IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo

  •  
Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta Foto: divulgação Principal referência para a inflação no Brasil fechou 2017 abaixo da meta

Entenda o que é IPCA e como este índice é calculado.

IPCA de janeiro fica em 0,21%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do país, variou 0,21% em janeiro, enquanto, em dezembro, havia subido 1,15%. Foi o menor resultado para um mês de janeiro desde o início do Plano Real. O acumulado dos últimos doze meses foi a 4,19%, abaixo dos 4,31% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2019, a taxa havia ficado em 0,32%. Esta é a primeira divulgação do IPCA / INPC com a nova estrutura de ponderação, atualizada a partir da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018.

O maior impacto no índice do mês, 0,08 ponto percentual (p.p.), veio do grupo Habitação, que também registrou a maior variação (0,55%) entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados. Outros cinco grupos também apresentaram alta, com destaque para Alimentação e bebidas (0,39% de variação e 0,07 p.p. de impacto) e Transportes (0,32% de variação e 0,06 p.p. de impacto). No lado das quedas, a contribuição negativa mais intensa (-0,04 p.p.) veio de Saúde e cuidados pessoais (-0,32%). Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,48% em Vestuário e a alta de 0,35% em Despesas pessoais.

Após a queda de 0,82% no mês de dezembro, o grupo Habitação subiu 0,55%, puxado pelos preços de condomínio (1,39%) e aluguel residencial (0,61%). A energia elétrica, por sua vez, registrou leve alta (0,16%), com as áreas variando entre a queda de 4,77% em Rio Branco – onde houve redução de 4,67% nas tarifas, a partir do dia 13 de dezembro - até a alta de 3,41% em Goiânia. Em janeiro, foi mantida a bandeira tarifária amarela, que acrescenta na conta de luz R$ 1,343 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Ainda em Habitação, o resultado do item taxa de água e esgoto (0,30%) decorre dos reajustes de 18,00% em Belém (8,88%, vigente desde 14 de dezembro), e de 6,43% em Campo Grande (5,23%, válido desde 3 de janeiro). Já a variação do item gás encanado (0,64%) é consequência do reajuste de 2,45% observado no Rio de Janeiro (2,14%), em vigor desde 1º de janeiro. No que diz respeito ao gás de botijão (0,87%), vale ressaltar que a Petrobras anunciou um reajuste de 5,00% no preço do botijão de 13 kg, nas refinarias, a partir do dia 27 de dezembro de 2019.

A desaceleração no grupo Alimentação e bebidas (de 3,38% em dezembro para 0,39% em janeiro) deveu-se, principalmente, ao comportamento dos preços das carnes. Após a alta de 18,06% em dezembro, as carnes recuaram 4,03% em janeiro, contribuindo com o impacto negativo mais intenso sobre o índice do mês (-0,11 p.p.). Com isso, o grupamento da alimentação no domicílio registrou alta de 0,20%, frente aos 4,69% do IPCA de dezembro. No lado das altas, o destaque ficou com o tomate (13,72%) - cujos preços já haviam subido 21,69% no mês anterior - e com a batata-inglesa (11,02%).

A alimentação fora do domicílio (0,82%) também desacelerou em relação ao mês anterior (1,04%). A refeição passou de 1,31% em dezembro para 1,05% em janeiro, e o lanche, de 0,94% para 0,42%, no mesmo período.

No grupo dos Transportes (0,32%), o maior impacto positivo (0,05 p.p.) veio da gasolina (0,89%), embora esta variação tenha sido inferior à de dezembro (3,36%). O etanol (2,59%) também desacelerou em relação ao mês anterior (5,50%), contribuindo para que o IPCA dos combustíveis tenha ficado em 1,08%, abaixo dos 3,57% registrados em dezembro. Já o impacto negativo mais intenso (-0,05 p.p.) veio das passagens aéreas (-6,75%), que haviam subido 15,62% em dezembro.

Ainda em Transportes, o resultado do item táxi (0,40%) é consequência do reajuste de 2,20% nas tarifas no Rio de Janeiro (1,86%), em vigor desde o dia 2 de janeiro. Os ônibus intermunicipais (1,18%), por sua vez, sofreram reajustes em duas regiões: em Belo Horizonte (7,89%), houve aumento de 8,89% no valor das passagens, com vigência a partir de 29 de dezembro; já em São Paulo (1,35%), os aumentos variaram entre 4,85% e 6,47% e foram aplicados a partir de 26 de janeiro.

Os ônibus urbanos (0,78%) também tiveram seus preços reajustados nas seguintes regiões: Brasília (5,00%) - reajuste de 10,00%, a partir de 13 de janeiro; Vitória (4,08%) - reajuste médio de 5,43%, a partir de 5 de janeiro; São Paulo (2,09%) - reajuste de 2,32%, a partir de 1º de janeiro; Campo Grande (2,03%) - reajuste de 3,80%, a partir de 28 de dezembro.

Em Campo Grande, uma liminar revogou o reajuste no dia 9 de janeiro, porém ele voltou a vigorar a partir de 22 de janeiro.

