O Brasil precisa realizar um ajuste fiscal de aproximadamente 3% do Produto Interno Bruto para alcançar um patamar de superávit primário que estabilize a dívida pública do país próximo do nível atual, apontou relatório do Banco Mundial, que destacou a necessidade de desvincular benefícios sociais do salário mínimo.
Segundo o documento, manter a dívida estável no patamar atual requer um superávit primário de 2% a 3% do PIB e, devido à elevada razão entre receita tributária e PIB, bem como as altas alíquotas dos impostos sobre consumo e renda do trabalho, a maior parte dos ajustes deve ser feita pelo lado das despesas.
“Isso implica um ajuste fiscal de aproximadamente 3% do PIB em relação a 2024”, disse o relatório.
O Banco Mundial destacou que o país tem déficits primários recorrentes quase todos os anos desde 2013 e que a razão dívida/PIB aumentou em mais de 20 pontos percentuais, impulsionada, principalmente, pelo aumento das despesas com transferências sociais, sobretudo as voltadas para idosos.
O crescimento das despesas se deu principalmente pelo gasto previdenciário com aposentadorias e pensões, que aumentou em 2 pontos percentuais do PIB de acordo com o Banco Mundial, em razão do aumento do número de beneficiários e da média dos valores recebidos.
Segundo o Banco Mundial, a dinâmica orçamentária em relação aos benefícios indexados ao mínimo provoca uma expansão significativa das despesas até com aumentos modestos, com cada alta de R$1 no salário mínimo elevando os gastos federais com benefícios em R$421 milhões.
Por esse fator, a instituição afirmou que o governo deve analisar medidas para lidar com o envelhecimento da população e, logo, o aumento de gastos previdenciários.
“É necessário revisar os parâmetros dos programas previdenciários para conter o aumento das despesas — inclusive reabrindo o debate sobre o uso do salário mínimo como piso para todos os benefícios previdenciários”, acrescentou o documento.
Medidas Sugeridas pelo Banco Mundial
- Desindexação do salário mínimo.
- Alinhar os salários do setor público a referências do setor privado.
- Aumentar a alíquota de contribuição para aposentadorias de militares.
- Equalizar as idades de aposentadoria e alíquotas de contribuição previdenciária.
- Direcionar o abono salarial para famílias de baixa renda.
- Determinar que o uso da poupança do FGTS deve acontecer antes do acesso ao seguro-desemprego.
Sugestões para Impulsionar Receitas
- Concluir a reforma tributária.
- Ampliar a base tributária do Imposto de Renda de Pessoa Física, eliminando isenções e deduções, inclusive sobre lucros e dividendos.
- Aumentar alíquotas efetivas de impostos sobre grandes fortunas e rendas elevadas.
(Com Reuters)