A 2C Energia, joint venture da trading Czarnikow (CZ) com o grupo CMAA do setor de açúcar e etanol no Brasil, vai avançar em novos empreendimentos de energia renovável no país, com planos de ofertar em 2026 sistemas com bateria para a irrigação de lavouras brasileiras, disseram executivas da companhia à Reuters.
Além disso, a 2C avalia expandir sua atuação como comercializadora de energia no Brasil para outros países, em movimento que ressalta a diversificação da CZ, trading que detém cerca de 13% do mercado global de açúcar e responde por 25% da originação do adoçante no Brasil.
No país, a 2C já atua com projetos de geração distribuída de energia renovável, com investimentos de R$200 milhões. Após ter inaugurado sua primeira unidade em meados deste ano, a empresa conectou outros quatro empreendimentos e constrói mais dois, com previsão de entrada em operação ainda em 2025, totalizando capacidade de 40 megawatts (MW) na modalidade GD.
Para o agronegócio, projetos de geração solar acoplados a baterias estão em desenvolvimento pela 2C, que prevê os primeiros sistemas em operação na primeira parte de 2026, com investimentos iniciais de mais R$200 milhões –a companhia também terá essa solução para indústrias.
“O agro está no nosso DNA, e a nossa ideia é avançar em soluções de energia para o agro”, disse a gerente de Energia da 2C, Clarissa Petrarchini Gonçalves, citando a histórica relação da CZ com o setor de açúcar.
A empresa anunciou anteriormente planos de construir um parque solar com investimentos de R$1,2 bilhão até 2029, visando ofertar energia renovável para um projeto de fertilizantes verdes.
A head de Energia da CZ e diretora da 2C, Gabriela Andri, destacou o potencial da solução de energia solar para carregar baterias em projetos de irrigação em áreas remotas, sem conexão com o sistema elétrico, onde a eletricidade acaba sendo um gargalo para a irrigação das safras.
“Está cheio de Estado que tem a agricultura como base, que teria como irrigar, mas não faz agricultura irrigada porque a linha (de distribuição) não chega”, disse Andri, citando áreas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Reportagem da Reuters, publicada em fevereiro deste ano, indicou que o agronegócio brasileiro já está testando sistemas com baterias.
Os sistemas poderiam atender fazendas situadas em áreas onde a rede elétrica ainda não chegou, permitindo a substituição de geradores a diesel, por exemplo. Mas eles poderiam também ser instalados em regiões onde a oferta de eletricidade não é suficiente para mover um projeto de irrigação, ou mesmo poderiam ser complementares em regiões com oferta de energia.
As executivas evitaram divulgar os custos dos projetos, mas ressaltaram que a maior oferta de baterias, em meio a um aumento na produção dos equipamentos pela China, reduziu os preços.
E disseram que os projetos têm custos muito mais competitivos e são mais sustentáveis em termos ambientais do que o uso de geradores a diesel. Também são mais vantajosos do que projetos que envolvam a construção de rede e subestação –geralmente, o agricultor que requer rede junto à distribuidora tem que pagar uma parte considerável do empreendimento.
Comercialização no Exterior
A mesa de comercialização de energia da 2C marca a primeira iniciativa da Czarnikow no segmento, que pode ser expandida para outros países.
- “Estamos agora em processo de avaliar outros potenciais lugares para termos mesas de comercialização de energia. No momento, estamos olhando com mais intensidade Colômbia, Peru e Filipinas”, disse Andri.
A 2C, que representou também o ingresso da CZ no setor de geração de energia renovável –a trading tem 34% na 2C– possui ainda outros planos no setor, incluindo o projeto de geração solar centralizada no Maranhão de 400 MW, que ocuparia uma área de mil hectares para eventualmente abastecer uma unidade de produção de hidrogênio verde — matéria-prima para produção de fertilizantes sustentáveis.
Sobre a planta de hidrogênio, a empresa está em fase de conversas com os interessados. Para financiar os projetos, a 2C deve trabalhar com recursos de bancos de fomento ou privados e também dos acionistas, disseram as executivas.
(Com Reuters)