A semana no mercado de renda fixa foi de cautela com os investidores aguardando a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na quinta-feira. Segundo documento o Banco Central (BC) avaliou que os riscos para um cenário inflacionário se reduziram, o que justificou a decisão de abrandar o ritmo de aperto do juro básico na última reunião.
"O aumento de 0,5 ponto percentual, elevando a taxa Selic para 10,75% ao ano, se deu pela concretização de um cenário inflacionário benigno, o lento processo de recuperação em que se encontram as economias do G3 e influência do cenário internacional", segundo informou a ata do Copom.
O gestor de renda fixa da Meta Asset Management, Henrique de La Rocque, avalia a ata como positiva. Pare ele, o ciclo de aperto monetário continuará e o colegiado do BC deve promover outro aumento de 0,50 ponto na Selic na reunião do Copom de setembro. "Mas ainda é cedo afirmar se teremos outra expansão nos juros nas próximas reuniões", ressalta. "Novos dados de inflação serão muito importante para outras avaliações", completa.
Ainda na pauta da semana foram divulgados importantes indicadores de inflação, dentre eles, o resultado do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP), que acelerou para 0,19% na terceira quadrissemana de julho, superior ao índice da segunda, que foi de 0,12%.
Já a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou o resultado do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) que registrou variação de 0,15% em julho deste ano, contra taxa de 0,85% em junho. "Essa divulgação sugere IGPs mais pressionados no curto prazo, tanto pela incorporação do reajuste de minério de ferro, quanto por conta da elevação dos preços dos produtos agrícolas. Além disso, os preços para o consumidor deverão, ao menos, diminuir a deflação, também contribuindo para IGPs mais elevados do que o observado nessa medição", comenta a equipe econômica do Bradesco.
Na indústria indicadores revelaram que o ritmo de crescimento da atividade industrial diminuiu. Vale ressaltar o Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista que recuou 0,6% em junho deste ano, ante maio, com ajuste sazonal. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria paulista ficou em 81,8% em junho deste ano, contra 82,5% no mês anterior, com ajuste sazonal.
Para economistas os dados de atividade divulgados nesta semana aliados ao contínuo arrefecimento da inflação poderão alterar as expectativas para o rumo da taxa Selic, fixada em 10,75% ao ano. Há dúvidas no mercado entre uma elevação de 0,25 e 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião, por isso, a divulgação de novos indicadores econômicos serão importantes.
Na BM&FBovespa a semana foi de ajustes e volatilidade com os investidores reagindo positivamente aos novos dados econômicos. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011 continua sendo o mais líquido. A taxa deste papel ficou em 10,76%, ante 10,80% da última sexta-feira.
(Maria de Lourdes Chagas - Agência IN)




