O uso de smartphones como ferramenta de negócios alcançou um ponto de inflexão. Em breve, os celulares irão superar os PCs como os mais comuns dispositivos de acesso à web em todo o mundo.
Com o aumento da utilização de smartphones em ambientes corporativos, amplia-se o potencial de perda de dados e de fuga, por roubo, acesso ou transmissão não autorizada. Os conteúdos deste tipo de aparelho são mais vulneráveis a perda ou roubo. Além disso, as mesmas ameaças que tradicionalmente afetam sistemas operacionais de computador podem atacar as ferramentas móveis no momento em que são transmitidos e-mails, acessados sites de relacionamentos, jogos, screen savers, fotos, mensagens de texto, tweets, clipes de áudio e serviços de encurtamento de URL.
Os smartphones podem ampliar as distribuições de malwares que utilizam e-mails de spam, phishing, pharming e, como representam um canal de comunicação mais íntimo do que os computadores, os usuários são mais propensos a interagir com arquivos disfarçados como comunicações pessoais e deixar a “guarda mais aberta”. E mais, existe o problema dos grampos telefônicos, através de spywires ou outros métodos de escuta, disponibilizando além da escuta das conversações, dados como histórico das ligações, posicionamento espacial do celular (localização), sms enviados e recebidos.
Na primeira quinzena de fevereiro deste ano, um novo estudo da AVG, fabricante de antivírus, e do Instituto Ponemon, revelou que mais de um terço dos usuários de smartphones pesquisados não estão cientes dos riscos de segurança associados ao aumento de utilização de seus telefones para fins financeiros e para armazenar dados pessoais. Foi constatado que apenas 29% dos proprietários dos aparelhos móveis pesquisados consideraram fazer o download gratuito ou pago de software antivírus para ajudar a proteger seus dispositivos pessoais. E mais, foi verificada uma grande falta de consciência dos usuários entrevistados em relação a uma série de questões-chave de segurança:
• 13% disseram que os dados de localização foram inadvertidamente incorporados em seus celulares, permitindo com que outros rastreassem sua localização. Apenas 21% dos entrevistados estavam cientes que isso poderia acontecer.
• 6% afirmaram que aplicações móveis transmitiram informações confidenciais de pagamento, tais como detalhes do cartão de crédito sem o conhecimento dos usuários ou consentimento. Apenas 11% dos entrevistados estavam cientes que isso era possível.
• 8% disseram que o seu telefone havia sido infectado por um malware chamado "diallerware", que permite que os criminosos façam uso dos serviços premium de números de telefone, resultando em inesperados e elevados encargos mensais. Apenas 10% dos entrevistados estavam cientes deste risco.
Já, Vincent Weafer, vice-presidente sênior do McAfee Labs, anunciou que em 2010, 20 milhões de novos malwares (representando 55 mil a cada dia) foram gerados, migrando especificamente para os smartphones.
Todo o cuidado é pouco. As boas práticas da segurança devem ser seguidas e, apesar disso, as pragas continuarão persistindo e crescendo em 2011, agora orientadas para infectar os smartphones, por uma falta geral de consciência para a necessidade de segurança. O que parecia algo futurista, hoje acontece em larga escala. O alerta vermelho foi dado.
(Marcelo Copeliovitch é diretor geral da Gold Lock Brasil e representante da empresa Israelense Gold Line Group Ltda)