As passagens de metrô (1,74%) também foram reajustadas em 2,32% em São Paulo (2,09%) e em 10,00% em Brasília (5,00%). Em São Paulo, o mesmo percentual de reajuste (2,32%) foi aplicado aos bilhetes de trem (2,09%), influenciando diretamente no resultado do subitem (1,31%).

No grupo Saúde e cuidados pessoais (-0,32%), houve deflação em janeiro, principalmente por conta dos itens de higiene pessoal (-2,07%). Os produtos para pele, que haviam subido 5,14% em dezembro, recuaram 6,51% em janeiro, contribuindo com -0,03 p.p. no índice do mês. Além disso, os preços dos perfumes (-4,66%) também caíram, contribuindo com -0,05 p.p. No lado das altas, os destaques foram o plano de saúde (0,60%) e os produtos farmacêuticos (0,33%), com impactos de 0,02 p.p. e 0,01 p.p. respectivamente.

O menor resultado regional do IPCA foi no município de Rio Branco (-0,21%), devido à queda na energia elétrica (-4,77%). A região metropolitana de Belém e o município de Aracaju apresentaram a maior variação (0,39%). No primeiro caso, devido às altas do açaí (13,44%) e da refeição (3,24%). No segundo, os maiores impactos (0,08 p.p. e 0,07 p.p., respectivamente) vieram da gasolina (1,55%) e do tomate (20,16%).

Série histórica do IPCA

O IPCA é um dos índices mais importantes da economia brasileira, por isso é fundamental acompanhar suas movimentações.

Confira abaixo a série histórica do IPCA nos últimos doze meses:

  IPCA - Índice de Preços ao Consumidor Amplo
Mês/ano Valor (%) Acumulado Ano (%) Acumulado 12 meses (%)
Jan/2020 0,21 0,21 4,19
Dez/2019 1,15 4,31 4,31
Nov/2019 0,51 3,12 3,27
Out/2019 0,10 2,60 2,54
Set/2019 -0,04 2,49 2,89
Ago/2019 0,11 2,54 3,43
Jul/2019 0,19 2,42 3,22
Jun/2019 0,01 2,23 3,37
Mai/2019 0,13 2,22 4,66
Abr/2019 0,57 2,09 4,94
Mar/2019 0,75 1,51 4,58
Fev/2019 0,43 0,75 3,89
Jan/2019 0,32 0,32 3,78
Dezembro de 2018 0,15 3,75 3,75
Novembro de 2018 -0,21 3,59 4,05
Outubro de 2018 0,45 3,81 4,56
Setembro de 2018 0,48 3,34 4,53
Agosto de 2018 -0,09 2,85 4,19
Julho de 2018 0,33 2,94 4,48
Junho de 2018 1,26 2,60 4,39
Maio de 2018 0,40 1,33 2,86
Abril de 2018 0,22 0,92
2,76
Março de 2018 0,09 0,70 2,68
Fevereiro 2018 0,32 0,61 2,84
Janeiro 2018 0,29 0,29 2,86
Dezembro 2017 0,44 2,95 2,95
Novembro 2017 0,28 2,50 2,80
Outubro 2017 0,42 2,21 2,70
Setembro 2017 0,16 1,78 2,54
Agosto 2017 0,19 1,62 2,46
Julho 2017 0,24 1,43 2,71
Junho 2017 - 0,23 1,18 3,00
Maio 2017 0,31 1,42 3,60
Abril 2017 0,14 1,10 4,08
Março 2017 0,25 0,96 4,57
Fevereiro 2017 0,33 0,71 4,76
Janeiro 2017 0,38 0,38 5,35

Fonte: IBGE

Por ser considerado o índice oficial para medir a inflação no Brasil, é normal que os valores do IPCA sejam bastante semelhantes aos da inflação acumulada. Na tabela abaixo, você encontra a inflação acumulada e a meta de cada ano desde 2007 até 2017.

Analisando os dados a seguir, será possível perceber que a inflação acumulada no Brasil em 2017 ficou bem abaixo da meta na comparação com os anos anteriores. Essas mudanças de panorama justificam a importância do IPCA, já que o índice permite que essa situação possa ser monitorada tanto pelos órgãos competentes quanto pela população.

Inflação Acumulada Atual 
 Inflação Taxa  Meta
2019 4,31 4,25
2018 3,75 4,5
2017 2,95 4,5
2016 6,29 4,5
2015 10,67 4,5
2014 6,41 4,5
2013 5,91 4,5
2012 5,84 4,5
2011 6,50 4,5
2010 5,91 4,5
2009 4,31 4,5
2008 5,90 4,5
2007 4,46 4,5

Fonte: Banco Central do Brasil

O que é IPCA?

A sigla IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Este é um índice criado em 1980 para medir a variação de preços do mercado para o consumidor final. Devido à sua abrangência e relevância, a partir dos anos 2000 se tornou o indicador de referência para o governo medir a inflação no País.

