O Ibovespa encerrou o dia em baixa, influenciado pela queda acentuada das ações da Cosan após o anúncio de uma capitalização bilionária que resultará em significativa diluição da base acionária. Por outro lado, a Embraer destacou-se positivamente após anunciar uma encomenda de aeronaves pela Latam.
O principal índice do mercado acionário brasileiro caiu 0,52%, fechando a 145.109,25 pontos, após atingir 144.117,01 pontos na mínima e 145.863,86 pontos na máxima. O volume financeiro totalizou R$20,6 bilhões.
Segundo o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, além dos casos de Cosan e Embraer, a bolsa refletiu ajustes devido à alta nas taxas dos DIs e um cenário político-diplomático tenso, com sanções dos EUA relacionadas à Lei Magnitsky.
“É um dia de correção técnica em que o mercado revisita ganhos recentes, demonstrando que recordes exigem sustentação real, lucro, previsibilidade e controle de risco.”
A queda ocorreu após o Ibovespa renovar topos históricos na semana anterior, quando acumulou um ganho de 2,5% e ultrapassou os 146 mil pontos pela primeira vez.
O analista Nícolas Merola, da EQI Research, destacou que, dado o novo patamar do Ibovespa, alcançar novas máximas se torna mais desafiador e depende da continuidade de eventos construtivos. No entanto, nesta segunda-feira, com ruídos políticos, os ativos de risco não tiveram bom desempenho.
Ele mencionou novas sanções dos Estados Unidos que atingiram Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e outras seis autoridades de alto escalão. Merola observou que esses casos não afetam significativamente o mercado, pois o foco são as pessoas. “O problema é quando isso passa para instituições, é o que todos estão observando. E agora? Qual será o próximo passo? Esse é o temor… A predisposição para assumir riscos fica um pouco mais difícil.”
Nos Estados Unidos, a semana começou com novos recordes em Wall Street, com a Nvidia em destaque após anunciar um investimento de até US$100 bilhões na OpenAI. O S&P 500 subiu 0,44%.
Destaques do Dia
- As ações da Cosan caíram 18,13%, perdendo R$2,5 bilhões em valor de mercado, após anunciar uma capitalização de até R$10 bilhões, visando otimizar a estrutura de capital e fortalecer a governança do grupo, mas resultando em forte diluição para os acionistas. Analistas, no entanto, acreditam que o grupo sairá mais saudável do processo.
- Raízen caiu 7,75%, com o anúncio de capitalização da Cosan, que afirmou que os recursos não serão usados na Raízen, joint venture entre Cosan e Shell.
- Embraer subiu 4,63%, após acordo com a Latam Airlines envolvendo um pedido firme de 24 aeronaves E195-E2, avaliado em aproximadamente US$2,1 bilhões, e 50 opções de compra. Analistas destacaram que o pedido reforça a competitividade dos produtos da Embraer.
- Petrobras PN subiu 1% e Petrobras ON avançou 1,07%, em dia de pagamento da segunda parcela da remuneração aos acionistas referente ao balanço de 31 de março, com valor bruto de R$0,45 por ação. No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent recuou 0,16%.
- Rumo valorizou-se 2,05%, também impactada pela operação da Cosan, que detém cerca de 30% do capital da Rumo. Analistas do Bradesco BBI afirmam que a melhora da situação financeira da Cosan reduz o risco relacionado à alocação de capital da Rumo, diante do elevado desembolso de capex esperado para os próximos anos.
- Vale avançou 0,14%, apoiada pelo avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 0,37%.
- Natura caiu 4,97%, em sessão negativa para ações de empresas sensíveis a juros, em dia de alta nas taxas dos contratos de DI. O índice de consumo da B3 perdeu 1,91%. Também em baixa estavam Lojas Renner, que caiu 3,84%, e Vamos, que recuou 3,16%.
- RD Saúde recuou 2,81%, com o anúncio de oferta de ações pela Pague Menos, incluindo uma oferta primária de 40 milhões de papéis e uma oferta secundária, com a General Atlantic como vendedora, de inicialmente 29,565 milhões de ações. A oferta será precificada em 30 de setembro. Pague Menos, que não está no Ibovespa, caiu 1,11%.
(Com Reuters)
Cotações do Mercado
Dólar e Ibovespa
- Ibovespa: Abertura: 145.863,86 pontos, Fechamento: 145.109,25 pontos, Variação: -0,52%
- Dólar: Abertura: R$5,33, Fechamento: R$5,35, Variação: 0,18%
Maiores Altas
- CSAN3: Abertura: R$5,70, Fechamento: R$6,15, Variação: 7,89%
- EMBR3: Abertura: R$77,65, Fechamento: R$80,35, Variação: 3,48%
- WEGE3: Abertura: R$36,32, Fechamento: R$37,15, Variação: 2,29%
- TIMS3: Abertura: R$22,74, Fechamento: R$23,13, Variação: 1,72%
- COGN3: Abertura: R$3,12, Fechamento: R$3,17, Variação: 1,60%
Maiores Baixas
- RAIZ4: Abertura: R$1,27, Fechamento: R$1,19, Variação: -6,30%
- NATU3: Abertura: R$9,82, Fechamento: R$9,31, Variação: -5,19%
- MRFG3: Abertura: R$22,14, Fechamento: R$21,12, Variação: -4,61%
- BRFS3: Abertura: R$18,75, Fechamento: R$17,95, Variação: -4,27%
- VAMO3: Abertura: R$3,78, Fechamento: R$3,67, Variação: -2,91%