O Ibovespa encerrou o dia em alta pelo 15º pregão consecutivo nesta terça-feira, atingindo novos recordes e superando os 158 mil pontos pela primeira vez, impulsionado principalmente pelas ações da Petrobras e do Itaú Unibanco.
Vários fatores contribuíram para esse movimento, incluindo a percepção de que a comunicação do Banco Central na ata da última decisão de política monetária sugere a criação de espaço para o início de cortes na Selic no início de 2026, além do IPCA de outubro ter ficado abaixo do esperado.
Uma série de balanços corporativos também impactou a bolsa, com destaque para os resultados recordes do BTG Pactual, que impulsionaram as ações do banco, enquanto a Natura teve uma queda acentuada após apresentar dados fracos no terceiro trimestre.
O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, subiu 1,6%, fechando a 157.748,6 pontos, com máxima de 158.467,21 pontos, um novo recorde intradiário. Na mínima, o índice marcou 155.251,97 pontos.
A última série de 15 altas consecutivas do Ibovespa ocorreu entre maio e junho de 1994. A atual sequência já acumula um ganho de 9,48%, ampliando a valorização no ano para 31,15%.
O volume financeiro do pregão somou R$35,45 bilhões antes dos ajustes finais, bem acima da média diária do ano, de R$23,6 bilhões.
No noticiário do dia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reforçou na ata da reunião da semana passada, quando manteve a Selic em 15%, a convicção de que a manutenção da taxa nesse patamar por um período prolongado ajudará a atingir a meta de inflação de 3%.
O Banco Central também destacou que os dados de inflação continuam indicando uma dinâmica mais favorável do que o esperado e que houve alguma melhora na inflação de serviços. A autarquia ainda removeu da ata de setembro a menção de que os núcleos de inflação estavam acima do valor compatível com a meta.
Pela manhã, o IBGE divulgou que o IPCA subiu 0,09% em outubro, após alta de 0,48% no mês anterior. No acumulado de 12 meses até outubro, o IPCA teve alta de 4,68%, abaixo das estimativas de analistas de 0,16% em outubro e 4,75% em 12 meses.
Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3, destacou que a ata e o IPCA foram os principais catalisadores para o desempenho das ações brasileiras nesta sessão. Ele observou que, mesmo sem uma sinalização clara do Copom sobre um corte na Selic, os dados econômicos têm criado espaço para “começar a imaginar um corte de juros”. “O mercado está bem otimista para os próximos capítulos”, acrescentou.
Destaques do Dia
- PETROBRAS PN subiu 2,6% e PETROBRAS ON avançou 2,4%, impulsionadas pela alta do petróleo no exterior, com o barril Brent fechando em alta de 1,72%.
- ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,93%, em um dia otimista para o setor, com BRADESCO PN valorizando-se 2,15%, BANCO DO BRASIL ON subindo 3,03% e SANTANDER BRASIL UNIT fechando em alta de 2,33%.
- BTG PACTUAL UNIT subiu 2,32% após o maior banco de investimentos da América Latina reportar resultados acima das previsões para o terceiro trimestre, com lucro e receitas recordes. O retorno ajustado anualizado sobre o patrimônio líquido médio alcançou 28,1%.
- BRASKEM PNA disparou 18,04% com a avaliação dos resultados do terceiro trimestre, enquanto investidores monitoram notícias sobre a participação da Novonor na companhia. A petroquímica também fechou acordo com Alagoas prevendo pagamento de R$1,2 bilhão.
- NATURA ON caiu 15,65% após prejuízo recorrente de R$119 milhões no terceiro trimestre, devido a pressões sobre receita e rentabilidade, além do aumento das despesas financeiras líquidas. A receita líquida caiu 3,8% em base anual sob câmbio constante e 13,1% em reais.
- CVC BRASIL ON saltou 11,48%, impulsionada pelo alívio nas taxas dos contratos de DI após a ata do Copom e o IPCA, enquanto agentes aguardam o balanço da empresa ainda nesta terça-feira, após o fechamento. MAGAZINE LUIZA ON também foi beneficiada pela curva de juros, valorizando-se 7,96%.
- MBRF ON subiu 8,15%, mesmo após o balanço do terceiro trimestre mostrar lucro líquido de R$94 milhões, uma queda de 62% em comparação com o mesmo período do ano passado, principalmente devido ao recuo da performance dos ativos herdados da BRF.
- PORTO SEGURO ON caiu 7,64%, com o lucro líquido de R$832 milhões no terceiro trimestre, uma redução de 5,3% ano a ano. O grupo cortou a perspectiva para a receita da vertical da Porto Serviço no ano de 2025 para o intervalo de R$2,4 bilhões a R$2,6 bilhões.
(Com Reuters)
Cotações do Mercado
Dólar e Ibovespa
- Ibovespa: Abertura: 155.257,31 pontos, Fechamento: 157.748,60 pontos, Variação: 1,60%
- Dólar: Abertura: R$5,29, Fechamento: R$5,27, Variação: -0,27%
Maiores Altas
- BRKM5: Abertura: R$6,90, Fechamento: R$7,72, Variação: 11,88%
- CVCB3: Abertura: R$1,83, Fechamento: R$2,04, Variação: 11,48%
- CSAN3: Abertura: R$6,18, Fechamento: R$6,68, Variação: 8,09%
- MGLU3: Abertura: R$8,51, Fechamento: R$9,09, Variação: 6,82%
- CEAB3: Abertura: R$16,97, Fechamento: R$18,06, Variação: 6,42%
Maiores Baixas
- PSSA3: Abertura: R$50,23, Fechamento: R$46,08, Variação: -8,26%
- NATU3: Abertura: R$8,04, Fechamento: R$7,76, Variação: -3,48%
- CPLE5: Abertura: R$14,70, Fechamento: R$14,27, Variação: -2,93%
- POMO4: Abertura: R$7,27, Fechamento: R$7,12, Variação: -2,06%
- VIVA3: Abertura: R$32,59, Fechamento: R$31,93, Variação: -2,03%