O período em que é feita a medição da variação dos preços ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês. A divulgação dos valores mensais para o público é feita no mês seguinte, entre os dias cinco e doze.

Este índice é importante porque reflete o custo de vida das famílias brasileiras com renda entre 1 e 40 salários mínimos. O cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera gastos em diferentes setores, como:

- Moradia

- Alimentação e bebidas

- Educação

- Comunicação

- Transporte

- Vestuário

- Saúde e higiene pessoal

- Artigos para casa

- Despesas pessoais

Estas despesas diversas são levantadas em 13 regiões metropolitanas do País, buscando mensurar o padrão de consumo da população brasileira. Por ser grande em território e diversidade de culturas, os pesquisadores do IBGE levam em consideração as diferenças entre regiões. Um exemplo é o tipo de feijão analisado no quesito alimentação.

Nos estados do Pará, Espírito Santo e Rio de Janeiro é coletado o preço do feijão preto. Todavia, no restante dos estados, há maior consumo do feijão carioca e, portanto, é ele que aparece na cesta de produtos pesquisados.

É importante entender que quando o IPCA sobe, indica que os preços de alguns produtos e serviços poderão ficar mais caros. No entanto, quando ocorre queda do índice de um mês para o outro, significa que os preços subiram menos no período e não que caíram.

Apenas quando o IPCA fica negativo é que há queda nos preços dos produtos e serviços pesquisados. Esse movimento também é chamado de deflação.

Com esses dados em mãos, o Banco Central juntamente com o Conselho Monetário Nacional (CMN) pode verificar se o custo de vida das famílias brasileiras está aumentando ou não. Além disso, o monitoramento do IPCA é importante para que o governo averigue se tem cumprido as metas para a inflação. Caso contrário, seria difícil elaborar e colocar em prática medidas para conter a situação.

Muitos não sabem, mas o IPCA possui duas variações: o IPCA-15 e o IPCA-E. O primeiro funciona como uma prévia de inflação do mês, pois o período de coleta das informações vai do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte.

O IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial), por sua vez, possui a mesma metodologia de coleta utilizada no IPCA. A diferença entre eles é que o IPCA-E é divulgado ao final de cada trimestre, oferecendo um balanço trimestral da inflação. Ele é muito utilizado para calcular o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano, mais conhecido pela sigla IPTU.

Outro detalhe: o IPCA-15 e o IPCA-E não abrangem a cidade de Campo Grande.

Como o IPCA afeta o bolso dos brasileiros

Como foi apresentado anteriormente, o IPCA é usado como referência para que o Banco Central monitore a inflação acumulada do País. Com isso, a população brasileira pode ser diretamente afetada pelas variações do índice, não só nas contas básicas do dia a dia como também nos investimentos.

Quando a inflação aumenta, há impacto direto no poder de compra da população. Ou seja, o preço de determinado produto fica mais caro e, portanto, exigirá uma parcela maior do orçamento familiar. Por isso que, de tempos em tempos, os salários também devem ser reajustados, para que haja alinhamento com a inflação.

Outra forma com que o IPCA afeta o bolso dos brasileiros é em relação à taxa básica de juros do País, também chamada de Selic. Se a inflação está alta, o governo costuma aumentar a taxa Selic com o objetivo de conter a inflação. Por outro lado, quando a inflação está sob controle, é possível que o governo brasileiro reduza a taxa de juros para incentivar o crescimento econômico no País.

No que se refere aos investimentos, uma das modalidades que está diretamente ligada ao IPCA é o Tesouro Direto. O programa do governo federal permite a compra e venda de títulos públicos através da internet e oferece títulos com rentabilidade atrelada a este índice.

Os títulos do Tesouro IPCA têm parte de sua remuneração atrelada ao índice e a outra parte se refere a uma taxa prefixada. Dessa forma, essa se torna uma opção interessante para quem quer investir e ter rentabilidade acima da inflação, especialmente no longo prazo.

Outras modalidades que também podem estar atreladas ao IPCA são:

- Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

- Letras de Crédito do Agronegócio (LCA)

- Fundos de Investimento

Resumo: ficha técnica do IPCA

Para resumir as principais características desse índice, veja abaixo uma ficha técnica sobre o IPCA:

- Para que ele serve?

Monitora o custo de vida da população brasileira e é utilizado como indicador oficial de inflação pelo governo brasileiro.

- Qual é sua abrangência?

Os dados são coletados nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

- Quais setores são incluídos em seu cálculo?

Seu cálculo engloba os custos com moradia, alimentação, transporte, vestuário, educação, saúde, artigos para casa, despesas pessoais e comunicação.  

- Quando informações são coletadas?

A coleta de dados para medir o IPCA ocorre entre o primeiro e o último dia de cada mês.

- Quem é responsável pela apuração deste índice?

O órgão responsável é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

- Qual é a periodicidade do índice?

A atualização dos valores do IPCA é mensal.

Para conhecer outros índices fundamentais para a economia brasileira, veja também:

- IGP-M