Os anos de ouro vividos pela construção civil brasileira entre meados dos anos 60 e dos 80, começam a ressurgir para o setor, puxados por projetos habitacionais, de infraestrutura e de construção de novos parques eólicos. O Rio Grande do Norte se prepara para surfar nessa onda de reaquecimento, mas, representantes da indústria e do varejo do estado temem que faltem materiais básicos de construção e que essa escassez – descartada pela indústria nacional – se torne uma pedra no caminho.
De acordo com o presidente da Cooperativa da Construção Civil do estado (Coopercon RN), que intermedeia grandes compras e serviços para 36 construtoras, Marcus Aguiar, a preocupação é maior em relação a produtos como cimento, aço, brita, tijolo, telha e madeira. O temor é impulsionado pela previsão de aumento no volume de obras e no consumo não só no estado, mas no país, em razão de programas como o Minha Casa, Minha Vida, que prevê a construção de 1 milhão de novas moradias no Brasil, das quais 19.224 no RN.
Nesse caso, a preocupação do setor vai além de quantidade. Envolve também a equação “custos versus preços”, sobretudo para a construção de casas para a faixa da população com renda entre zero e três salários mínimos. O problema é que, para esse público, o preço de cada unidade é fechado em no máximo R$ 37 mil, incluindo terreno, infraestrutura e construção, o que impede que qualquer variação de preço, esperada para o caso de haver escassez, por exemplo, seja compensada com preço maior. “Quem fechou contrato tem de arcar com os riscos e dar um jeito de não tomar prejuízo”, frisa Aguiar, acrescentando que, nessas unidades, mão-de-obra e insumos básicos chegam a representar cerca de 80% do peso da obra.
O estado também deverá sediar pelo menos 23 novos parques eólicos até 2012, para honrar o fornecimento de energia negociado em leilão federal realizado em dezembro. O Rio Grande do Norte herdou o maior número de projetos entre os estados que estavam na disputa e, em cada torre de geração de energia, deverá precisar de 40 mil quilos de aço e de 3.500 sacos de cimento. Se em cada parque fossem implantadas 20 torres, seriam cerca de 1.610.000 sacos de cimento só como base de sustentação. Outro evento que promete catapultar a demanda por materiais é a Copa de 2014, que será realizada no Brasil e terá a capital potiguar entre as sedes dos jogos e alvos de investimentos em infraestrutura.
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