmo período de 2015, e pelo aumento da produção anual (3,65%). De acordo com pesquisadores Cepea/Esalq, o cenário é reflexo da forte redução da oferta nos principais estados produtores, atrelado também aos baixos preços e à menor rentabilidade na safra anterior. Além disso, a produtividade do setor foi prejudicada pela podridão radicular em algumas lavouras, conforme já destacado em relatórios anteriores.

Os produtos com projeção de queda no faturamento anual, considerando--se informações disponíveis até o fechamento deste relatório, são: algodão (7,77%), arroz (4,03%), cacau (10,88%), cebola (12,35%), fumo (22,98%), tomate (42,42%) e uva (25,20%).

No caso do algodão, a redução no faturamento anual está atrelada à queda na produção (-17,54%) prevista para o ano, já que os preços reais elevaram-se em 11,85% na comparação entre períodos. Segundo a Conab, a produção em 2016 foi prejudicada pela menor produtividade, pelo clima desfavorável à cultura e pela menor área semeada.

Para o arroz, a redução no faturamento está relacionada à queda da produção, estimada em 14,80%, embora os preços reais tenham aumentado 12,64%, no acumulado de janeiro a outubro de 2016 em comparação ao mesmo período de 2015. De acordo com a Conab, o excesso de chuvas ampliou o calendário oficial de plantio, o que acabou prejudicando a produção e a produtividade do arroz na região do Rio Grande do Sul.

Já com respeito ao tomate, a pressão no faturamento veio pela retração dos preços reais (-31,99%), na comparação entre períodos, e pela expectativa de queda na produção anual (-15,33%). De acordo com a equipe Hortifrúti/Cepea, a produção foi prejudicada pelo clima frio e chuvoso. Já a queda nos preços é consequência do elevado patamar registrado no ano anterior.

No segmento primário da pecuária, o aumento foi de 0,16% em outubro, acumulando elevação de 2,15% em 2016. Os resultados estão atrelados aos maiores preços médios reais das atividades, já que se espera uma produção anual média das atividades acompanhadas menor em relação ao ano anterior. Para o preço médio ponderado, estima-se elevação de 3,17% no ano, enquanto que, para a produção, a expectativa é de redução, de 0,44%.

Para a bovinocultura de corte, a queda esperada no faturamento anual ocorre devido à redução na produção estimada em 2,05% e à queda nos preços reais (-4,49%), considerando-se neste caso o acumulado dos dez primeiros meses de 2016 em comparação com mesmo período de 2015. Segundo a equipe Boi/Cepea, os preços permaneceram estáveis no decorrer de outubro. Mesmo com a baixa oferta de animais no período, os frigoríficos não mostraram interesse na compra do boi, o que impediu reajustes de preços ao longo do mês.

Na avicultura de corte, o aumento dos preços reais em 2,29%, na comparação entre períodos, e a projeção de aumento na quantidade produzida (2,36%) proporcionaram uma variação positiva no faturamento anual. Para a avicultura de postura, o comportamento foi similar, com destaque para o aumento dos preços (17,71%), já descontada a inflação, e crescimento produção, em 5,36%. Segundo a equipe Ovos/Cepea, os preços foram impulsionados pela elevação dos custos e pelo aumento da demanda, efeito da crise econômica que resultou em maior substituição das carnes pelo ovo, conforme já destacado em relatórios anteriores.

Com relação à suinocultura, a queda da receita esperada para o ano é reflexo da retração observada nos preços reais (-8,13%), na comparação entre períodos, embora a produção tenha aumentado 7,03% na projeção anual. Para os preços, apesar da baixa acumulada, especificamente para outubro, foi registrada estabilidade, segundo a equipe Suínos/Cepea. Apesar de a oferta de animais ter se reduzido, a queda da demanda não fortaleceu o aumento dos preços.

(Redação - Agência IN)