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Impactos da Política Tarifária dos EUA no Brasil e a Resposta do Banco Central

  • 05/08/2025 - 08h20
  • Atualizado 1 ano atrás
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O Banco Central apontou que a política tarifária dos Estados Unidos torna o cenário mais incerto e adverso para o Brasil, ressaltando que sua atuação focará nos mecanismos de transmissão do ambiente externo sobre a inflação local, mostrou nesta terça-feira a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

“A elevação por parte dos Estados Unidos das tarifas comerciais para o Brasil tem impactos setoriais relevantes e impactos agregados ainda incertos a depender de como se encaminharão os próximos passos da negociação e a percepção de risco inerente ao processo”, disse o BC no documento, reforçando que acompanha o tema com atenção.

O governo do presidente Donald Trump formalizou na semana passada a imposição de tarifa de importação de 50% sobre produtos brasileiros a partir desta semana, alegando, entre outros pontos, que o ex-presidente Jair Bolsonaro é perseguido pelo Judiciário.

Na ata, o BC afirmou que os vetores inflacionários seguem adversos, com pressões no mercado de trabalho, expectativas de mercado para a inflação desancoradas e projeções de preços elevadas, além de uma atividade resiliente, apesar de uma “certa moderação” de crescimento.

“O Comitê reforça que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, disse.

Nesse ambiente, a autarquia enfatizou a necessidade de uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado.

Na semana passada, o BC decidiu interromper o ciclo de alta nos juros básicos ao manter a Selic em 15% ao ano e ressaltou que antecipa uma manutenção da taxa por período longo, pregando cautela diante de incertezas geradas pela tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros.

Na avaliação do BC, o mercado de crédito, mais sensível às condições financeiras do ciclo de aperto monetário, tem apresentado uma moderação mais nítida. O mercado de trabalho, porém, segue dinâmico, tendo “dado bastante suporte ao consumo e à renda”.

A autoridade monetária disse ainda que uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta.

“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, afirmou.

De acordo com o documento, além da atividade econômica, o BC também seguirá acompanhando o processo de repasse do câmbio para a inflação, após período de maior volatilidade, e as expectativas de mercado para os preços, fator tratado com desconforto por todos os membros da diretoria.

Ainda em relação às expectativas, o BC afirmou que houve uma queda na medição para períodos mais curtos, mas o mesmo não ocorreu de forma relevante em prazos longos, “ainda que as medidas de inflação implícita extraídas de ativos financeiros tenham se reduzido”.

“O Comitê reforçou e renovou seu compromisso com a reancoragem das expectativas e com a condução de uma política monetária que enseje tal movimento”, apontou.

Expectativas do Mercado

  • Na avaliação de André Valério, economista sênior do Inter, a ata reafirma o cenário de elevada incerteza, com preocupações relacionadas à desancoragem das expectativas e à política fiscal, mas sem deixar claro o que seria um gatilho para o eventual início do ciclo de cortes de juros.
  • “Acreditamos que uma desaceleração mais intensa da atividade, seguida de enfraquecimento do mercado de trabalho, seja pré-condição para o início do ciclo de cortes”, afirmou, ao prever um primeiro corte de 0,50 ponto percentual na Selic em dezembro.

(Com Reuters)

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