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Fábio Mortara - Presidente da Abigraf-SP

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fabiomortara29 de janeiro de 2010 - Mesmo com a crise em 2009, a produção da indústria gráfica brasileira encerrou o ano com leve queda, de 2,39%. Quanto ao déficit comercial no setor, o recuo foi de 31,23%. O saldo negativo, que havia sido de US$ 114,4 milhões em 2008, diminuiu e fechou o ano passado em US$ 78,69 milhões.

Apesar do desafio de competir com a internet, a indústria gráfica continua buscando um nicho de localização e encontrando este segmento. "O aumento nas vendas de revistas e jornais no ano passado nos deixa mais otimistas para 2010", diz Fábio Mortara, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf-SP).

Entrevista concedida à repórter Niviane Magalhães

IN: Como foi o desempenho da indústria gráfica em 2009?

Fábio Mortara: A indústria gráfica brasileira teve desempenho razoável em 2009. O primeiro semestre foi especialmente ruim, no qual alguns setores tiveram queda de até 30% de produção e faturamento, mas o segundo semestre foi bastante positivo. Fechamos o ano com variação de 2,4% negativa, que é razoável em um ano que foi recessivo.

IN: Como a crise afetou os negócios do setor?

Fábio Mortara: A indústria gráfica é muito sensível a variação da economia, pois os produtos gráficos permeiam quase todas as atividades econômicas. O primeiro semestre foi mais sensível. A indústria de embalagens e papel cartão, por exemplo, teve queda de 30% nas vendas no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. No final do ano, o setor editorial foi muito bom e nos demais setores houve decréscimo. O setor que mais sentiu foi o de cadernos, por conta da queda nas exportações.

IN: E o que podemos esperar em 2010? Haverá crescimento da produção? E quando ao déficit comercial?

Fábio Mortara: A indústria gráfica está extremamente otimista para 2010. O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 4,7%, juntamente com o governo brasileiro que tem boas projeções para este ano, o que alavanca nosso setor. Já o déficit comercial da indústria gráfica é dependente do câmbio. Essa variação nos dá esperança que o déficit seja menor. O ano passado o déficit comercial da área gráfica caiu em função do recuo das exportações e importações.

IN: E qual o segmento mais promissor da indústria gráfica neste ano? Por quê?

Fábio Mortara: A indústria editorial (gráficas de livros, jornais e revistas) tem produzido mais do que o ano anterior, principalmente com a incorporação de camadas que gostam e querem ler, mas que não tinham dinheiro, e agora estão tendo. Para 2010 também, a área promocional vai sentir os reflexos da Copa do Mundo e Eleições. Em outras áreas como a de notas fiscais, terá recuo, porque está havendo mudança para nota fiscal eletrônica. As áreas que a substituição tecnológica ocorre, terá retração. No conjunto, a perspectiva é que indústria gráfica volte a acompanhar a economia com crescimento entre 4% e 5%.

IN: O senhor poderia traçar um panorama para cada segmento?

Fábio Mortara: O segmento de embalagens representa quase metade do produto gráfico, principalmente porque são feitas de papel, que é algo totalmente reciclável. Este setor está muito otimista. O segundo setor é o editorial que planeja crescer acima da expansão da economia. A terceira área é o promocional e o comercial, que deve ter um ano bom, porque atende setores e empresas que estimam promover este campo, com 10 a 15% de aumento, e impacto de 2% sobre o total. Nos demais setores, etiquetas acompanha muito o setor de embalagens, que tem 5% do PIB, assim como a área de acabamento. Nos cadernos, espera-se a manutenção do patamar do ano passado, com pouco crescimento, por conta das exportações e a perda do valor do real, que torna o produto brasileiro mais competitivo.

IN: Qual a expectativa quanto a investimentos e geração de empregos na indústria gráfica?

Fábio Mortara: Mesmo com perspectivas ruins no ano passado e demissões no primeiro semestre, as contratações no segundo semestre acabaram compensando e dando equilíbrio. Para 2010, a expectativa é que o aumento do emprego seja na mesmo proporção. A indústria gráfica é uma indústria pequena mas que emprega muita gente, e isso tem despertado a atenção de entidades. Já os investimentos devem acompanhar o avanço da indústria, em torno de 5%.

IN: 2010 é um ano eleitoral. É esperado algum crescimento da demanda em virtude das eleições?

Fábio Mortara: Nas eleições majoritárias a demanda é menor, até porque o [Tribunal Superior Eleito] TSE e o TRE [Tribunal Regional Eleitoral] têm sido mais restritivos quanto a materiais impressos, como santinhos, folhetos e cartazes. Então, a cada eleição se tem um efeito menor sobre a indústria gráfica, do que já foi há dez anos. Ainda assim, imagina-se algo entre 10% e 15% a mais de vendas na área promocional.

Tags: ENTREVISTA
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