Ibovespa fecha a semana com alta

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Ibovespa fechou a semana com alta de pouco mais de 3% (Foto: Pexels) Ibovespa fechou a semana com alta de pouco mais de 3%

O Ibovespa não conseguiu descolar do patamar entre 95 e 96 mil pontos em que ficou preso e finalizou a semana com alta de pouco mais de 3%. Segundo analistas da Toro Investimentos, o bom humor veio do exterior, com números positivos do emprego nos Estados Unidos. Tem ajudado também a calmaria que tomou conta de Brasília nas últimas semanas.

Aqui no Brasil, a quarentena parece que não tem fim, com estados e regiões entrando e saindo de restrições todos os dias. E, diante deste cenário, os números do desemprego têm sentido esse impacto. 

Entre as empresas, algumas vão se recuperando bem da crise, enquanto outras não conseguem sair do lugar. Analistas da Toro Investimentos destacam que a IRB tenta se livrar da desconfiança causada por fraudes sucessivas e seus balanços e a Via Varejo vai se reinventando e emerge da pandemia como uma nova empresa.

Empresas

As ações do setor de proteína animal vêm repercutindo a suspensão de exportações para a China. Os papéis de BRF foram a 2ª maior queda do Ibovespa na semana, caíram 5,87%. 

Contudo, apresentaram baixa as ações da Marfrig (-1,59%). Por outro lado, apesar da volatilidade enfrentada ao longo da semana, as ações de JBS conseguiram superar 3,6% de alta, enquanto as de Minerva subiram 3,21%.

Das 22 plantas frigoríficas suspensas no mundo, quatro são brasileiras, duas de abate de bovinos e duas de aves, o que impacta diretamente a JBS e a Marfrig. Vale destacar que trata-se de uma suspensão temporária, até que os casos notificados de coronavírus entre funcionários diminuam e estejam controlados.

Porém, o motivo das suspensões não foi esclarecido pela China. De um lado, pode haver uma cautela quanto ao transporte dos alimentos, uma vez que a contaminação através da carne não está comprovada. Analisando de outro ângulo, pode ser que os chineses, como bons comerciantes que são, estejam usando uma tática para negociar melhor os preços. Afinal, diante da escassez de oferta neste mercado, os preços do boi gordo continuam num dos maiores patamares da história.

No momento, o cenário para os frigoríficos brasileiros continua positivo. Os analistas da Toro Investimentos, projetam um impacto menor devido ao bom desempenho das exportações brasileiras e da alta competitividade da proteína após a desvalorização do real face ao dólar. Porém, se o governo chinês achar substitutos para a carne bovina brasileira, os preços podem sofrer.

Por enquanto, isso é algo difícil de acontecer, já que diversos países também estão sendo alvo das suspensões de exportações para a China.

Bons resultados e novos negócios no radar

A Equatorial divulgou os seus resultados referentes ao 1T20. A Companhia conseguiu entregar um aumento de 106,8% no lucro líquido ante o mesmo período em 2019, o que significa um salto de R$ 213 milhões para R$ 440 milhões. A receita operacional líquida registrou R$ 4,2 bilhões, uma alta de 25,2% em relação aos R$ 3,3 bilhões do 1T19.

Além disso, a Companhia informou que o bom desempenho consiste no impacto do “reconhecimento de resultados dos projetos de transmissão e o crescimento do lucro líquido da Equatorial Pará”.

Já o EBITDA cresceu 98,7%, para R$ 1,1 bilhão. O indicador foi muito impactado pelo IFRIC 15, prática contábil que se aplica aos ativos de transmissão. Além disso, também contribuíram para o resultado final o aumento do EBITDA nas subsidiárias do Pará e o início da consolidação da Equatorial Alagoas.

De acordo com analistas da Toro Investimentos, a Equatorial já está de olho em futuros negócios de saneamento, após a recente aprovação do novo marco regulatório para este setor. Segundo o seu presidente, Augusto Miranda, a Empresa pode vir a disputar um leilão de privatização da Companhia de Saneamento de Alagoas (CASAL), que o governo do estado quer realizar ainda neste ano. Miranda também ressaltou que “saneamento é naturalmente um segmento muito atrativo e estamos olhando, sim”. 

IRB e o seu balanço 

Após meses muito conturbados e dois adiamentos, o IRB enfim soltou seus balanços do primeiro trimestre deste ano. Em termos operacionais, o grande destaque foi a queda de 92% do lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado.

Mas, no fundo, todos os olhos estavam voltados para as informações administrativas. O Ressegurador havia sido acusado de distorcer números em seus balanços, o que levou a quedas de mais de 80% no pior momento do papel. Após auditoria interna e externa, a Empresa reconheceu fraudes, revisou números dos anos anteriores e anunciou que pretende acionar judicialmente o ex-presidente e o ex-vice de RI da Companhia pelas fraudes.

Com isso, as ações da IRBR3 sofreram a maior queda percentual do Ibovespa na semana, amargando um resultado negativo de 18,4%. 

Destaque

A queridinha de investidores na Bolsa de Valores brasileira, a Via Varejo, se destacou mais uma vez nesta semana, com suas ações tendo fechado com alta de 8,82%. 

Além do sucesso na execução da sua estratégia de reestruturação e de ênfase nas operações de e-commerce, a Empresa fez mais uma coisa positiva: realizou o alongamento de dívidas na ordem de R$ 4 bilhões, com vencimento médio em 60 dias, para novo prazo aproximado de 1,3 ano. A medida vem como complemento à oferta de ações feita na semana passada (quando captou R$ 4,4 bilhões) com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital da Empresa.

(Redação – Investimentos e Notícias)